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Porto Velho,  qua,   28/outubro/2020     
reportagem

Amazônia perde um Sergipe por mês para a devastação

15/11/2004 17:45:17
Por Imprensa Popular
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IBGE garante que até agora a deflorestação da Amazônia acumula 631 mil quilômetros quadrados. 


 “Anualmente, na floresta amazônica, desaparece a vegetação primária de cerca de 20 a 25 mil quilômetros quadrados, área equivalente à do Estado de Sergipe, seja por causa de incêndios ou queimadas", diz o coordenador de Indicadores Ambientais do IBGE, Judicael Clevelário, chamando atenção para o preço que vamos pagar em nome do desenvolvimento econômico, pois as queimadas estão geralmente relacionadas à expansão da atividade agropastoril registrada no País.

A situação mostra que o desenvolvimento sustentável passa ao largo das duas mais extensas florestas do País. Por causa do desmatamento, a maior reserva tropical úmida do mundo, na Amazônia, acumula 631 mil quilômetros quadrados de área bruta desflorestada, segundo dados de 2002 do IBGE.

Já destruímos, segundo os dados do IBGE, uma área comparável ao que era, originalmente, a Mata Atlântica, que tinha um pouco mais de um milhão de quilômetros quadrados. Hoje restam menos de 10% da floresta nativa, destruída ao longo dos anos.

PROCESSO ACELERADO

Segundo o IBGE, o processo foi acelerado nas últimas quatro décadas e é mais acentuado nas bordas sul e leste da Amazônia Legal, área chamada de Arco do Desflorestamento, onde a destruição de mata nativa é indiscriminada, seja por causa da extração predatória da madeira ou para renovar ou abrir pastos e áreas agrícolas. O prejuízo é tão grande que há formações vegetais já sob risco de desaparecimento, ameaçando a maior biodiversidade do planeta.

“Qual o tipo de ganho que vamos ter com esse tipo de aumento da produtividade na pecuária e na agricultura? Com a velocidade com que se desmata, a floresta vai ser destruída", alerta Clevelário.

A taxa de desflorestamento bruto acumulado na Amazônia Legal, que abrange nove estados, considera o desmatamento de florestas primárias, ou seja, nativa, e também as secundárias, resultado da recomposição natural de uma área antes destruída. O Pará registra a maior área atingida entre 1992 e 2002: 215 mil quilômetros quadrados.

Foi calculada também a taxa estimada de desmatamento, que é a razão, em percentual, entre a área desflorestada anualmente e a área florestal remanescente. Em 2000/2001, ficou em 0,52%, número que ra de 0,38% em 1991/1992.

A Mata Atlântica perdeu mais de quatro mil quilômetros quadrados de área no período entre 1995 e 2000, ou seja, 2,45% da área total - cinco vezes maior do que a proporção de área desflorestada de restinga e quase 20 vezes mais do que a registrada em manguezais.

QUEIMADAS

A pesquisa do IBGE mostra que a quantidade de focos de calor mais do que dobrou entre 1998 e o ano passado, subindo de 107.007 para 212.989, embora, durante o período, tenha sido usado metodologias diferentes. O problema ocorre, principalmente, durante a estação seca, ou seja, de maio a setembro.

Considerando o dado por região, o maior aumento absoluto foi registrado no Nordeste, onde houve um crescimento de quase 48 mil focos no período analisado. Proporcionalmente, o Sul lidera, com uma diferença de 277%. Judicael observa que o País tem um ótimo monitoramento dos focos de calor, identificando rapidamente a presença do fogo, "mas um controle do problema que não acompanha o mesmo ritmo".

ESPÉCIES EM EXTINÇÃO

A fauna nacional está ameaçada diante de políticas de desenvolvimento sustentável e do comércio ilegal de animais, especialmente na Amazônia. No Brasil a retirada descontrolada de espécies do meio ambiente para a exportação. A quantidade de peixes ornamentais comercializados regularmente para o exterior, por exemplo, caiu drasticamente, passando de mais de 26 milhões para 795 mil toneladas, entre 1996 e o ano passado. Redução que o IBGE acredita ser um forte sinal da extinção de espécies.

Embora reconheça que o número de criadouros de animais silvestres no País cresceu muito nos últimos anos, os pesquisadores observam que a maioria dos peixes ornamentais e répteis exportados legalmente para o exterior é extraída de seu ambiente natural. Tartarugas, jabutis e serpentes estão entre os mais procurados.

Tartarugas e jabutis interessam pela carne exótica, enquanto as serpentes atraem a atenção de colecionadores também por causa do seu veneno. A cotação internacional do produto fica entre US$ 400 e US$ 30 mil por grama.

Para Dener Giovanini, coordenador da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), que forneceu dados para o IBGE, a situação "é alarmante". O número de animais apreendidos no Brasil é insignificante diante da quantidade capturada ilegalmente na natureza. Existem diversas razões para isso, a principal é que a fiscalização é deficiente, não tem recursos humanos e nem materiais para atuar. Também há o problema da falta de locais para abrigar animais apreendidos.

Para o IBGE, "há uma carência generalizada de informações quantitativas" sobre o tráfico de animais silvestres no Brasil, dificultando a avaliação do problema. Os dados anuais mais recentes trazidos pela pesquisa mostram que foram apreendidos quase 262 mil animais silvestres no período entre 1992 e 2000.


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