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Porto Velho,  ter,   21/novembro/2017     
COLUNISTA: Adaídes Batista

Dadá em tempo total

24/8/2003
adaidess@bol.com.br
 
  
UM POSSÍVEL POEMA

Essa falta de ar e de amor que queima a terra

Essa desesperada manhã argenta que lagrima em pingos dolentes

Tudo e todos estão carente com a morte de Juvêncio

Filho de Ana Maria que sempre lavou a roupa dos seus e de vários para sobreviver.

Essa morte tem uma história fria vermelha de raiva e vergonha

Morreu quando mamava o leite quente e pobre, seco fervendo.

A bala cravou seu pequenino coração, o sangue lavou o ventre materno ainda saliente.

Da parida pobre e sofrida e calada parada na madrugada fria.

Aqui tem umas vidas esquisitas que insistem viver comendo barro e folha de mato

Aqui tem mulheres febris de sexo e gripe, de dor e traição de mentira e de morte.

Aqui tem as músicas mais dolentes, carentes de humanidade, como meu peito feito de ferro desmanchando em pingos mortíferos no fogo.

Nada aqui foi, tudo é, a dor é permanente, presente consumindo as vísceras humanas expostas ao vento quente e avassalador dos mormaços eternos das florestas.

O carinho abatido geme e a traição e a covardia reinam. Que terra meu Deus!

Onde o que amou tanto e deu a vida aguacenta e pasma pro outro foi traído e judiado, foi enganado e rido, e abatido pela tristeza dos perdidos até o fim. O fim...

Nada se faz, nada se come, nada se conversa, nada se tem nada, nada, nada...

O deserto é a ordem...causticante, leite de cabra, armazenado nos seios durinhos das adolescentes, chupados, mordidos, pedrados...enfim.

Tudo foi traído por uma mulher branca, branquíssima, de longas palavras articuladas cheias de estratégias de vinganças que olhava e sentia o amor como mentira

E sonhava morar nas terras dos Incas e conhecer os segredos das estrelas para

Enganar mais e mais os terrenos consumidos na busca do amor de longas datas perdidas.

Pega um pouco de água e derrama nessa boca que seca de esperança de um dia, mesmo na desolação, deitar e dormir em paz sonhando dar sossego a alma em agonia.

Em busca do prazer nas noites em claros se amava na escuridão e depois derramava suas lágrimas nos jornais já melados de esperma.

Essa é a sina do homem na terra: amar e despedir-se. Eu quero é que você me aqueça nesse inverno e que tudo mais vá pro inferno.

Nesse mundo chato, conturbado, vermelho e negro onde estarão os olhos de Esmeralda que tocava violino numa casa de varanda com jarros pendurados cheios de flores

De pétalas amarelas caídas escorrendo como rio pelos corredores que trazia uma cor preta cor branca, azul, cores feitas da morte. Tudo morreu quando ela disse “não”...

As árvores choraram, os pais perderam seus filhos e as mães secaram os peitos e os peixes morreram na restinga...tudo luto, tudo nada, tudo nada e o imenso vazio da solidão das tardes de domingos perdidas entre lágrimas e latidos dos cães.

Eu não sou cachorro não pra viver tão humilhado.

(*) Dadá é jornalista,poeta, boêmio e Diretor de Comunicação da ALE-RO

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