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Porto Velho,  dom,   25/junho/2017     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

Por mim e por cada um de nós

23/12/2013 19:43:32
porfirio@palanquelivre.com
 
  

Há mais vida numa palavra amiga do que em todas as descobertas de uma ciência cada vez mais vivificante

 


Por que o meu natal é mais do que um smartphone novo ou um ipad poderoso, dou-me por abundante e generosamente presenteado pelas mensagens de carinho, apoio, solidariedade e fé em face do meu transitório estado de saúde, agredido por um insólito tumor, já sob fogo cruzado, em meu fígado.
Temia que a divulgação desse acontecimento sinistro de ordem pessoal fosse mal entendida ou, na melhor das hipóteses, ganhasse o benefício da controvérsia. No entanto, as inúmeras mensagens recebidas diretamente por e-mail, postadas no facebook e nos próprios blogs tiveram a força de um poderoso sedativo. Mais: outorgaram-me de pleno direito a reconquista de um mundo ainda sentimental, onde a cláusula da solidariedade é mais expressa na hora da adversidade. E não somente naquelas em que alguma forma de poder nos enche do brilho da atração reluzente.

Com esses acontecimentos, por assim dizer, infaustos conheci em todas as latitudes as virtudes do compartilhamento. Não foram poucos os que cruzaram pela primeira vez suas palavras com as minhas, na maioria dos casos de forma pública, acentuando principalmente a grandeza de valores profundos, como a religiosidade, que não é o meu forte, como bálsamo mais encorajador para o enfrentamento de um percalço, seja em relação à saúde, à vida sentimental ou à situação econômica, para lembrar apenas alguns momentos graves de nossas vidas.

Percebi na exuberância que só o dicionário da solidariedade dispõe um poderoso estoque de sentimentos ressuscitadores. 

Não, o nosso mundo não é esse empedernido campeonato do cada um por si, da desesperada corrida ao sucesso nas veredas do mau caráter e do egoísmo cego.

Para além daquele cérebro nervoso que só sabe fazer as quatro operações há um coração amoroso que bate a mil e ainda consegue romper a blindagem do freudiano princípio da realidade para socorrer outrem com a fortaleza das palavras tão simples como vitais, numa transfusão de sangue  muito mais poderosa do que todas as panacéias que uma ciência igualmente pródiga produz nos laboratórios medicinais cada vez mais ricos em descobertas surpreendentes.

O sentimento da vida é mais saliente quando nos deparamos com o sinal da morte e muito mais charmoso quando o despachamos às calendas, reconstruindo os novos passos com olhares mais viçosos, sem medo de ser feliz e alijando os maus presságios sem perder a ternura jamais.

Dizem os senhores das armas maléficas que a palavra está moribunda, subalterna, arrivista e covarde. Amoldou-se com o trunfo da conveniência aos degraus da ascendência almejada e se despersonalizou por inteiro. A palavra, segundo esses pragmáticos frios e calculistas, fragmentou-se na fogueira das vaidades e no desfiladeiro das ambições.

Ledo engano. Essa palavra esfacelada pelas procelas da ignorância ao longo dos séculos mesquinhos é apenas a partícula da boca para fora de uma matriz original, guardada a sete chaves nos campos de centeios da sabedoria de cada um.

A verdadeira palavra ainda é a maior riqueza do ser humano, por que não é expropriável, nem servida ao consumo barato em emboscadas da ignomínia, da competição, do egocentrismo e do interesse sobreposto. Despojada, ela sai lá de dentro do nosso âmago, ganha energia em nossos pulmões e irradia os bons ventos do mais que viver.

Eu estou vendo tudo isso nesses dias intrépidos de cores indecifráveis. Cada palavra amiga tem a doçura e a meiguice da espontaneidade, essa usina fertilizante que nos surpreende a todos nesses momentos quiméricos da bondade implícita.

E absorvo essas palavras sãs com a promessa do compartilhamento tão gratificante para mim e para cada um de nós. Sei que me fiz espelho dessa conturbada guerra surda entre a vida e a morte, entre o sentir e o viver por viver, entre a percepção da eternidade dos que se imortalizam na assimilação sensata do ciclo vital e o apego insano ao instinto de sobrevivência.

Não sei se estou sendo piegas nessa declaração de amor aos que me têm sido solidários, mas tenho certeza de que ao repassar toda a verdade, por mais trágica que pareça, ao revesti-la do vermelho do combate e do verde da esperança estou igualmente servindo à  vida, à minha e à de cada um de nós.
É uma forma de dizer o mais profícuo muito obrigado e de declarar vitória pujante, seja qual for o placar desse jogo misterioso de vida ou morte


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