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Porto Velho,  qua,   8/julho/2020     
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Patinetes assassinos

18/10/2004 08:46:10
Diorindo Lopes Júnior
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 Naquele tempo, os patinetes eram um brinquedo bastante barato. Podiam até ser fabricados em casa, bastava alguma madeira e duas rodinhas de rolimã. Eu podia ter um, meu pai era marceneiro, mas nunca vi muita graça naquela geringonça. Diversão de meninas.

Um dia, meu primo Jorge apareceu com um, novinho. Rodinhas e manoplas de borracha, até freio tinha. Parecia um pavão se exibindo nas manobras. Foi apostar corridas na outra calçada, fiquei debaixo da árvore na frente de minha casa. O sol estava perverso.

Não demorou muito para o calorão tornar a brincadeira de corrida uma insanidade. Colocaram algumas pedras na calçada e passaram a demonstrar habilidades fazendo “oitos” em torno delas. Se antes já havia brilhado nas corridas, na sombra meu primo Jorge revelou-se um exímio driblador de pedras.

Algumas meninas apareceram querendo saber como fazer algo parecido com seus patinetes. Nisso, também, meu primo Jorge revelou-se um instrutor bastante competente e até um tanto galanteador.

Eu precisava fazer alguma coisa. Com as franguinhas de minha rua, não. Embora eu não gostasse de nenhuma, ver meu primo Jorge folgando com elas exigiu-me uma atitude. Tomei-lhe o patinete.

Falou alguma coisa sobre eu quebrá-lo. Subi até a esquina, dei impulso e fui descendo, aumentando a velocidade. Esquivei-me de um buraco, escapei de uma árvore, safei-me de duas pedras, desviei de outra árvore e sairia inteiro não fosse Lídia abrir seu portão.

Pelos uivos afetados de meu primo Jorge, nem precisei me levantar para saber que havia destruído seu patinete assassino, seu brinquedinho de menina. Ainda bem que meu pai era marceneiro – embora eu precisasse mesmo era de um pai médico, para dar uns pontos na sangueira que escorria pela minha testa.

(*) Diorindo Lopes Júnior é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.atualeditora.com.br) e Cesta de 3 (www.aliseditora.com.br).


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