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entrevista

Deputados não cassam ninguém, garantiu Chico Paraíba

16/12/2004 13:48:49
Por Imprensa Popula
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Para o parlamentar do PMDB, as ameaças de uma eventual cassação do governador não passam de barulho provocado pelos deputados insatisfeitos com a liberação das emendas orçamentárias. 


 Ao longo de sua existência a Assembléia Legislativa enfrentou momentos de turbulência no relacionamento com quase todos os governadores. Até mesmo com Ângelo Angelin, o primeiro governador civil, que tinha sido antes deputado estadual as relações foram tensas. Na época a Assembléia era presidida por Amizael Gomes da Silva e as tensões foram superadas pela diplomacia e pelo diálogo político. Angelin foi atingido por uma saraivada de críticas mas não sofreu, em nenhum momento, uma ameaça de cassação ou afastamento. E ele chegou ao governo sem depender de votos. Foi nomeado por uma articulação política em que Jerônimo Garcia de Santana, Olavo Pires e Chiquilito Erse, apareciam como principais avalistas de seu nome.

O PRIMEIRO

Jerônimo Garcia de Santana, alcunhado de “Bengala”, foi o primeiro governador rondoniense escolhido pelo voto popular. Ele tinha a tradição de longos anos como deputado federal e líder da Oposição em Rondônia mas nem por isso conseguiu manter uma relação de tranquilidade com a Assembléia Legislativa durante todo o tempo de seu mandato. Foi o primeiro governador que correu o risco oficial de uma cassação. Experiente nas marchas e contramarchas política no terreno do parlamento, Jerônimo não aliviou seus comentários mordazes sobre os deputados e acabou cunhando uma expressão que foi repetida em todo o estado: “A Assembléia é só uma gaiola de ouro”.

Mas de todos os governadores do estado de Rondônia nenhum manteve um relacionamento tão desgastado, e por tanto tempo, do que o atual governador, Ivo Cassol. Sem uma base parlamentar e sem um articulador político capaz de funcionar como uma ponte entre o Executivo e o Legislativo, o governador chega ao final de mais um ano de seu mandato com um relacionamento quase beligerante com os deputados.

Neste final de ano vários parlamentares chegaram a pronunciar a palavra “cassação” em várias oportunidades, especialmente nas coxias do Poder Legislativo.

SEM PERIGO

O deputado Chico Paraíba faz parte do alto-clero do legislativo rondoniense. Como político do PMDB já foi prefeito (de Presidente Médici) e está agora no segundo mandado de deputado estadual. Ele é um dos críticos do governador. Todavia prefere manter suas críticas “no nível político, sem nada de pessoal, sem nenhum ogeriza” ao chefe do Poder Executivo.

Para ele as especulações sobre uma eventual cassação política do governador “não passam mesmo disso: especulações, rumores sem maiores consequências”. De forma taxativa, ao ser ouvido por Imprensa Popular, Chico tascou: “Isso é só barulho. Aqui ninguém cassa ninguém!”.

MOTIVOS

Para o deputado do PMDB “os choques no relacionamento entre o Executivo e o Legislativo” são gerados pela falta de habilidade política do governador e começaram no princípio de sua gestão. “Ele nunca entendeu a diferença entre lidar com os vereadores de Rolim de Moura e os deputados estaduais”, opinou o parlamentar.

O governador foi prefeito de dois mandatos em Rolim. Ali sempre conseguiu apoio parlamentar na Câmara Municipal, com a quase totalidade dos vereadores apoiando todas suas iniciativas. Na opinião de muitos parlamentares o governador soube compreender “a diferença abissal entre uma Câmara de Vereadores e uma Assembléia Legislativa” e isto o levou a esta situação de “não ter uma base de sustentação parlamentar segura”.

Chico Paraíba afirma que “o estilo” de Cassol é uma fonte permanente de atritos com o parlamento, mesmo assim ressalva que “a principal insatisfação dos parlamentares”, vem da falta de liberação das verbas das emendas orçamentárias, aprovadas pelos deputados para “garantir algumas obras em suas bases eleitorais”.

CRÍTICAS PESADAS

Até agora o governador não liberou mais do cinco por cento das emendas aprovadas, afirma o deputado do PMDB. Ele lembra que cada deputado colocou no orçamento deste ano “emendas no valor de 1,6 milhão de reais”, depois de amplo debate com as autoridades financeiras e orçamentárias do próprio Executivo. Para ele, diante do crescimento da receita estadual, o governo poderia ter liberado muito mais recursos das emendas aprovadas, “sem comprometer o balanço do Estado”.

Chico Paraíba não tem nenhuma afinidade política com o governador e nem por isso é seu maior crítico. Hoje as críticas mais pesadas contra Cassol partem do deputado Ronilton Capixaba ou Emílio Paulista. Estes dois parlamentares não escondem o desejo de ver o governador respondendo a um processo político na Assembléia. São críticos que sempre focalizam as denúncias contra o governador publicadas especialmente num jornal alternativo que migrou do interior para a Capital. Nem por isso parecem dispostos a propor medidas mais sérias do parlamento contra o chefe do Executivo.

EM QUEDA

Chico Paraíba imagina que o governador sofreu um grande desgaste em sua liderança no interior. Uma situação confirmada, em sua opinião, através do resultado eleitoral de outubro. Nem por isso o experiente Paraíba arrisca a afirmar que Cassol será apeado da política na disputa de 2006.

Para ele “a derrota de candidatos” que estiveram ligados ao governador “apenas confirmou uma verdade política: a dificuldade de se transferir votos”. Por isso o deputado de Presidente Médici considera que Ivo Cassol “ainda é um forte candidato à reeleição”, mesmo não se podendo negar que ele tenha sofrido “uma queda visível em seu prestígio político”.


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