Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro


 

Porto Velho,  ter,   21/novembro/2017     
COLUNISTA: Adaídes Batista

Dadá em tempo total

28/11/2003
adaidess@bol.com.br
 
  
O INFERNO É O OUTRO

Sartre foi quem disse muito apropriadamente que “o inferno é o outro”; a sentença filosófica existencialista ficaria mais plena, ao meu ver, se fosse completada com “e nós mesmos”. Mas o “outro” sempre está de plantão para nos infernizar desde os primeiros minutos que nos entendemos como gente, quando percebemos que estamos no mundo. Inclusive existem pessoas que optaram por ser sempre o inferno do outro. É o famoso chato.

É aquele cara que quando você ver, já pensa: “lá vem problema”. É impossível o tal sujeito chegar com alguma proposta que venha contribuir com você ou com a humanidade para alguma melhoria. Mas esses são os chatos que, quando estamos com paciência, levamos eles na “manha” ou desconversamos ou fazemos que estamos lhe escutando e estamos resolvendo outros problemas mentalmente. Mas é preciso cuidado. Tem uns chatos que percebem seu olhar distante apesar de estar a fitá-lo e logo reclamam: “Pô, você não está prestando atenção!”.

Agora me diga, como prestar atenção a um amontoado de baboseiras que só toma seu tempo, e de quebra, enche o saco. Aí você meio perdido retruca: “ Que nada cara, estou prestando atenção sim”. Mas o chato de plantão não fica por aí,então vem a parte pior, o chato tasca: “ Então repete o que eu estava te falando”. PQP! Portanto é preciso estar treinado pra esse tipo.

Enquanto ele fala suas baboseiras, apesar de você está resolvendo seus problemas mentalmente não deixe de prestar atenção na fala sem futuro do chato. Todos que são vítimas dos chatos sabem que isso é possível. Utilizando esse método você é capaz de repetir tudo o que o chato lhe falou e você escapa do constrangimento.

Existem vários tipos de chato. Tem aquele que traz mil fórmula para resolver sua vida, ou seja, como você deve fazer para comprar uma casa , um carro, viajar para Europa. Esse geralmente no final da conversa ele lhe pede um passe de ônibus para ir para casa. Tem aquele chato prepotente que só ele é que sabe, só ele é que entende como caminha a humanidade, você, o interlocutor, é um babaca. Tem aquele chato que descobriu recentemente o método de enriquecer e quer de qualquer forma que você aceite o convite de ser seu sócio. Só que ele sabe de tudo, só não sabe onde vai arranjar o dinheiro para colocar seus planos em ação. Uma hora com calma vou desenvolver esse tema: “os tipos de chato”, pois o que eu pretendia aqui era outra coisa. Era falar sobre o inferno que são os outros na vida terrena, por isso, apeguei-me a frase do Sartre, mas terminei enveredando pela chatice, tornado-me aos leitores também um chato.

Mas para fechar preciso dizer que somos realmente muito medíocres para suportar tantas exigências dos outros, tudo em nome do que chamamos de sobrevivência, às vezes, tendo que se agachar ou dissimular pra passar e não revidar a dura burocracia cotidiana e rudeza dos espíritos agachados. E para encerrar esse artigo de forma séria deixo aqui uma afirmação porrada de Bukowski, onde ele trata dessa máquina que nos tritura que são “eles”:

“Nós somos fisgados, esbofeteados e cortados em pedacinhos estupidamente. Tão estupidamente que alguns de nós acabam finalmente amando nossos tormentadores porque eles estão para nos atormentar de acordo com linhas lógicas de tortura. E isto parece assim com o razoável, porque não há nada melhor pintando. Tem que estar certo porque é tudo que existe. O que acontece é que a maioria das pessoas fica paralisada de medo. Elas têm tanto medo do fracasso que acabam fracassando. Estão condicionadas demais, acostumadas demais que digam o que devem fazer. Começa com a família, passa pela escola e entra no mundo dos negócios. As pessoas não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família. Suas mentes estão cheias de algodão. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer.”

(*) Adaídes Batista (Dadá) é jornalista, escritor, poeta e boêmio inveterado.

Nenhum comentário sobre esta coluna

Mais colunas de Adaídes Batista
Publicidade: