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Porto Velho,  qua,   1/abril/2020     
COLUNISTA: Carlos Coqueiro

Minas de alto teor corrosivo: Dilma passa por uma prova de fogo, enquanto os pregoeiros do retrocesso fazem a festa

07/05/2014 13:43:42
jccoqueiro@yahoo.com.br
 
  

 

 

"O Partido dos Trabalhadores organizou a m√°quina eleitoral mais eficiente do pa√≠s. J√° ganhou tr√™s das seis elei√ß√Ķes presidenciais diretas realizadas desde a ditadura e est√° no poder h√° 12 anos. No entanto, se mostra vacilante em carregar a sua candidata, a gerente da heran√ßa da era Lula, que transita pelas pesquisas com m√©dia de prefer√™ncia eleitoral muito superior √† que possu√≠a a cinco meses da elei√ß√£o de 2010. Isso √© absolutamente incomum".
José Casado, O GLOBO, 6 de maio de 2014
 
O que é mais corrosivo: o corpo mole de correligionários e aliados ou o jogo baixo e inescrupuloso dos adversários? A candidatura Dilma Rousseff está passando por uma prova de fogo, tão asfixiante que sobreviver a ela é mais difícil do que vencer a eleição em caso de disputa com opositores assanhados e cheios de si.  Uma prova que ganha tons mais denegridos pela deliberada manipulação de uma mídia insaciável e calculista que esbanja minas em seu caminho para retomar a condição de quarto poder, ante o próprio definhamento e a emergência de canais alternativos cada vez mais exuberantes e influentes. 
Engana-se quem pensa que o solapamento caseiro cessou com o encontro nacional do PT em que fizeram juras de amores por ela e formalizaram sua indica√ß√£o. Tanto quanto tamb√©m √© um ledo engano imaginar que a artilharia reacion√°ria est√° esgotando o estoque pela repeti√ß√£o enjoada dos mesmos traques, procurando atingi-la por malfeitos de subalternos e de outros tempos, onde rigorosamente ela passa ao largo, numa dist√Ęncia muito maior do que a dos plantadores dos espinafres.
 
A picaretagem que est√° na berlinda tem origem e aconteceu de fato em tempos pret√©ritos: no caso do laborat√≥rio do doleiro Youssef ele lavou a burra mesma foi na gest√£o do ent√£o ministro Jos√© Serra, quando papou R$ 80 milh√Ķes do Minist√©rio da Sa√ļde, segundo levantamento do site "Contas Abertas". ¬†¬†
 
Se fosse s√≥ a baixaria que enche os olhos da direita e da plutocracia o carimbo da origem j√° a desautorizaria, t√£o desmoralizadas politicamente est√£o. Mas o cipoal dos ressentidos das ante-salas, a maioria padr√£o Andr√© Vargas, teima em solapar e joga pesado por que o que lhes interessa √© deliciar-se do sumo do poder: fora disso, n√£o v√£o cumprir os compromissos pecuni√°rios esp√ļrios com seus financiadores.
 
A esses fisiol√≥gicos gulosos e resistentes √† dieta pouco importa quem tirar√° proveito de suas trapalhadas. ¬†N√£o lhes ocorre abrir a janela para al√©m do seu beco sem sa√≠da. Se n√£o fossem pigmeus ocasionalmente bem sucedidos enxergariam logo ali uma articula√ß√£o transnacional que quer rever o processo que retirou alguns pa√≠ses do vampirismo padrasto da metr√≥pole em crise. Vampirismo que, ao ver dos estrategistas de l√°, seria fact√≠vel se tiv√©ssemos um governo mais alinhado: n√£o fosse pelas posi√ß√Ķes do governo brasileiro, estimam, Nicolas Maduro j√° teria sido asfixiado por press√Ķes internacionais e Evo Morales n√£o estaria t√£o bem na fita. ¬†
 
Uma tentativa de explorar a vaidade e chantagear
 
Mais do que ningu√©m, Luiz In√°cio sabe disso. Sua caminhada antes, durante e depois do p√≥dio foi um aprendizado frut√≠fero, doutorando-o nos mist√©rios da pol√≠tica. Mesmo tocado pelos apelos √† sua vaidade campe√£ e mesmo chantageado por ex-ac√≥litos, ele seria ing√™nuo se aceitasse entrar num fogo cruzado no meio da conflagra√ß√£o, desconstruindo a pr√≥pria cidadela, que n√£o se recomp√Ķe da noite para o dia. At√© por raz√Ķes de sa√ļde seria uma temeridade envolver-se num processo din√Ęmico sob impulsos de uma terceirizada paran√≥ia de m√° f√©. ¬†¬†
 
As hostes partid√°rias, no entanto, s√£o sacos de gatos ensimesmados. Ningu√©m pode confiar em ningu√©m e quanto mais anuviado for o cen√°rio, mais surpreendente pode ser o comportamento de cada um, por que √© cada um por si, sem tirar nem por. Na democracia, os manda-chuvas t√™m empregos por tempo determinado. Isso lhes deforma o car√°ter no seu curso, essa √Ęnsia de resolver-se no prazo de garantia, que ainda lhes remete desde o primeiro dia para a busca do replay. S√£o profissionais que o sistema infectou de mordomias e gl√≥rias, que desfrutam de casa, comida e roupa lavada viciosas √†s custas do er√°rio.
 
A quem interessar possa recomendo um filme norte-americano, produzido em 2012, sem maiores pretens√Ķes, que passou por aqui sem alarde, com menos de 30 mil ingressos vendidos. Os candidatos (The Campaign) do despretensioso Jay Roach √© um retrato caricato, mas emblem√°tico, de uma disputa eleitoral na Carolina do Norte.¬† Exp√Ķe a degenera√ß√£o da decantada "democracia americana", mas reflete a deforma√ß√£o do processo de escolha em todos os pa√≠ses que sustentam como dogma do regime democr√°tico a manifesta√ß√£o das urnas num ambiente plural.
 
Ver essa com√©dia talvez ajude a perceber melhor a trag√©dia em que vivemos, merc√™ de carreiristas sem escr√ļpulos, cuja a√ß√£o delet√©ria inviabiliza governos paridos na alcova da esperan√ßa. Talvez mostre toda a √≠ndole lombrosiana da maioria desses que compram elei√ß√Ķes a peso de ouro, oferecendo ingredientes para a despolitiza√ß√£o, a aliena√ß√£o e o desinteresse da sociedade diante de cada pugna.
 
Explica por que interesses contr√°rios se somam na hora de rifar quem n√£o reza exatamente pela cartilha da cumplicidade e age como um estorvo na √Ęnsia da malandragem despudorada que tem as cartas na m√£o. Malandragem que, nestes tempos bicudos, atrela-se √†s benesses do poder com unhas e dentes, cada qual puxando mais brasa para a sua sardinha.
 
Dois artigos no mesmo dia e no mesmo jornal s√£o sintom√°ticos
 
 

Os próximos dias são misteriosos. Os pregoeiros do retrocesso estão apostando suas fichas no sucesso dos netos - do Tancredo e do Arraes - como elementos de alto teor corrosivo. E confiam numa implosão que converta Dilma em partículas perdidas no espaço, como escreveu José Casado em O GLOBO de hoje:
 
"A novidade na pra√ßa √© o vis√≠vel isolamento da presidente em plena campanha de reelei√ß√£o. E o mais ins√≥lito √© o fato de que a desconstru√ß√£o da candidata do PT come√ßou no pr√≥prio partido ‚ÄĒ dentro da ala majorit√°ria petista que emerge dessa empreitada unida ao conservadorismo religioso e ao empresariado devoto do capitalismo de la√ßos com os cofres p√ļblicos".
 
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Na p√°gina ao lado da mesma edi√ß√£o, maior √© a euforia de Marco Ant√īnio Vila num artigo triunfalista sob o t√≠tulo Adeus, PT, saudado com um "am√©m" pelo ultra-direitista Rodrigo Constantino no site da revista VEJA:
 
"A derrota na elei√ß√£o presidencial n√£o s√≥ vai implodir o bloco pol√≠tico criado no in√≠cio de 2006, como poder√° tamb√©m levar a um racha no PT. Afinal, o papel de Lula como guia genial sempre esteve ligado √†s vit√≥rias eleitorais e ao controle do aparelho de Estado. N√£o tendo nem um, nem outro, sua lideran√ßa vai ser questionada. As imposi√ß√Ķes de ‚Äúpostes‚ÄĚ, sempre aceitas obedientemente, ser√£o criticadas. Muitos dos preteridos ir√£o se manifestar, assim como ser√£o recordadas as desastrosas alian√ßas regionais impostas contra a vontade das lideran√ßas locais. E o adeus ao PT tamb√©m poder√° ser o adeus a Lula".
 
Nenhum desses senhores escreve por diletantismo. √Č isso que tento fazer ver quem n√£o quer este pa√≠s de novo nas m√£os sujas do que h√° de pior e mais comprometido com as prosopop√©ias reacion√°rias.


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