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Porto Velho,  seg,   21/agosto/2017     
COLUNISTA: Gessi Taborda

Hoje é a minha vez de filosofar

22/8/2011 18:54:01
taborda@enter-net.com.br
 
  
HOJE É A MINHA VEZ

Já que o governador Confúcio Moura anunciou, em seu blog, a decisão de parar de filosofar e buscar mais ação prática com vista a resultados efetivos na administração, aproveito esse dia de domingo para filosofar um pouquinho. Afinal, o colunista também tem direito a esses prazeres lúdicos do pensamento.

Agora, na fila dos pré-aposentados, já sexagenário, servidor público de carreira da Assembléia, com uma experiência comprovada no jornalismo político (especialmente em análises de cenários) e estou, mesmo assim, sem conseguir lotação funcional, graças à birra de quem sempre foi tratado como amigo e agora, no auge do Poder cismou de me olhar de rabo de olhos.

Sem um referencial para compreender a motivação de tanta raiva, comecei a me quedar e a ficar com medo de mim mesmo, imaginando os efeitos da exclusão como algo que poderia me colocar no topo da lista dos inimigos, impondo-me a viver momentos de neurose de quem perdeu toda ajuda daqueles que por tanto tempo ajudou e serviu.

Aliás, na minha vida sempre foi assim: primeiro os outros, família, amigos, patrões, colegas e, quando sobrava um tempinho, cuidava de mim. Talvez por isso chego à chamada idade provecta sem ter tido o prêmio daqueles que ganharam cargos, sinecuras, mordomias, altos proventos. Também, porque deveria ser eu o premiado com dois cargos de Secretário de Estado se fiquei, ao longo dos anos, bancando o salvador das conveniências de políticos que me faziam acreditar no seu caráter, enquanto pessoalmente me colocava no segundo plano.


MUDANDO DE CONDUTA

Agora com mais de 60, eis me aqui de novo prometendo mudar minha conduta. É certo que muitas pessoas me exploraram. Mas na maioria das vezes eu é que bancava o ingênuo e fazia o jogo delas. Fui por assim dizer responsável por muitos episódios marcantes da política, na minha terra e em Rondônia. Lancei na vida pública nomes como o de Oscar Andrade e até o do Chagas Neto. Esse são apenas dois exemplos. Muitas das pessoas pelas quais me sacrifiquei, respondendo até processos por defender suas teses e seus discursos (caso de um antigo vereador de nome Valter) lá na frente acabou me tratando como inimigo.

Agora resolvi espanar os fantasmas, mudar a conduta, por descobrir o óbvio: minha vida é uma só e depois vem o nada. Não foi assim com o Paulo Queiroz, tão festejado, tão prestigiado (com empregos em importantes instituições); não foi assim com o Sérgio Valente que também colecionava empregos bem remunerados, viajou o mundo e hoje sequer é lembrado no seu próprio meio?

As pessoas (sempre há as exceções) são assim mesmo. Não costumam agradecer o bem que recebe. São viciadas em fazer do mundo ao seu redor uma droga. Esquecem-se facilmente do início da caminhada.


UM CARA NOVO

O colunista está decidido a avançar na idade se renovando. O que espera esse camarada novo? Nada, quase nada. Só quero espaço para rir e chorar. Espaço só meu, onde eu possa respirar, sem correr atrás da loucura dos outros, só para ouvir deles que sou bonzinho, que sou inteligente, enquanto eles podem me usar.

Eu não sou nada disso. Não quero mais alimentar o jogo dessas pessoas. Perdi muito tempo da minha vida ajudando a loucura dessas pessoas pelo Poder. Não pretendo mais estar ao lado desses loucos pelo mando e pela riqueza, que vão praticando sua maldade especialmente contra aqueles que deixaram de viver a sua vida para se dedicar, de coração, a eles.

Na verdade eu me achava esperto, mas nunca pude imaginar em que se transformariam algumas das pessoas com quem caminhei escrevendo, falando, opinando e defendendo. São déspotas, outros viraram tiranos.

Não quero mais saber de gente que vive vomitando leis e regras. Vou fazer as minhas. E, se der tudo errado, fui eu que escolhi. Não quero saber de choro, ranger de dentes e chantagens. Agora é comigo. Ou vai ou racha.

Não vou ficar mais decepcionado com aqueles que chegaram ao topo, com minha ajuda, e se tornaram um poço de frieza e de maldade.

Descobri meio tardiamente: São todos uns psicopatas amadores. E eu caía no jogo como se fosse um deles. Não caio mais. Não quero ser o cara de mil e uma utilidades, feito bombril. Vão me chamar de insensível e bruto, mas sei que não sou. E não preciso provar isso a ninguém. Até Vinicius de Moraes foi covardemente perseguido por políticos desse caráter, mesmo com toda a sua genialidade.

Escrevi um livro e não sou membro de nenhuma academia presidida por nulidade. Não quero perder mais tempo com aqueles que têm certeza de tudo até encontrar pela frente uma “Operação Dominó” e descobrir sua vida destroçada por um tsunami. Estão ansioso por coisas boas, por um espaço onde possa respirar sem sobressaltos, onde possa rir e chorar sem o ataque dos fariseus doidos.
Estou aprendendo que a insônia contribui para a gente assistir o nascimento do sol. Estou cada vez mais convicto de que o Todo Poderoso continua sendo a única fonte de alívio e o único propiciador a proteção de que preciso. E assim, bom domingo a todos. Pra semana, se Deus permitir, voltaremos sem filosofar ou filosofando menos.


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