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Porto Velho,  ter,   27/outubro/2020     
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Não posso perder o Expresso 2222

21/10/2004 18:36:28
*Diorindo Lopes
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 Tenho ouvido, entre alguns amigos escritores, uma possível declaração do ministro da Cultura, Gilberto Gil, sugerindo uma redução nos direitos autorais dos escritores como forma de baratear o custo dos livros.

Digo “possível declaração” pois não li/vi/ouvi isso e quero crer como má interpretação de uma outra coisa que ele realmente falou. E também não posso deixar de pensar na importância do compositor Gilberto Gil em nossa cultura ou me esquecer de que, há semanas poucas, o ministro Gilberto Gil foi vítima de trapalhada da área de Comunicação do governo, que o deixou numa ‘saia-justa’ bastante incômoda.

Bem, o ministro não precisa de meus ‘panos quentes’ para se defender. Mas, como onde há fumaça sempre há fogo, não posso perder este Expresso 2222.

Não imagino quantos escritores existem no Brasil, mas sei que são pouquíssimos os que podem viver exclusivamente de direitos autorais sobre seu solitário ofício. Todo o resto precisa exercer uma outra atividade para deixar em dia os carnês quando o mês chega ao fim. Além de demorar em ser publicado, o livro só remunera os direitos autorais (10% do preço de venda) em meses espaçados. Três, quatro, às vezes seis. E sem qualquer correção.

A maioria dos escritores, é certo, adoraria dispor de todo o seu tempo para praticar Literatura, mas, honrosas e merecidas exceções, não é assim. Logo, reduzir o que já é muito pouco, parece-me bastante demais.

O que o(s) governo(s) deveria(m) fazer, quando da compra de algumas centenas ou milhares de exemplares, quando as editoras fazem generosos descontos, é remunerar o autor integralmente pelo preço de capa. Não resolveria a vida de ninguém, já que para um livro que custa R$ 20, a venda de mil exemplares daria módicos R$ 2.000 (10% x número de exemplares) de direitos autorais para o escritor, mas garantiria uma feira mais farta.

Devaneio, não era sobre dinheiro a minha intenção de falar neste espaço. E sim sobre o nenhum valor que se dá para o escrever, para o criar – falo de livros, mas vale para todas as outras criações intelectuais.

Lembrei-me agora de um sujeito, com quem eu negociava escrever um artigo para ele assinar, que espantou-se ao ouvir meu preço: Ficou louco?! Você faz isso numa cuspida! – na verdade, a excreção foi outra.

Uma cuspida, meu trabalho, para este sujeito, não passava de uma cuspida e com cuspe pensava me pagar. Acabou pagando o que pedi – e lhe saiu barato.

Acreditando que o ministro Gil tenha sido mal-interpretado, penso que o governo (de um povo que lê muito pouco) deveria chamar todas as partes envolvidas com o Objeto Livro e propor uma discussão ampla e objetiva. Assim, ouvindo atentamente todas as partes, estabelecer uma política realmente séria para estimular a Leitura e sua compreensão. Que fizesse, afinal, valer uma antiga frase, tão antiga que caiu em desuso: Um país se constrói com Homens e Livros.

(*) Diorindo Lopes Júnior é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio e Cesta de 3.


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