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Porto Velho,  qua,   22/janeiro/2020     
reportagem

Cresce o número de gravidez precoce e abortos na capital

15/11/2004 16:41:16
Por Janiele Viana
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É cada vez mais comum o registro de gravidez de meninas entre 10 e 14 anos na rede hospitalar do governo estadual. 



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O início das atividades sexuais está cada vez mais precoce e é uma preocupação mundial. A cada dia o número de adolescentes grávidas vem aumentando. Na maioria das vezes, o motivo da gravidez juvenil é o fator sócio-econômico e cultural.

Segundo informações da SESAU (Secretaria de Estado da Saúde), entre 2002 e 2003 foram registrados 146 partos de adolescentes de 10 a 14 anos, e 4013 partos de jovens entre 15 a 20 anos . Este ano, aumentou para 26,23% o índice de gravidez precoce. Nota-se que a maioria das adolescentes grávidas pertence à classe baixa, sem nenhuma formação cultural. Algumas delas seguem o exemplo dos pais, que também passaram pela mesma experiência.

Aliada a esses fatores, de acordo com alguns críticos, a mídia tem contribuído de forma significativa para o problema exibindo certos programas em horários impróprios, dando facilidade em adquirir revistas e vídeos voltados ao público adulto por parte das crianças e adolescentes, motivando assim a sexualidade precoce.

Todos os dias adolescentes têm colocado em risco a própria vida para se livrar de uma responsabilidade materna, em grande parte por não saberem quem é o pai ou por motivos econômicos, e acabam escolhendo a pior saída: a prática do aborto, outro fato, além da gravidez precoce, que vem crescendo na capital.

PASTOR LAMENTA

Imprensa Popular
procurou alguns religiosos para saber a opinião deles sobre o assunto. O pastor evangélico Assis, da Comunidade Novo Amanhecer, diz lamentar ver jovens e crianças exercendo tão cedo a vida sexual. Preocupado com isso, a igreja tem tocado bastante nesse assunto com os adolescentes e jovens da Comunidade.

Para ele, o que tem influenciado na sensualidade precoce tem sido a mídia com suas programações voltadas para o público jovem. Segundo o Pastor, existe nos programas muita troca de casais e as crianças se espelham nesse exemplo. O pastor diz também ser contra o aborto: “Quem dá a vida é Deus e quem pode tirar é Deus, a não ser no caso de anencefalia [fetos sem cérebro que em 100% dos casos morrem ainda no útero da mãe] fora isso não deve [acontecer] o aborto”.

Entrevistamos também o padre Antonio Fontenele, da Paróquia São Cristóvão. O padre diz ser contra o aborto por se tratar de um crime. “Não é matando que se resolve o problema”. Ele acrescenta que quando a mulher aborta traz sérias conseqüências no futuro. Como traumas e problemas psicológicos. Para Fontenele, o aborto só é aceito caso a gravidez ponha a vida da mãe em risco, fora dessa hipótese não é permitido o aborto.

Sabe-se que hoje em dia existe muita informação sobre o assunto. A Educação, juntamente com a Saúde, deveriam rever onde está ocorrendo a falha. Por que nossas crianças e adolescentes estão sendo mães tão cedo? Passando por experiências tão tristes como nos casos de aborto? Será que está faltando diálogo em casa? Muitas garotas até deixam de estudar para cuidar do bebê e acabam perdendo toda sua adolescência, passando a assumir responsabilidades para as quais não estão preparadas.

PÍLULA DA MORTE

Andréia é o nome fictício da uma adolescente real que abortou o filho indesejado.

Ela nunca imaginou que as transas com o namorado adolescente acabaria numa gravidez. Para sua desagradável surpresa, dois meses depois da primeira relação descobriu-se grávida. Entrou em desespero. Como poderia sustentar uma criança sem ao menos ter um emprego? – perguntava-se.

Sem avisar a família, com ajuda do namorado procurou no mercado negro a pílula Citrotek, conhecida como “a pílula da morte” (esse medicamento é proibido no Brasil).

Depois de tomar a droga, sentiu fortes dores e foi direto para o Hospital de Base, onde fez curetagem (procedimento para a retirada do feto) alegando ter perdido o filho num aborto espontâneo. Passou dois dias internada na ala da maternidade. A mãe ficou sabendo da situação da filha por terceiros um dia depois do aborto. Tratou a filha com desprezo, mas uma semana depois aceitou Andréia em casa novamente.

Andréia hoje tenta esquecer o passado, vivendo uma nova vida com sua família.

Legenda: Fotos superior: Pastor Assis; foto inferior: padre Fontenele.

Fotos: Aldrin Willy


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