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Porto Velho,  seg,   17/junho/2019     
entrevista

Bandido matando bandido. 62,5% dos homicídios começam nos bares

21/3/2005 11:31:36
Por Imprensa Popular
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Numa entrevista exclusiva, o Secretário de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania, deputado Paulo Moraes, confessou a maioria dos homicídios registrados em Porto Velho começam nas brigas de bar. 



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Dos 128 casos de homicídio registrados no ano que passou em Porto Velho, 80 foram o desfecho de brigas de bar. A informação foi dada pelo próprio titular da Sesdec, o deputado estadual Paulo Moraes (PL). O ritmo da matança não incomoda muito o Secretário porque, como admitiu, “na maioria dos casos, o que se viu foi bandido matando bandido. Matar cidadão é que é um crime inaceitável”.

A capital rondoniense continua aparecendo no mapa da violência urbana como uma das mais perigosos do Brasil, em termos proporcionais. E esta situação, debalde o esforço da polícia, deverá continuar por um longo tempo, se levarmos em conta as dificuldades apontadas pelo Secretário. A não ser que algum vereador de Porto Velho resolva criar uma lei similar a de cidades onde bares e botecos são obrigados a fechar suas portas às 23 horas.



FALTAM POLICIAIS


“O policiamento ostensivo rondoniense está muito distante do ideal. Nós não temos Policiais Militares para atender as necessidades de Rondônia. Em 1990 nós tínhamos 4 mil policiais militares. Passados 15 anos, nós temos hoje apenas 3.900 PMs”. Com esta informação Moraes deixa claro que a população não pode esperar muito mais produção policial no combate ao crime do que os números de hoje. O Secretário estima que “Rondônia precisaria de um efetivo de 8 mil PMs, para fazer um trabalho ideal de segurança”. Isto, claro, é um praticamente um sonho irrealizável, “porque o Estado não dinheiro para investir num substancial aumento do efetivo”.

E contratar, mesmo um número bem menor de policiais, esbarra numa outra dificuldade além da disponibilidade de caixa para pagar os salários dos novos contratados: “O povo precisa saber que existe ai uma Lei de Responsabilidade Fiscal que limita em 60% os gastos do Estado com a contratação de pessoal”, lembra o próprio Secretário, que também é deputado licenciado.



FALTAM VIATURAS


Rondônia não se ressente apenas da falta de um efetivo de PMs à altura de suas necessidades. Além do pouco número de PMs, faltam também equipamentos essenciais para o combate ao crime, como viaturas. Vejam a confissão de Paulo Moraes: “Praticamente depois do Jerônimo Santana, os outros governos não compraram viaturas para os batalhões da PM. No tempo do Santana cada batalhão tinha 15 viaturas. Quando eu assumi a Secretaria havia apenas duas viaturas, uma no 1° e outra no 5° batalhão. Agora, no governo Cassol, conseguimos equipar cada batalhão com seis viaturas e deveremos entregar nos próximos dias mais três para cada um”.

Se nos últimos 15 anos cada governador tivesse comprado 30 viaturas por ano, contratado 50 policiais e 100 policiais militares, argumentou Paulo Moraes, “não teríamos os problemas de hoje, a situação em que chegamos”. E para enfatizar o Secretário destacou: “Fazia onze anos que não fazíamos um concurso para novas contratações”.



DEVE MELHORAR


A realidade desanimadora de uma polícia defasada em termos de meios e equipamentos para o combate ao crime deve sofrer uma pequena modificação, para melhor, ainda este ano. É o que acredita o titular da Sesdec ao garantir que a Polícia Civil terá 830 novos integrantes (boa parte já concluiu o curso na Academia de Polícia) e a PM mais 1.500 novos milicianos.

Nada garante no entanto soluções para problemas cruciais existentes hoje. Hoje há casos de um delegado de polícia – confessou Moraes – respondendo por seis delegacias de cidades diferentes. Certamente isso não pode funcionar. Aliás, nas cidades pequenas a grita é geral. A situação da segurança pública, admite o titular da Sesdec, é horrível: “Em cidades como Nova Brasilândia, tem um delegado que nem mora lá, tem três policiais e 40 presos. Cidades pequenas como Machadinho, São Miguel do Guaporé não contam com estrutura policial para a investigação de crimes. Como investigar alguma coisa se, como disse, em Nova Brasilândia só existem três policiais?”, pergunta o secretário para uma respostas óbvia: não há como.



PROMOÇÃO SOCIAL


Paulo Moraes garante que a polícia rondoniense “é tão competente quanto outra qualquer do Brasil”. Os índices de criminalidade que estão ai não existem por uma questão de competência policial, assevera. Para ele “a criminalidade vai se tornando insuportável porque faltam políticas públicas de promoção social e dos valores da família”.

Há uma exclusão social enorme aqui em Porto Velho e as relações familiares estão cada vez mais deterioradas. Os jovens acabam caindo na marginalidade por falta de programas de promoção humana, de acesso a lazer, a esportes, a eventos culturais. Esta é uma constatação feita por Moraes para dizer que “tudo isso vai arrebentar nas costas da polícia”. É esta miséria social que transforma os bairros mais periféricos nas áreas de maiores riscos, em zonas de concentração de violência, furtos, assaltos, roubos e homicídios.

Moraes – que além de titular da Sesdec, de político é delegado de carreira – garante que cada vez mais “aumenta a migração de jovens envolvidos em práticas delituosas”. Admite que “muitos praticam os crimes orientados ou comandados por maiores”. Esta situação, acredita, tem muito a ver com “a candura do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)”.

Também pesa na balança do aumento da criminalidade em Rondônia, “a imensa fronteira do Estado por onde atua os narcotraficantes”. Hoje o tráfico arregimenta muitos menores para o trabalho de aviãozinhos, pagando um salário muito superior a qualquer emprego legal. Sobre esse retrato da degradação, Paulo Moraes lembrou uma reportagem que leu na Veja da semana anterior, “quando um menor procurou um padre para confessar os seus pecados, dizendo que trabalhava na distribuição de drogas. O padre, estarrecido, orientou o jovem a procurar um emprego honesto e recebeu a seguinte resposta: Padre, eu até achei um emprego. Queriam me pagar R$ 350 por mês. Ora, como aviãozinho do tráfego eu ganho quase mil reais”.



CIDADE PERIGOSA


As áreas de maior perigo, onde a criminalidade é maior estão mudando. Em Porto Velho, por exemplo, o bairro do Mocambo não está mais assinalado como área de risco nos mapas das ocorrências policiais. Hoje a zona leste surge como área de maior incidência criminal.

E no interior, a cidade de Ji-Paraná lidera as estatísticas das ocorrências do crime, como confessou Paulo Moraes.

Fotos: Aldrin Willy


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