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Porto Velho,  dom,   20/agosto/2017     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

Sob o domínio do oligopólio bancário

05/02/2014 13:38:10
porfirio@palanquelivre.com
 
  
Lucros recordes e sonegação bilionária deixam governo mal na fita e MST rompe "silêncio respeitoso"


O oligopólio financeiro está em festa: nesta terça-feira, dia 4 de fevereiro, o todo poderoso Itaú contabilizou lucro de R$ 15,695 bilhões em 2013, o maior da história dos bancos no Brasil.  O resultado representa 15,5% mais do que o obtido em 2012 (R$ 13,594 bilhões). Isto é, esse grupo, um dos dois "únicos" bancos privados  nacionais de varejo teve um avanço percentual 5 vezes superior ao do PIB. 
Antes, no dia 30 de dezembro, o Bradesco havia registrado um lucro líquido de R$ 12,011 bilhões. Os dois somaram ganhos de R$ 27,706 bilhões, ou R$ 2,809 bilhões a mais do que toda a "ajuda" do governo a 50 milhões de brasileiros, através do programa bolsa-família, embora este tenha registrado um aumento mensal por família de R$ 107,00 para R$ 216,00, segundo o Ministério de Desenvolvimento Social.

Esse mesmo Itaú foi intimado no último dia 30 pela Receita Federal a pagar R$ 18,7 bilhões por sonegação fiscal, na fusão com o Unibanco, em 2008. A Receita Federal está cobrando R$ 11,845 bilhões em Imposto de Renda e mais R$ 6,867 bilhões em Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescidos de multa e juros.

O Itaú já havia sido autuado pela Receita em agosto do ano passado, em decorrência dos instrumentos contábeis usados para a unificação das operações com o Unibanco. Em nota "ao mercado", sua diretoria reafirmou que irá recorrer da decisão e que considera "remoto" o risco de perder a causa.

 
 
Resta saber até onde podem chegar os fiscais da Fazenda na tentativa de recuperar o  dinheiro sonegado, cujo total é maior do que o seu lucro líquido recorde de 2013. Quando afirma que são remotas as possibilidades de pagar o rombo, detectado numa investigação de 4 anos, o banco não deve estar jogando conversa fora.

O oligopólio consentido (ou estimulado) está entregando todo o país nas mãos de meia dúzia de banqueiros, cuja atividade essencial é a AGIOTAGEM - sem tirar nem por.

MST aponta poder das oligarquias

Stédile apontou aliança do governo com as oligarquias
Enquanto isso, o líder do MST, João Pedro Stédile, saia de um "silêncio respeitoso", para declarar, ao Jornal do Comércio de Porto Alegre, nesta segunda-feira, dia 3, que o governo petista fez uma opção pelos ricos, ao paralisar a reformar agrária e aliar-se às oligarquias, principalmente aos latifundiários do agronegócio.

João Pedro Stédile não poupou críticas aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, ambos do PT. O líder nacional do MST criticou a política do atual governo em promover concessões de setores estratégicos. Sobre a política econômica do governo de coalizão, acredita que é necessário realizar mudanças, barrar o superávit primário e destinar os R$ 280 bilhões anuais, hoje pagos em juros aos bancos, para educação, saúde, reforma agrária e transporte público. Reitera que, para que haja essas mudanças estruturais, será necessário primeiro promover uma reforma política para que o poder seja exercido pelo povo, “e não contra ele”.

O governo Dilma é refém do agronegócio e da falácia de que as exportações agrícolas são necessárias. Nenhum país do mundo se desenvolveu vendendo matérias primas. Olha, somos o maior exportador mundial de couro cru e os maiores importadores de tênis da China. Isso é uma vergonha. Somos o maior exportador de minério de ferro, sem pagar nada de imposto, e depois compramos até trilho de trem, ferro elétrico, e ventilador da China. Vendemos soja em grão e depois importamos leite em pó. E esse modelo anacrônico, até do ponto de vista agronômico, transformou a agricultura em refém dos venenos. Somos o maior consumidor mundial de venenos, 20% de todos os venenos do mundo, sem nenhuma necessidade agronômica. Nós estamos aplicando em media 15 litros de venenos por hectare por ano, e consumimos cinco litros por habitante ano. E ele mata a biodiversidade, mata os rios, a água subterrânea, contamina o ar, a chuva, e fica nos alimentos, para depois virar câncer. Esse é o preço que o povo esta pagando pela falácia do agronegócio.

Para João Paulo Stédile, Dilma encabeça "um governo de composição, de coalizão de todas as classes, em que o agronegócio tem hegemonia e os setores favoráveis à reforma agrária são minoritários. Somado a isso, há o contexto da agricultura dominada pelo capital financeiro e pelas empresas transnacionais. E é um Estado dominado pela burguesia, que tem controle absoluto do poder Judiciário e do Congresso para se proteger contra qualquer mudança".

Não dá para esconder o poder dos oligopólios

Não precisa ser um radical de esquerda para detectar no atual governo tudo de bom para o fortalecimento do modelo capitalista neoliberal, com um grau de eficiências anos à frente dos seus antecessores tucanos e do próprio regime militar bancado pelos interesses norte-americanos.

O aumento vertiginoso dos lucros dos 6 grandes bancos (incluindo o BB, que teve um percentual de participação estrangeira aumentado, e a Caixa Econômica) suplanta até os avanços recordes da China, hoje o maior exportador do mundo.

Estamos definitivamente nas mãos de um oligarquia especulativa e esse crescimento se deu curiosamente nos governos encabeçados pelo Partido dos Trabalhadores. Na área bancária, além do Itaú,Bradesco, BB e Caixa, só temos à mão no varejo dois bancos estrangeiros - Santander e HSBC. Com o formato da nossa economia e seu poder político, não causa espanto que os dois maiores bancos privados exibam números tão robustos.

Mesmo no mais ortodoxo dos capitalismos, essa oligolipolização do sistema é evitada. Os bancos hoje atuam em todas as esferas da economia com participação direta, como na Vale do Rio Doce, cujo maior acionista é o Bradesco. O mais grave é que esses "desempenhos" se confundem com baixas remunerações de pessoal, além da sua substituição por máquinas, caixas eletrônicos e internet.

Do jeito que os bancos e o agronegócio estão bombando, o país se vê impossibilitado de uma política estratégica de interesse social, limitando-se às medidas compensatórias que se tornaram um fim em si. Além disso, as grandes empreiteiras estão cada vez mais gordas, a indústria automobilística dita a política de transportes e os serviços públicos concedidos operam de olho tão somente na  busca de ganhos exorbitantes, com a ostensiva queda de sua qualidade. De tal sorte é a distorção, que o sistema de eletricidade apresenta problemas quase diários: afinal, os grandes investimentos previstos nas concessões ficaram no papel e o governo aceita tudo como a maior naturalidade.

No combate a essa desfiguração, não é honesto vir com conversas fiadas. Mais do que disse o líder do MST, o governo é hoje refém de alguns poucos grupos econômicos, em áreas estratégicas. E parece aceitar tudo isso como um fato consumado.


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