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Porto Velho,  sex,   24/janeiro/2020     
reportagem

Limpeza na Câmara municipal. Nem o presidente escapou

14/10/2004 08:46:26
Por Aldrin Willy
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A primeira urna apurada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) já anunciava: político distante da população não engana mais o povo – ou engana menos. Os atuais vereadores não tiveram perdão. Dos 18 que disputaram a reeleição, apenas 7 vão continuar na Câmara. Pedrinho, o chefe dos cornos de Rondônia, acha que ainda foi muito: “Tinha de voltar menos vereadores”. 


 

A partir de janeiro do próximo ano, a Câmara municipal de Porto Velho terá, a princípio, duas novidades. A primeira será o reduzido número de vereadores que, conforme resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), passara de 21 para 16 cadeiras. A segunda novidade está na composição da Câmara em 2005: o quadro de vereadores foi renovado em mais de 50%.

O povo está farto de político matreiro. O eleitor não atura mais o político que, na época do pleito, come à sua mesa e lhe dá tapinhas nas costas e depois, terminadas as eleições, esquece-o e esconde-se em seu gabinete, geralmente atrás de uma turba de puxa-sacos e parasitas. O resultado eleitoral recente comprova isso.

TODOS TENTARAM

Dos vereadores em exercício na Câmara, todos tentaram a reeleição, exceto três deles: Ribamar Araújo, Ruth Morimoto e Guilherme Erse.

Ribamar decidiu concorrer à Prefeitura pelo Prona, com Edgar Azevedo como vice. Acabou ficando num heróico penúltimo lugar com mais de 14 mil votos – muito para quem teve a campanha mais humilde, em termos financeiros.

A vereadora Ruth Morimoto disputa a Prefeitura neste segundo turno, como a vice de Mauro Nazif. Ao contrário do que alardeou durante toda campanha – mostrando pesquisas agora desmascaradas –, Nazif perdeu no primeiro turno, ficando atrás do candidato petista Roberto Sobrinho.

O vereador Guilherme Erse não disputou a reeleição devido a problemas com seu partido, o PL (Partido Liberal). No dia da convenção que definiu os candidatos, Guilherme foi vetado pelo presidente regional do partido, Paulo Moraes, atual mandatário da Secretaria de Segurança do Estado e marido da vereadora reeleita Sandra Moraes.

DESAPROVAÇÃO

A população não aceitou manter a Câmara como está. Optou por renovar drasticamente seus representantes no Legislativo Municipal.

Políticos tradicionais como Rubão, Gina, Chico Caçula e o próprio presidente da Câmara, Silvio Gualberto, foram cortados pelo voto popular.

Além destes, os vereadores que não estarão na Câmara – caso ninguém morra ou se ausente – a partir de 2005 são: Emerson Castro, Mário Jorge, Rubinho Luz, Maria Antonieta, Aparecido Alves (Cido), Ruy Peixoto, Affonso Brazil, Ribamar Araújo (candidato derrotado a prefeito), Ruth Morimoto (candidata a vice-prefeita) e Guilherme Erse (que não foi candidato).

Pedro Soares, o Pedrinho, presidente da ASCRON (Associação dos Cornos de Rondônia), conhece bem o ambiente da Casa de Leis do município. Divide seu tempo entre os afazeres de presidente da associação e sua lanchonete instalada dentro da Câmara.

Para ele, um dos motivos que levaram o povo a mudar a composição da Câmara é que “aqui sempre teve muito enganador”. “Entre os piores tinha o Cido e o Rubão”, diz.

Um erro dos atuais edis, ainda segundo Pedrinho, foi o fato de que “durante esta gestão os vereadores não viram os servidores [da Câmara] como alguém que tem voto”.

— Veja o caso da Gina [vereadora Gentileza de Brito] que era servidora e mesmo assim não deu a mínima para o nosso plano [Plano de Carreira, Cargos e Salários]. Esses vereadores acham que os servidores da Casa só servem para trabalhar e nada mais.

NEM O PRESIDENTE

Embora tenha tido uma votação elevada (2088 votos), o atual presidente da Câmara Municipal, Silvio Gualberto, não conseguiu se eleger. Na coligação pela qual concorreu (PSB/PRTB), somente três candidatos conseguiram vencer: Kruger Darwich (o mais votado, com 3332 votos), Alan Queiroz e David Chiquilito Erse – filho do lendário prefeito de mesmo nome.

O milagroso coeficiente eleitoral (o quociente entre o número de votos válidos e a quantidade de vagas na Câmara) traz um pouco de justiça às eleições. Dividindo o número de votos válidos do partido (votos nominais e na legenda) por esse coeficiente chega-se ao número (coeficiente partidário) de vagas que o partido poderá ocupar na Casa Legislativa.

Com isso, candidatos com expressivas votações, às vezes, ficam de fora; e candidatos com menos votos conseguem vaga na Câmara. É o que aconteceu com Silvio Gualberto. Ele teve 565 votos a mais que os 1523 de Juarez Taques, candidato do PV (Partido Verde) que conseguiu cadeira na Casa.

Entretanto, o coeficiente partidário do PSB só permitiu lugar aos três mais votados do partido. Gualberto precisaria de mais 146 votos para superar David Chiquilito e permanecer na Câmara.

CIDO

Um caso ilustrativo é o do vereador Aparecido Alves, o Cido. Esse vereador entrou na Câmara nas eleições do ano 2000, prometendo melhorar as condições de vida da população dos bairros São Francisco, Mariana e JK, região de sua base eleitoral.

Durante a eleição passada para vereador, Cido vivia entre a comunidade da periferia. Visitava moradores em casa, batia papo com comerciantes locais e até acompanhava companheiros em bares na região.

Vencidas as eleições, o agora vereador Cido não visitava mais com a mesma freqüência a população da região que o elegeu. As promessas de melhorias nos bairros também não vingaram. As ruas continuam enlameadas, sem iluminação. A região ainda carece de opções culturais e de esportes aos jovens.

Nestas eleições, Cido precisou novamente do voto popular, das pessoas das quais pediu votos na eleição passada. Mesmo com uma “fundação” no bairro, o povo não esqueceu a traição de seu representante e o despejou da Câmara Municipal.

Aparecido Alves teve 1005 votos, ficou apenas com 52ª colocação e viu sua carreira política sucumbir ante seus pés.

NOVOS VEREADORES

A partir de 2005, a Câmara de Municipal será composta por 16 vereadores. Apenas sete dos atuais 21 edis permanecerão. São eles: Kruger Darwich (PSB), Flávio Lemos (PL), Alan Queiroz (PSB), Marinho Melo (PMDB), Zequinha Araújo (PSDB), Sandra Moraes (PL) e José Hermínio (PT).

Os novatos são: Paulo da Condor (PSDB), Valter Araújo (PP), Ramiro Negreiros (PMDB), Jair Ramires (PDT), David Chiquilito Erse (PSB), Ted Wilson (PFL), Wildes do Sintero (PT), Juarez Taques (PV) e Pitico Vilela (PTB).




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