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Porto Velho,  dom,   16/junho/2019     
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E enquanto isso os indiozinhos vão morrendo de fome

1/4/2005 16:37:39
Antonio Avelar
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A estupidez é admitir oficialmente, que morrer de fome é mais do que normal. Realmente, isto é a barbárie. 


 Nem bem o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sentou no trono, e já demonstrou toda sua aversão a comida aborígene, ou seja, aquela da terrinha. Em um almoço, que ofereceu dias atrás, a senhoras ilustres de Brasília, tendo como convidadas especiais as primeiras-damas do Brasil e da Bolívia, respectivamente dona Marisa e dona Elvira Mesa, o anfitrião se esmerou nas iguarias européias, alternando os exigentes paladares com timbale de salmão defumado com caviar, ovas de salmão e confit de damasco a lascas de bacalhau flambadas com molho aveludado de amêndoas e tornedor de filé em molho de vinho do Porto. Para beber, vinhos tintos e brancos e prosecco Chandon Exccllence. Que maravilha é viver assim, à custa da miséria alheia, e o pior: devem dormir como anjos, a consciência não lhes acusa de nada.

Do sururu, molusco, que já foi abundante em Alagoas, mas que hoje está em extinção, principalmente pela ação predatória dos grupos econômicos, com o qual se faz saborosos pratos, parece, não fazer mais parte do paladar requintado, do nobre senador alagoano, que perdeu uma ótima oportunidade de levantar a bandeira pela preservação da espécie.

Por outro lado, mas na mesma mão, vem o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), para dar continuidade à farra com o dinheiro público. Não conseguindo transformar o seu principal "cavalo de batalha" em vantagens para os nobres pares da Casa, recuou em um primeiro momento, para em seguida, em ato rotineiro que a autoridade do cargo lhe confere, e, concedeu-lhes aumento por meio das famigeradas verbas de Gabinete.

Nesta sua cruzada obsessiva de cumprir com a promessa de campanha aos colegas parlamentares, o deputado Severino Cavalcanti nunca esteve sozinho, e contou com ajuda valiosa e de alto saber jurídico de ninguém mais ninguém menos do que o presidente do STF, Nelson Jobim. Se não é ilegal, é no mínimo imoral, sobre todos os princípios éticos.

EXAGERADO É NO PALÁCIO

Mas em matéria de gastos exagerados com o bolso do contribuinte os presidentes da Câmara e do Senado não estão isolados. O governo federal tomou-lhes em disparada a dianteira. As despesas no gabinete da Presidência da República subiram nos últimos dois de R$ 100 milhões para R$ 287,5 milhões, um substancial aumento de 187,7%, percentagem essa, que os trabalhadores só tiveram nos seus salários nos tempos de inflação voraz do governo Sarney, com o "gatilho paralelo".

No meio destes gastos todos, além das iguarias e bebidas finas de procedência européia para o prazer dos paladares também requintados, devem estar presente outras extravagâncias como os chiques roupões de algodão egípcio, uma excentricidade introduzida no recinto pelo príncipe da era desperdiçada.

Enquanto isso, nos brasis dos desvalidos morrem-se nas filas da aposentadoria, nas dos hospitais públicos, de balas perdidas em qualquer esquina do Rio de Janeiro, nas Febem paulistas, por falta de saneamento básico, e continuam morrendo os indiozinhos guarani-caiovás, da Reserva Indígena de Dourados, em Mato Grosso do Sul, que somente este ano, foram 15 por desnutrição.

As estatísticas oficiais são frias e repugnantes como lesmas, que se valem de dados macabros dos últimos três anos, quando as coisas eram bem piores, e a média de óbitos era de 20 a 25 por mês, entre as crianças caiovás com idade de zero a três anos. A estupidez é admitir oficialmente, que morrer de fome é mais do que normal. Realmente, isto é a barbárie.

Assim fica difícil achar que o Brasil tem jeito. A não ser para as goelas vorazes, que estão sempre levando vantagem em tudo.


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