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Porto Velho,  ter,   25/fevereiro/2020     
reportagem

Festas: alegria e dor-de-cabeça para acadêmicos

15/11/2004 18:07:03
Por Aldrin Willy
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Alegria de acadêmicos e fonte de renda para seus organizadores, as festas, bailes e arrasta-pés em geral disputam com o professor a atenção dos alunos. Realizadas sempre em finais de semana e, às vezes, mesmo em dias de aula – às quartas, quintas ou sextas –, elas provocam o dilema do meio universitário: assistir à aula ou ir à festa? Quem decidiu pela segunda opção reclama que as conseqüências se refletem, mais tarde, nas notas. 


 Sexta-feira, 19h. Como de hábito, o professor chega antes dos alunos e, sozinho, tem de esperá-los na sala de aula. O passar dos minutos não traz consigo o tanto de estudantes que esperaria. Uma hora se passa.

Depois de contar os poucos alunos presentes e conferir as horas, o mestre já sabe que quem ainda não chegou, não chega mais. E a razão é óbvia: na batalha pela atenção do universitário, o professor está do lado mais fraco; enquanto ele conta apenas com livros, quadros-negros, seu “charme” pessoal e o esperável interesse do acadêmico pela disciplina, os concorrentes – bailes, festas, shows, encontros festivos em geral – dispõem de bebidas, músicas (rock, sertanejo, samba, forró, funk) em alto volume, comida e um ambiente tal onde a paquera e a volúpia acontecem sem controle.

A historinha acima ilustra algo cada vez mais comum nas faculdades de Porto Velho. O número de festas realizadas semanalmente na Capital é relativamente elevado. Em média, são de 5 a 6 eventos. No fim, a festança é uma tentação a mais para o estudante que – ainda que tente conciliar diversão e estudo – pode acabar comprometendo seu desempenho na faculdade.



PRIORIDADES

Tudo, na verdade, é uma questão de definir prioridades, explica a professora Dra. Jacinta Castelo Branco, uma das coordenadoras do Programa de Iniciação Científica da UNIR (Universidade Federal de Rondônia) e professora da FARO (Faculdade de Ciências Exatas, Letras e Humanas de Rondônia).

— Os alunos devem fazer com que a sua agenda tenha espaço para as festas, mas tenha também espaço para o estudo. [...] Se as pessoas não conseguem saber que há uma festa na cidade sem fazer parte dela, é porque então o estudo não é uma prioridade.

Diversão, entretanto, é necessário, diz a professora. Segundo ela, “você não pode artificialmente fazer com que as pessoas estudem não proporcionando espaço para o lazer da população”. Portanto, completa Jacinta, “cada um tem que organizar sua agenda e resistir às tentações, porque elas sempre vão acontecer”.

Não só festas compõem as tentações. “Vídeos que estão aí para serem alugados, o álcool que está aí na esquina... aluno que não quer estudar sempre tem uma desculpa”, termina a mestra.



ESPÍRITO FESTIVO

O Dr. José Dettoni, ex-reitor da Unir e atual diretor-acadêmico da Faculdade São Lucas, diz que o que pode atrapalhar o acadêmico é uma inclinação natural do brasileiro à festividade.

“Quando bem administrado podem não prejudicar. Mas muitas vezes as pessoas estão habituadas a tender muito para o lado festivo, então, às vezes, não levam muito a sério o dia letivo que está entre feriados [entre festas].”

No entanto, não se deve menosprezar o espírito festivo, declara Dettoni. “Por outro lado, a festa e o espírito de festa não devem ser desprezados. É sempre importante que as pessoas tenham o espírito de festa. Isso não significa o espírito de desvio da seriedade, mas um espírito mais leve”.

De acordo com o professor José Dettoni, “as instituições acadêmicas têm também a obrigação de ajudar os estudantes a entenderem que a vida não é só trabalho, que a vida não é só dureza, que o espírito festivo faz parte até do próprio estudo. [...] Então acho que as festas são importantes”.

Mas, conforme o próprio Dettoni confessa, “a tendência é de que muita festa, principalmente no meio dos dias letivos, elas tendem a perturbar o estudo”.

“Matar aula quando há uma festa muito próxima, [...] com sabor de muita novidade” é algo que faz parte da natureza dos acadêmicos e ocorre em toda parte, do monte Caburaí (extremo norte do Brasil) ao Chuí (RS). Além do mais, “isso não é de hoje não e não vai mudar facilmente”, conclui José Dettoni.



PREJUDICA, MAS NÃO DEIXA DE IR

A estudante de Biomedicina Carla de Souza (2° período) não esconde o mal que lhe causam as noitadas “Às vezes, você fica tão empolgada com a festa, vai e acaba deixando de estudar pra alguma prova, apresentação de trabalho”, reconhece. Em um mês, Carla revela que participou de umas 4 festas.

“Indo a estas festas você se atrapalhou de alguma forma na aula?” Carla responde de pronto, com ar alegre, à pergunta do repórter: “Me atrapalhou sim. Porque na segunda-feira eu tava cansada pra assistir à aula e tinha trabalho pra apresentar, eu tava nervosa, me atrapalhou sim”.

Apesar das festas terem lhe prejudicado no estudo, Carla revela sem hesitar que: “Dependendo da festa eu não deixo de ir não!”

Janaína Fontenele, acadêmica de Jornalismo (3° período), é categórica: “O aluno, saindo em dia de semana, não vem disposto pra aula, não colabora com o professor”. Mesmo assim, complementa a futura jornalista, “depende de cada um”. Ela culpa as noitadas pelos problemas que teve na faculdade.

— Eu, por exemplo, não estou mais saindo na semana. [...] Eu acordava tarde, não estudava, não lia, no trabalho ficava cansada e à noite eu queria descontar nas aulas dormindo, faltando muitas aulas. [...] Que bom que tem bastantes festas na cidade, mais empregos. Mas é bom a deixar de lado, na semana, e só ir a festas no fim de semana.

Janaína diz que ultimamente tem preferido outros programas nos finais de semana. “Cinema, parque, mas a boate mesmo só fui 2 vezes no último mês”.

O estudante de Publicidade (2° período) Almir Paiva pensa ser a bebida a maior questão ao acadêmico quando opta por ir ou não a um arrasta-pé.

“Se o cara bebe demais, exagera um pouco, aí no outro dia o cara tá meio ‘ressaqueado’, não agüenta fazer nada. Agora se o cara sai e tal, só vai lanchar mesmo, toma um ‘refri’, chega em casa bacana, dorme tranqüilo e no outro dia tá inteirão”.

Almir é o campeão em número de festas por mês em nossa reportagem. Disse participar de umas “8 ou 9 festas” em média por mês.



ALIVIA AS TENSÕES

O acadêmico Luiz Felipe, de Fisioterapia (2° período), foi a 4 bailes no último mês e acha que as noitadas não atrapalham em nada, só ajudam. “O aluno se estressa tanto estudando pra uma prova que as festas à noite é até um meio do aluno se ‘desestressar’, de descontrair”. Perguntado sobre como está seu desempenho, ele confessa: “Não tá tão bem, mas tá mais ou menos, mas dá pra passar”.

Outro indelével defensor do grande número de festas é Breno Correia, também aluno de Fisioterapia (4° período).

Para ele, as noitadas “realmente não atrapalham porque tem que saber conciliar as festas com os estudos, [...] se você souber conciliar, tudo bem”. Breno deve ser um aluno especial, daqueles que todo professor gostaria de ter.

Ao contrário da estudante Carla de Souza – que teve problemas no curso por causa das festas –, Breno Correia revela que, de um mês para cá, participou “de todas que pude ir – umas 6 ou 7” e vem conseguindo conciliar diversão e estudo. Este último, segundo ele, “tá dando de levar”.



PREGUIÇA É O PROBLEMA

Os acadêmicos de Fisioterapia da Faculdade São Lucas são, provavelmente, mais animados que os colegas de outros cursos, pois – como aferido – adoram uma festinha sempre que podem. Raríssimas são as exceções.

Outra acadêmica do curso, também do 4° período, que não vê maiores problemas na grande incidência de festas para o estudante é Ivanilde Pereira. Ela diz: “Depende do aluno. Se ele vai para se divertir ou pra baderna; se vai [ter de] chegar de manhã cedo. Mas até um certo horário, não [atrapalha no desempenho escolar]”.

Ivanilde, entretanto, confessa não ser muito dada às festanças tão celebradas por seus colegas. “Fico só em casa mesmo, dormindo e estudando”. O que, segundo ela pode atrapalhar os colegas é a “preguiça mesmo de estudar”.


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