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Porto Velho,  ter,   21/novembro/2017     
COLUNISTA: Adaídes Batista

Dadá em tempo total

21/10/2003
adaidess@bol.com.br
 
  
O TEXTO DO DR. PEDRO

Há muito tempo venho discutindo com os amigos essa matéria agora muito bem abordada pelo Dr. Pedro em seu último e corajoso artigo para o GuiaRO ( o Terrível Legado de Descartes). Sinto-me realmente aliviado por saber que o criminalista agora concorda que tudo não se resume no rigor da comprovação científica e que foi esse desvio de pensamento que levou os ocidentais a viver dessa forma louca que vivemos hoje – coisificados.

Mas como sempre fui um defensor desse pensamento expresso pelo amigo Dr. Pedro., assim como foi também o compositor, “cantor” e ator Raul Seixas – “Tem gente que passa a vida inteira/Travando a inútil luta com os galhos/ Sem saber que lá no tronco/ Que está o curinga do baralho” - , permito-me aqui reproduzir um excerto das “Memórias Improvisadas” do pensador brasileiro Alceu Amoroso Lima, na tentativa de respaldar mais ainda o texto do Dr. Pedro. É preciso lembrar que Alceu Amoroso Lima foi um dos melhores cérebros que essa terra Brasil produziu; infelizmente caiu no esquecimento. Mas fazer o quê? Uma terra que esquece de Tobias Barreto, vamos exigir o que mais? Eis o texto:
“Os poetas são seres dotados de sentimento mágico, sensíveis tanto ao quotidiano como ao transcendente. Certa vez em Nova Iorque entrei numa papelaria em Greenwich Village. Como comprasse sempre ali, era conhecido das pessoas que me atendiam. Morava também por perto, nas imediações de Washington Square. Nesta época lecionava na Universidade de Nova Iorque. Ao escolher um papel de correspondência, o balconista me disse:

- Este é exatamente o papel de Mr. Cummings.

Fiquei surpreendido.

- Cummings? Ele compra aqui?

- Sim. Mora numa fazenda ao norte, mas, por ocasião do outono e da primavera, passa sempre alguns meses na cidade.

Não contente em minha curiosidade insisti:

- E onde mora?
- Aqui pertinho.
- Perto daqui?
- Sim, senhor. Numa avenida de casas.
- É acessível?
- Sim. É um homem muito simples. Uma coisa engraçada. Gosta muito de flores.
- Será que posso procurá-lo?
- Claro. Diga-lhe que é professor aqui.

Depois desse diálogo, saí com o endereço de Cummings no bolso, passei por um florista e toquei-me para sua casa. Era uma casa simples, porta e janela, numa pequena vila pitoresca, como tantas que havia no Rio de Janeiro de antigamente. Bati na porta. Não demorou muito, e um homem vestido com grande displicência, desarrumado, atendeu-me. Percebi logo que se tratava dele mesmo. E antes de qualquer cumprimento fui dizendo:

- Eis aqui um buquê de rosas que lhe trago.

Olhou-me espantado e indagou o que eu queria.

- Conversar com o senhor – foi minha resposta.
A seguir apresentei-me e ele mandou que entrasse. Entrei e passamos a conversar. Foi uma conversa deliciosa. Falamos de tudo, especialmente de poesia. A certa altura não me lembro a propósito de que, creio que a propósito de poesia mística, recordei a sentença de Santo Tomás de Aquino : “ A razão é apenas a imperfeição da inteligência”. Agitou-se na cadeira, como que espantado,e indagou:

- O quê? Quem é que disse isso?
Repeti a frase, por fim, pediu-me que a ditasse. Depois de anotá-la exclamou:
- Que coisa formidável! Que coisa importante!
Cummings, um agnóstico, levado exclusivamente pela sensibilidade, pela intuição, que leva os poetas à percepção do ministério, do transcendente, deixou-se de repente se impressionar por um texto tomista.

Cummings sentiu na sentença de Santo Tomás de Aquino a abertura de uma janela que jamais pressentira. Maritain antes já havia encontrado afinidades entre Santo Tomás de Aquino e São João da Cruz, entre um puro filósofo de bases aristotélicas, intelectualista e um puro místico contemplativo.

Essa sentença de Santo Tomás de Aquino que tanto impressionou a Cummings eu a encontrei pela primeira vez em Fulton Sheen, que depois de chegar ao arcebispado renunciou ao posto por não ter atingido o cardinalato, segundo certas versões. Sheen escreveu um livro que me impressionou bastante. Trata-se de “God and Intelligence”, prefaciado por Chersterton, e escrito quando aluno da Univesidade de Lovaina, o que explica o fato de sua obra estar impregnada do pensamento francês.

“God and Intelligence” procura demonstrar como a razão é apenas um passo para a inteligência e a inteligência um passo para a intuição.

...A ciência está ligada ao que é, a moral ao que deve ser, e a arte ao que pode ser. A arte é o domínio da pura liberdade. A própria mística tem suas limitações, sobretudo quando se trata de uma mística definida. A poesia não. A poesia é passível de todas as interpretações, de todas as visões, através da imaginação, da fantasia , da criatividade...”
Taí Dr. Pedro, não estamos sozinhos. Esta conosco Alceu amoroso Lima, Cummings, Maritain, Charstento e de quebra Santo Tomás de Aquino. É bom não andar só nessa vida, apesar de saber que é esse o destino do homem na terra. E pra compensar o cano e aquele bilhete de passagem Rolim de Moura/ Porto Velho passa lá em casa pra gente aprofundar a discussão do artigo e de quebra degustar um rum e uns charutos que acabei de receber da ilha do Fidel...um abraço.

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