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Porto Velho,  dom,   25/junho/2017     
COLUNISTA: Pedro Porfírio

Porfírio: O desespero da medicina mercantil

11/02/2014 15:15:07
porfirio@palanquelivre.com
 
  
Sentindo-se ameaçado pelo desempenho dos cubanos no Brasil, CFM oferece empregos "administrativos" para cooptá-los
 
No mesmo momento em que os funcionários dos hospitais federais entram em greve no Rio de Janeiro contra o controle de suas frequências através do ponto eletrônico, o Conselho de Medicina assume sem qualquer constrangimento uma estranha cruzada para oferecer "vagas administrativas" aos cubanos que desertarem do programa Mais Médicos, que está levando saúde a lugares do país que jamais viram um jaleco.
Isso seria surpreendente se essa entidade que congrega compulsoriamente 400 mil profissionais formados em universidades públicas e faculdades privadas não tivesse deturpado suas funções para acrescentar, ainda que informalmente, mais um "M" em sua sigla, de forma a identificar-se com as congêneres na sustentação da saúde de mercado, independente do médico das universidades oficiais ter custado mais de R$ 1 milhão a todos os contribuintes, visto por quase todos eles como fregueses em potencial.

Essa nova agressão à sociedade do Conselho Federal de Medicina (de Mercado) está em sintonia com o Cuban Medical Profesional Parole, um milionário programa do Departamento de Estado norte-americano de caça e cooptação dos médicos cubanos que trabalham hoje em mais de 60 países, numa missão que teria merecido o Prêmio Nobel da Paz, se os titulares desta badalada comenda também não sofressem influência da máquina mortífera global, ao ponto de distinguirem o presidente Barack Obama no início de um mandato em que triplicou suas tropas no Afeganistão.

Numa sociedade inercial, em que suas proeminências em todos os campos degeneraram por completo, a elite mercantilista que disputa a saúde dos brasileiros com a mesma cobiça e a mesma volúpia dos vendedores de eletrônicos parece em palpos de aranha com a possibilidade da mudança de foco pela rápida alteração dos índices nas distantes cidades atendidas pelos vocacionados médicos formados com outra cabeça, longe dos caça-níqueis do sistema mercantil.

Como é do conhecimento de todo o mundo, inclusive das publicações científicas dos Estados Unidos e da Grã Bretanha, apesar do covarde bloqueio econômico de quase meio século, da pressão perversa que obriga toda uma população a uma vida franciscana, é exatamente naquela ilha que a saúde desponta com índices de vida admiráveis, desde a natalidade à velhice, em razão de que Cuba oferece ao mundo o oposto dessas potências ensandecidas:

enquanto estas vendem armas para a morte,  o pequeno país socialista salva milhares de vida em todos os quadrantes diariamente, isto pela aplicação de um princípio elementar, de que fogem os mercantilistas do CFM (M) como o diabo foge da cruz -  a ação preventiva exercida pelo médico de família consciente.

Essa escandalosa e suspeita posição da cúpula médica brasileira é por si uma agressão ao código de ética profissional, o primeiro e originalmente o único item da norma constante do decreto do general Eurico Dutra que criou a autarquia médica.

Como uma entidade médica pode oferecer serviços administrativos a colegas que têm graduação de alto nível? Das duas uma: ou está acenando com uma licença amiga na prova de revalidação do diploma ou está querendo mesmo desqualificar aqueles que estão indo para onde os nossos "doutores" se recusaram a ir e já estão conquistando os corações e mentes daquela gente sofrida, ao ponto do programa Mais Médicos se converter na peça que vai acabar com o reino do tucanato em São Paulo e dar embasamento e gordura para facilitar a reeleição da presidenta Dilma.  

Nesses últimos 4 anos, o assédio canalha do governo norte-americano já custou  os tubos para seduzir os missionários da saúde de Cuba. No entanto, apesar do envolvimento de bandidos e mercenários sem escrúpulos, de um total de 83 mil médicos e enfermeiros espalhados principalmente pelas regiões mais pobres de países sem condição de cuidar da saúde de quem não tem dinheiro, nesse período só foi possível subornar 1574 profissionais, ou seja, 1,89% dos cubanos dedicados de corpo e alma à mais sagrada das missões.

O Conselho Federal de Medicina (de Mercado) se animou a se expor nessa empreitada deprimente depois que a Associação Médica Brasileira (farinha do mesmo saco) ofereceu emprego à médica cubana Ramona Rodrigues,  de 51 anos, que se deu mal na primeira tentativa de entrar no programa norte-americano de cooptação, por que, na verdade, tudo o que ela queria era ir ao encontro de um namorado em Miami, conforme reportagem da FOLHA DE SÃO PAULO, o que transformou numa grande palhaçada a acolhida do ultra-latifundiário Ronaldo Caiado, que a hospedou com todas as pompas na liderança do moribundo DEM.

Isso tudo não deixa de fazer parte de uma ação orquestrada no desespero total e absoluto de uma oposição tão medíocre e tão comprometida com o que há de pior que, pela exposição de suas vísceras apodrecidas, vai garantir a vitória no primeiro turno da presidenta Dilma Rousseff, que cresce a cada babaquice explícita e recorrente dos seus adversários.

É claro que rola muito dinheiro nesse esforço concentrado para desestabilizar o programa Mais Médicos, indiferente à sorte das populações pobres atendidas, e tanta grana a alguns outros cubanos pode seduzir.

Mas essa oferta aberta de qualquer coisa para comprarem médicos que sabem que estão fazendo o bem em toda a sua latitude, enquanto contribuem para a formação dos futuros colegas e retribuindo em parte o investimento que o sacrificado Estado cubano fez para formá-los, é uma ignomínia que desmascara a verdadeira natureza da oposição a esse programa já vitorioso.

Essa mesma súcia mercantilista está vibrando com a greve dos médicos dos hospitais federais do Rio de Janeiro, que querem conciliar a baixa remuneração com a carga horária, como sempre aconteceu na prática, o que será difícil agora, com a determinação do Tribunal de Contas da União da instalação do  ponto eletrônico para uma jornada de 40 horas prevista em contrato.

Por que para a hidra privada da saúde o sucateamento da rede pública é mamão com açúcar. Já passam de 40 milhões os que pagam os planos e estes precisam de mais fregueses para sustentar seus lucros fabulosos, mesmo vendendo serviços tão precários como os do SUS - Sistema Único de Saúde. Mesmo contando com o carinho e afeto das elites mercantilistas que submetem a classe aos seus ditames mais mesquinhos.


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