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Porto Velho,  seg,   21/agosto/2017     
COLUNISTA: Paulo Xisto

Falando com o consumidor

16/11/2003
xisto@enter-net.com.br
 
  
Técnicas e ética de jornalismo
investigativo na Internet
são debatidas em Porto Velho
no ciclo de palestras da ACV

O Ciclo de Palestras sobre os Direitos do Consumidor na Internet que a Associação Cidade Verde (ACV) está promovendo em diversas instituições de ensino superior de Porto Velho transformou-se, quinta-feira à noite (13), no auditório da Uniron, numa aula sobre técnicas e ética de jornalismo investigativo na Internet e estratégia para garantir a segurança da informação na rede mundial de computadores.
A ACV é uma organização comunitária não governamental de Porto Velho presidida por Paulo Xisto. A conferência na Uniron foi feita pelo editor da revista eletrônica “Infoguerra”, de Curitiba, jornalista Giordani Rodrigues. A revista é considerada referência nacional para consultoria sobre segurança e privacidade na Internet,
O conferencista alertou principalmente aos estudantes e profissionais de jornalismo que lotavam o auditório da Uniron para que redobrem, na Internet, os cuidados que são obrigados a tomar no exercício da profissão na mídia tradicional.
Giordani Rodrigues disse que é possível fazer boas reportagens utilizando o computador e a Internet ressaltando porém de todos os avanços tecnológicos, é necessária a presença física dos jornalistas para a cobertura de áreas como a da Política e de Cidades (assuntos urbanos).
O palestrante destacou também que os requisitos para o exercício do jornalismo na Internet são os mesmos exigidos na mídia tradicional: ética, apuração correta das informações e checagem das informações.
“Em relação à ética, falou o editor da ‘Infoguerra’, já recebi informações de crackers (a denominação correta para os programadores de computador que usam a Internet para cometer delitos e é incorreto chamá-los de hackers) que se vangloriam de ter roubado arquivos de grandes empresas e, vangloriando-se de suas façanhas, divulgam esses arquivos pelo mundo. Eu, pessoalmente, olho mas não vejo e não uso essas informações.”
Quanto à apuração correta das informações, Giovani disse que os jornalistas da Internet devem estar sendo atentos para evitarem ser usados pelos scripts kids, garotos de em média 14 a 16 anos que constituem a maioria dos crackers.
“Os scripts kids adoram aparecer na mídia, gostam de invadir sites e de avisar a imprensa sobre suas proezas. Mas também mentem para ressaltar as façanhas.”
A checagem das informações que circulam na rede mundial de computadores, outro requisito profissional destacado por Giovani para o jornalismo na Internet, deve ser portanto muito mais cuidadosa para que o jornalista não seja induzido a cometer crimes ou a se desmoralizar com a divulgação de boatos ou barrigas (notícia falsa, no jargão da imprensa.)
Ele deu como exemplo de barriga a informação colhida na Internet por uma colunista do jornal “O Estado de S. Paulo” mostrando, em livros de ensino de geografia nos Estados Unidos, o mapa da Amazônia como região internacional separada do Brasil.
Era uma falsa informação, um boato, mas a “notícia” divulgada pela colunista circulou no Brasil todo e foi reproduzida como verdade até mesmo por alguns políticos, jornalistas e intelectuais de Rondônia. Esse boato causou até mesmo problemas diplomáticos entre o Brasil e os Estados Unidos.
Houve investigação nos dois países. A colunista defendeu-se alegando que havia colhido a informação no site de uma respeitada personalidade norte-americana.
Verificou-se que o site da pesquisadora havia sido forjado por um cracker. O jornal “O Estado de S. Paulo” teve que se retratar. A colunista foi obrigada a fazer um desmentido público.
“Falsificar informações pela Internet é fácil; mas se é fácil forjar, é igualmente fácil descobrir a fraude” - acrescentou o conferencista, ensinando que uma das formas de o jornalista da Internet - ou qualquer pessoa - identificar uma informação suspeita é a de ficar atento ao “truque da arroba” - o sinal gráfico (@) usado nos e-mail.
O “truque da arroba” consiste em usar num e-mail os caracteres de um site verdadeiro antes da arroba e do nome do provedor. Por exemplo: www nome do site @provedor.com. Os primeiros caracteres são iguais mas não se referem verdadeiro site e passam a constituir os caracteres do e-mail de um outro remetente. Mas iludem quem não estiver atento, sugerindo que a mensagem é de um remetente idôneo.
Giordani Rodrigues disse também que as prerrogativas para o jornalismo investigativo na Internet são igualmente as exigidas pela mídia tradicional: faro (sensibilidade para identificar fatos de interesse geral), persistência e paciência no trabalho às vezes demorado de se obter uma informação correta e espírito analítico para manter equilíbrio emocional e evitar o sensacionalismo sobre fatos que em si são irrelevantes.
Como exemplo de fatos sem importância que podem ser transformados em notícia sensacionalista, Giordani apontou a notícia de que um novo vírus destruidor de computadores foi desenvolvida num determinado país. “Checando-se a informação, poderá se descobrir que o vírus só atacou algumas máquinas e não é provável que chegue ao Brasil não se justificando grande alarme sobre o fato.”
Já na fase dos debates que se seguiram à conferência, Giordani Rodrigues reiterou que a Internet “é um meio confiável de informação”. “É preciso porém ter cuidado onde colocar dados pessoais e sobre a origem das informações.”
Ele concluiu que “só há uma forma de evitar golpes pela Internet”: “Educando o usuário final que é sempre a vítima dos golpes”. “Hoje em dia é obrigatório seguir certos procedimentos antes e durante a navegação pela Internet. Os mais elementares são a atualização do windows para proteger o computador da totalidade dos vírus de ação automática; a identificação do endereço de sites anônimos através da pesquisa de IP e a instalação de programa anti-spam para impedir a entrada de mensagens indesejáveis.”
Todos esses serviços são gratuítos, estão disponíveis na Internet e a revista “Infoguerra” - disse Giovani Rodrigues - está à disposição dos interessados em maiores informações através do site www.infoguerra.com.br
O Ciclo de Palestras sobre os Direitos do Consumidor na Internet começou na segunda-feira (10) na Ulbra, prosseguiu na terça (11) na Faro, quarta (12) na Fatec, quinta (14) na Uniron e encerrou-se ontem (13) na São Lucas com os temas propaganda enganosa na Internet e E-Comerce.

Final
Jornalista responsável: Nelson Townes, MTb 327/AM.


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