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Porto Velho,  seg,   24/junho/2019     
entrevista

Nossos deputados sabotaram as pontes sobre o Rio Madeira, revela ex-senador

6/3/2005 22:03:02
Por Imprensa Popular
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A construção de duas pontes sobre o Rio Madeira, uma na ponta do Abunã e outra ligando Porto Velho à estrada para Manaus, foram sabotadas pelos próprios deputados federais de Rondônia, que mandaram o dinheiro para o Acre, revela Moreira Mendes nesta entrevista exclusiva. 


 Assim que chegou ao Senado, Moreira Mendes descobriu as dificuldades para “um parlamentar” emplacar uma grande obra bancada pela União em seu estado. O primeiro passo era incluir no Plano Plurianual de Investimentos a tal obra. Quando a tal obra entra nesse plano passa a ser “uma intenção real” do país e não uma simples promessa. Afinal o Plano Plunianual de Investimentos é uma lei.

Ao chegar ao Senado, substituindo José Bianco, Moreira Mendes foi fazer parte da Comissão Mista do Orçamento. Foi quando debateu com o ex-deputado Confúcio Moura, então coordenador da bancada federal de Rondônia, a importância “de apresentar uma proposta de emenda regional” viabilizando a construção das pontes sobre o Rio Madeira. Para incluir no PPI as duas grandes obras – as pontes sobre o Rio Madeira – o senador Moreira Mendes precisou usar toda a sua habilidade para convencer os senadores da região norte, notadamente os representantes do Acre e Amazonas, os mais diretamente interessados na implantação dessas obras. Hoje Moreira Mendes lembra do grande apoio conseguido junto a Bernardo Cabral, então senador do Amazonas.

“No princípio ninguém acreditava que conseguiríamos incluir no Plano Plurianual de Investimentos essas duas obras”, explica Mendes. Conseguido isso, o ex-senador apresentou uma emenda ao orçamento, garantindo recursos da União para os procedimentos iniciais que viabilizariam a construção das duas pontes.

LOBISTAS

Com emendas garantidas no orçamento da União, os lobistas que agem em Brasília interessaram-se pela execução das obras. Moreira Mendes lembra que foi procurado por representantes da Mendes Jr, Camargo Correa e Andrade Gutierrez, as grandes empreiteiras que passaram a orientar o senador rondoniense com informações técnicas fundamentais à consolidação de um projeto dessa envergadura, “bem como a mostrar o caminho que precisava ser percorrido para que a simples intenção de construção das pontes se tornasse uma realidade, com o emplacamento da emenda”.

No princípio, vai contando o ex-senador, “a emenda apresentada tinha o irrisório valor de 500 mil reais, mas depois de muita negociação com o relator do orçamento, ela chegou ao valor de 3 milhões”. É claro que este valor ainda era pequeno para uma obra que “deveria chegar a um valor de 50 milhões”. Mas o próprio Moreira explica que “a parte mais difícil, que era abrir uma janela do orçamento, estava feita”.

Graças a estes procedimentos, chegou-se a autorização para a abertura da licitação das duas pontes, dando condições ao Ministério dos Transportes de liberar dinheiro para a sua execução.

PRIMEIRO ENTRAVE

Ainda quando exercia o mandato Moreira Mendes viu de perto como é difícil garantir para um estado de pouco expressão política, como é o caso de Rondônia, conquistas realmente significativas. A idéia da construção das pontes sobre o Madeira não agradou, desde o princípio, um fortíssimo grupo econômico e político do Amazonas, que detém o controle da navegação fluvial na região. A influencia desse setor acabou fomentando uma discussão jurídica em torno da licitação das obras feitas pelo Ministério do Transportes. O fato – conta o ex-senador – é que um Juiz acabou dando uma liminar que suspendeu os recursos constantes do orçamento da União. A demanda virou o ano a emenda orçamentária se perdeu.

Mendes não desistiu e no segundo ano de seu mandato conseguiu novamente emplacar uma emenda orçamentária no valor de quatro milhões de reais para garantir o início das obras. Uma nova licitação foi feita, com a participação de 21 empresas. A Andrade Gutierrez foi a empresa vencedora. A empreiteira chegou a fazer o projeto executivo das obras. Tudo indicava que as pontes estavam realmente garantidas, que iriam se tornar realidade.

Depois que Moreira Mendes deixou o Senado uma nova trama para impedir a construção das pontes foi elaborada. Desta vez sem maiores sutilezas, como ele próprio explicou: “Mandaram um carta ao presidente da República, uma cartinha escrita à mão. O presidente, pelo que fiquei sabendo, determinou a realização de auditoria geral no projeto. A coisa já tinha caminhado bastante, já existia até uma ordem de serviço expedido pelo Ministério dos Transportes. Acontece que eu já não estava no senado. E ninguém da bancada rondoniense demonstrou interesse em tocar essa batalha com medo de que os louros da conquista ficasse para mim. É aquele negócio do individualismo político”.

DERAM PARA O ACRE

Graças à falta de responsabilidade dos membros da bancada federal de Rondônia para com o povo do Estado, continuou explicando o ex-senador, o dinheiro que já estava assegurado no orçamento da União para fazer as pontes sobre o Rio Madeira acabou sendo desviado para o Acre, num processo “de sabotagem que contou com apoio dos parlamentares rondonienses”, lamenta agora Moreira Mendes.

“O dinheiro serviu para recuperar a BR-364 no Acre, uma coisa que é responsabilidade do governo federal e não dos deputados. Graças a esta sabotagem contra Rondônia milhares de empregos deixaram de ser gerados aqui. A Ponta do Abunã perdeu uma grande oportunidade de ser inserida no processo de desenvolvimento. O município de Porto Velho ficou fora de um processo de crescimento. Fizeram uma covardia contra o povo rondoniense”, fala entristecido e revoltado o ex-senador e empresário Moreira Mendes.

Mas se no caso das pontes a vontade dos “donos da navegação fluvial” da região, no caso do gasoduto (outro projeto pelo qual Moreira Mendes se esforçou muito no Senado) o entrave maior “é a ação das Ongs ambientalistas” que, como acredita, são financiadas pelos interesses internacionais, afirma o ex-senador. Mendes garante estar de posse de ampla documentação para enfrentar seus opositores quando estiver novamente em campanha, no sentido de mostrar à população que “as pontes sobre o Rio Madeira não foi uma invenção” sua. Ele pretende deixar claro que “a sabotagem dos próprios parlamentares de Rondônia” após sua saída do Senado foi o que permitiu o projeto ir por água-abaixo, prejudicando a população rondoniense. “Quando chegar a eleição eu vou mostrar que mato a cobra e mostro o pau. O povo vai saber quem permitiu ao Estado perder 11 milhões de reais que estavam garantidos no Orçamento, graças ao meu esforço e ao de deputados como o agora prefeito Confúcio Moura, de Ariquemes”, concluiu.


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