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Porto Velho,  ter,   21/novembro/2017     
COLUNISTA: Adaídes Batista

Dadá em tempo total

11/12/2003
adaidess@bol.com.br
 
  
MINHA AMADA ETERNA

Em toda minha vida tive um caso com a música popular. Aliás, com todas as músicas. Mas não poderia deixar de dizer que com a música popular brasileira é um chamego mais forte, mais apaixonado, mas unha e carne. Um caso fechado, de amor mesmo, nada secreto, escancarado. A música popular foi e é para mim a companheira, a psicanalista, a conselheira, a professora e a irmã. Nessa minha plebéia vida que levo, ela nunca me abandonou, sempre aturou minhas intempestivas opiniões, minha cara amarrada, minha alma emburrada, meu sem jeito torto de ser, meu porre madrugada adentro. Meu ser e ela são como uma amálgama tornando-se uma só coisa. Enfim, é um caso “desses que a gente rasga a roupa e uma febre muito louca faz a gente levitar... tem um não sei quê de paraíso e o corpo mais preciso que o mais lindo dos mortais”.

Desde criancinha essa música me embala e me leva na asa branca do tempo no canto do assum preto e da sabiá.

Com ela vi “Cristo ser crucificado, o amor nascer e ser assassinato” e descobri que nasci há dez mil anos. Com ela fui nuvem passageira e cristal bonito que se quebra quando cai. E chorei de solidão numa cela pensando no sorriso de minha irmã e cantei pra todos ouvirem: “Eu quero ir minha gente, eu não sou daqui, eu não tenho nada, quero ver Irene ri, quero ver Irene dá sua risada”.
Com ela conheci a lagoa escura do Abaeté arrodeada de areia branca e a praia de Copacabana, a princesinha do mar, que pela manhã é a vida a cantar e na tardinha o sol poente deixa uma saudade na gente.

Essa minha mulher, minha deusa, minha fada, minha musa e minha wicca, levou-me por caminhos diversos e eu que pensei que sabia de tudo agora sei que quem sabe menos das coisa sabe muito mais que eu e que quem irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração.

Aprendi com ela que não queria a juventude assim perdida que não queria andar morrendo pela vida e nem queria amar assim como eu te amei. E mas, aprendi com ela e tenho certeza que eu preciso de você, nós precisamos sim, você de mim e eu de você.

Abriu meus olhos para os fatos mais simples como por exemplo que todo dia ela faz tudo sempre igual , me sacode as seis hora da manhã , me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã, e também que, há dia que não sei o que me passa e abro meu Neruda e apago o sol, misturo poesia com cachaça e acabo discutindo futebol.

Ela me fez descobri, num momento tenso e triste do meu país, que quem sabe faz a hora, não espera acontecer e que há soldado armados , amados ou não, quase todos perdidos com armas na mão. Foi quando me vi no escuro, na solitária, sem palavras , sem gestos, e cansado, implorei: “Pai afasta de mim esse cálice, Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice..de vinho tinto de sangue”.

E quando estava no desespero, achando que não havia mais saída, achando que não havia mais o que criar, cantar, foi ela que me disse que nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo passará, a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito, e mais que, tudo que se ver não é igual ao que a gente viu há um segundo, todo muda o tempo todo no mundo, e concluiu brilhantemente, não adianta fugir nem mentir pra si mesmo, agora tem tanta vida lá fora, aqui dentro, sempre como uma onda no mar.
Meu Deus! Escreveria cem, mil páginas sobre essa companheira pra quem hoje ajoelho-me e beijo as mãos.

Portanto companheira peço desculpas se minhas palavras não conseguem exprimir sua beleza e grandeza. Peço também humildemente tua graça e te prometo que serei sempre esse servo fiel e se possível aceite ser a eterna amada de um poeta sem palavras.

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