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Porto Velho,  dom,   19/janeiro/2020     
reportagem

Diretor da “Jorge Andrade” promete sinfônica para Porto Velho

6/3/2005 21:41:11
Por Aldrin Willy
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O novo diretor da escola de música municipal encerra um paradoxo. Em geral seu instrumento está oculto, acompanhando os demais. O contra-baixista Alexandre de Medeiros Lopes, no entanto, agora é quem conduz o show na Escola Jorge Andrade. Como os petistas da Prefeitura, Alexandre está ávido por mudanças. Sua meta mais ousada é a criação duma orquestra sinfônica para Porto Velho. 



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Como é possível a uma cidade ter escola de música há 16 anos e até hoje não possuir uma orquestra? Porto Velho, a cidade em questão, não possui sequer uma bandinha de praça. Essa é uma das razões pelas quais o coreto da Praça Aluízio Ferreira está normalmente ocupado por pregadores evangélicos, viciados ou mendigos, mas quase nunca por bandas tradicionais.

A pergunta inicial é de difícil resposta. Tanto que a única encontrada por Alexandre Lopes, recém-empossado diretor da Escola de Música Jorge Andrade, é a ausência de um curso superior de música perto da Capital capaz de formar nossos professores.

“O curso de música com os todos instrumentos mais próximo fica em Goiânia (GO)”, revela. “Então nós não temos como formar os professores”.

Essa é uma das metas de Alexandre: qualificar as pessoas que lecionam na Jorge Andrade. Suas metas mais ambiciosas são: “Iniciar uma sinfônica, uma banda musical da prefeitura, uma filarmônica.”

Como ele mesmo admite não existir profissionais suficientes em Porto Velho para alcançar esses objetivos, Alexandre já bolou sua estratégia. “Teremos de trazer professores de fora [...] que ensinem os instrumentos presentes em uma orquestra”.



ESCOLA

São ao todo 61 professores de diversas modalidades, dos quais apenas sete têm formação superior. Os 54 restantes, esmagadora maioria, são leigos. Ou, nas palavras de Alexandre, “são professores de teatro do ensino médio que estão habilitados a ministrar o curso de teoria musical básica e o curso de instrumentos musicais básicos”.

Os 54 professores ativos – os outros sete estão estudando fora – dão aula para um total de 526 alunos distribuídos entre os nove cursos oferecidos pela escola num dos três períodos do dia, de segunda a sexta.

Dos instrumentos disponíveis – piano, teclado, bateria, contra-baixo, violão, guitarra, saxofone, cavaquinho – piano e violão são os campeões de procura. As vagas para esses instrumentos esgotam-se logo no início do ano. Na outra ponta, o contra-baixo é quem tem a menor procura. Alem dos instrumentos, a escola também oferece aulas de canto e coral.

Todos os anos a escola forma 40 músicos. A maior parte, 40%, toca piano. Outros 30% saem tocando violão, nas modalidades erudito e popular. O restante divide-se entre os outros instrumentos.



SEM QI

Para ingressar na Jorge Andrade, os interessados agora vão passar por um teste vocacional. O teste é uma inovação implementada por Alexandre a fim de acabar com a destinação de vagas a apadrinhados políticos, especialmente vereadores. O QI (sigla de “quem indique”), célebre fator que determinava a distribuição das vagas da escola, está agora, garante o novo diretor, terminado.

“Será um teste básico para saber se a pessoa tem ou não aptidão para música”, explica Lopes. Ele pretende, desse modo, selecionar somente aqueles que têm “pré-disposição para música, porque, sem isso, não tem como”.



BOA MÚSICA

No próximo dia 16 (quarta-feira), quem comparecer ao auditório da Escola Jorge Andrade ouvirá um pouco da boa música ausente das ruas de Porto Velho. O aluno Alves da Cunha fará um concerto de piano com obras de Chopin, Ernesto Nazaré (gênio da música brasileira), Schubert, entre outros clássicos.

Recitais e concertos são parte da estratégia do novo diretor para popularizar a música de qualidade na Capital. Outra parte do plano é levar os professores de música para as escolas musicais para que ensinem e toquem às crianças.



FIM DO TALENTO

O professor Alexandre Lopes acredita piamente que não exista aquilo que, ao ouvirmos a “Sonata ao Luar” de Beethoven, chamamos de “talento”. Ele afirma estar cientificamente comprovado – por uma cerca pesquisa da USP – que o que rege o mundo musical não é o talento, mas a “pré-disposição” para música.

“Pode muito bem ter uma família de músicos e nascer um filho sem uma pré-disposição para a música” – exemplifica.

Seguindo esse raciocínio, quando Chopin e Mozart, nos seus cinco ou seis anos de idade, compunham obras que hoje são clássicas, o que os afetava era não o “talento”, mas, sim, a “pré-disposição”. É exatamente o que pensa Alexandre:

— Não, aquilo não era um talento. Aquilo era uma pré-disposição que ele [Chopin] tinha. Temos também histórias aqui na escola de alunos que com três, quatro anos começaram a tocar bateria. Ele já nasce com uma pré-disposição para aquilo.

A polêmica está instaurada. Talvez a razão de todo o problema esteja nas palavras. Numa rápida consulta ao Aurélio, o verbete “pré-disposição” aparece, numa de suas acepções, como sinônimo de “vocação” que significa, entre outros: 1) “predestinação”; 2) “tendência”; ou 3) “talento”.

Foto: Aldrin Willy


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