Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  qua,   28/outubro/2020     
reportagem

Aqui o abandono começa pelo centro. Em seis anos, Camurça não cuidou nem das praças mais importantes

15/11/2004 18:00:55
Por Imprensa Popular
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



Vítima do descaso dos seis anos da administração municipal, o centro da cidade de Porto Velho expõe todo um processo de deterioração, de abandono. Nossas principais praças estão destruídas, convertendo-se num cenário humilhante para nossas aspirações de cidade moderna e civilizada. 



Clique para ampliar
Tanto a praça Marechal Rondon quanto a Jonathas Pedrosa, ambas no centro, perto da agência central dos Correios, expressam hoje o ambiente inóspito de uma cidade onde o prefeito municipal pouco ou nenhum interesse demonstrou, em seis anos de gestão, em dotar a cidade de espaços destinados a facilitar a vivência comunitária e o melhor sentimento urbano.

É claro que nem sempre foi assim. Até o princípio dos anos 80 as praças centrais de Porto Velho estavam no cotidiano das pessoas, não só como área de circulação, o ir e vir, mas como um lugar de encontros: amigos, parentes, jovens fazendo o footing, participavam deste movimento e sentimento urbano.

A Jonathas Pedrosa, por exemplo, constituía um espaço do acaso, das situações imprevisíveis, principalmente ao entardecer, quando idosos sentavam em seus bancos para trocar idéias, quando jovens paravam num quiosque e tomavam sorvete ou partiam para os lances do footing saudável.

Função semelhante tinha a Marechal Rondon, com suas linhas bem cuidadas, bastante arborização. Pode-se dizer que ali – isso ainda nos tempos em que o governador de Rondônia era o cel. Jorge Teixeira – as pessoas colocavam-se à disposição do estranho, do desconhecido, que naquela altura não representava perigo, mas expectativas. Ali se trocavam idéias e informações. Ali se cultuava a amizade.

DOMINGO ALEGRE

A grande deterioração de nossas praças centrais verificou-se quando Porto Velho teve como prefeito Tomas Correia. Tanto a Jonathas Pedrosa como a Marechal Rondon perderam o que tinham de ajardinamento, de passeio público, de bancos e até mesmo boa parte de sua arborização. O processo de abandono, de falta de zelo durou muito tempo. Na Jonathas Pedrosa, a título de salvá-la, criou-se um projeto de revitalização coordenado pelo então presidente da Facer, Ecir Rezende. Muita gente e muitas empresas doaram recursos que, como capítulo de novela ruim, ninguém soube e ninguém viu. A verdade é que a emenda ficou pior do que o soneto, a ponto de mudarem o nome daquele logradouro para “Praça da Bíblia”, idéia de um vereador da época, Waldemar Marinho. Ainda bem que o nome não pegou.

Na praça Marechal Rondon o esforço de recuperação veio mais tarde, quando Chiquilito era prefeito. Ele não chegou a realizar uma reforma urbana em Porto Velho mas, é preciso reconhecer, implementou um trabalho renovador naquele logradouro e a Marechal Rondon tornou-se realmente um cartão de visitas da cidade, inclusive com uma fonte luminosa que encantava todos. Chiquilito não fez uma revitalização do centro de Porto Velho mas ao dar vida àquela praça fez dela um lugar do povo. Ali passou a se fazer, praticamente todos os domingos, eventos culturais e artísticos que atraia pessoas de todas as classes sociais.

DONOS DA PRAÇA


A praça Marechal Rondon perdeu cobertura vegetal, arborização, a água do lago artificial, a cascata luminosa feita por Chiquilito Erse, a maior parte dos bancos e seus costumeiros visitantes. Hoje o que existem são ambulantes, marreteiros e camelôs que fizeram do espaço público uma área de trabalho, um espaço para o comércio informal. Até uma barraca de venda de confecção funciona ali, disputando espaço com as pessoas que esperam condução nos pontos de ônibus.

Há também aqueles que fazem da praça o seu lar. Jovens que se drogam e pessoas que vivem da mendicância. Eles ficam ali durante todo o dia e à noite procuram uma calçada, onde haja marquise para dormir no chão forrado de papelão. Na verdade não agem como grupo, como nas grandes cidades do país. Vivem de forma individual, circulam pela área como “olheiros” de carros, ganhando algumas moedas daqueles motoristas que temem ter seus veículos riscados caso não “descole algum”.

Na praça Jonathas Pedrosa a situação de abandono não é muito diferente. Mas ali é mais visível o domínio do individual sobre o coletivo. As barracas dos marreteiros se converteram numa barreira aos transeuntes, deixando apenas algumas trilhas livres. Ruas e calçadas do entorno da praça estão sob o controle privatizado do comércio informal. É um típico mercado persa. O problema é que esse quadro se mantém não porque gera contrapartidas sociais, mas sim pela irresponsabilidade da administração municipal.

Do jeito que estão as praças centrais de Porto Velho cada dia caminham mais celeremente para se transformar em palco das bizarras tentativas de sobrevivência de personagens que não fazem plano de vida, vivem hoje e de pequenos expedientes que, amanhã, podem ser uma carteira, uma bolsa ou qualquer outro objeto de um pedestre desavisado.

Foto: Aldrin Willy


Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: