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Porto Velho,  dom,   12/julho/2020     
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Exercício inútil do otimismo vazio

1/4/2005 16:45:26
Imprensa Popular
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Rondônia viveu um verdadeiro “boom” econômico quando milhares de brasileiros para cá vieram cheios de esperança de construir um futuro melhor naquela que era chamada de a nova fronteira agrícola do país. Hoje, numa crise sem precedentes, a esperança se esvai e o sacrifício coletivo parece não ter razão porque praticamente nada se modifica por aqui. 


 A população rondoniense, em 24 anos de emancipação do Estado, ainda assiste aos problemas da fome da miséria, numa clara demonstração de que o modelo de gestão adotado pela maioria de seus governantes fracassou e ainda afunda milhares de pessoas na indigência.

Quem veio para Rondônia tinha o grande sonho de sair da crise enfrentada em sua terra de origem. Imaginava-se, que aqui seria implantado um novo sistema de desenvolvimento, com projetos sociais e econômicos. Na verdade o processo de desenvolvimento adotado pelos primeiros governantes do novo Estado não rompeu as barreiras viciosas dos estados mais antigos e acabou, com isso, provocando uma exclusão da maioria das benesses do crescimento.

Um sistema de usurpação atrelou o Poder à meia dúzia de beneficiados de sempre. Decorrente dessa realidade aí estamos nós num estado muito jovem atolado em problemas antigos, de sem-terras, sem-tetos e sem-empregos. Apenas a casta, construída com as benesses do poder, vive hoje em suas casas com acesso ao que há de bom e melhor.

A política rondoniense está conturbada novamente. Mesmo assim não enfrenta diretamente as questões do passado, tido como tabu, onde se originaram as maiores contradições de hoje. Não adianta remeter os problemas do momento a personagens isolados do momento político e econômico estadual.

No contexto atual a insegurança social atinge mais de 70% da população rondoniense. A taxa de desemprego, em algumas cidades, ronda os 20%. A grande maioria da força de trabalho tem baixa qualificação e poucas condições de produzir uma renda mínima para a sobrevivência. Pelo menos 42% da população empregada teme a perda do emprego.

Assim como devotou esperanças nos governos eleitos do Estado, também em relação a Ivo Cassol a população alimentou um grande otimismo que agora se percebe como um mero exercício vazio. Este se comportou como um governo tímido na implementação do inadiável processo de reestruturação e modernização do setor público estadual.

O governo – cada vez mais próximo do fim – não realizou, como os demais, o aprofundamento das reformas do estado. Rondônia continua presa à opção pela regressão socioeconômica em que se meteu desde o fim do governo de Jerônimo Santana.

Imaginar que daqui para frente, com os percalços políticos existentes nas relações entre os poderes, o governo teria uma ação voltada para a flexibilização do mercado de trabalho e para o fortalecimento das empresas privadas seria praticar o inútil exercício do otimismo vazio.

Rondônia é um microcosmo do próprio País. Não pode ser governado positivamente sem a adoção de reformas que impeça o Estado de gastar excessivamente mal e tributar exageradamente o setor produtivo. Ivo Cassol surgiu no cenário da política rondoniense como o administrador arrojado, o empresário de sucesso, o homem que seria capaz de chegar ao Poder com força para tornar a economia rondoniense atraente ao capital privado brasileiro e até ao multinacional.

Somos forçados a constatar que Rondônia, neste governo, continuará com a baixíssima capacidade interna de investimentos, sem nada conseguir de capital produtivo junto a investidores nacionais ou estrangeiros para o nosso desenvolvimento. O Estado de Rondônia continua longe de ser um promotor do bem-estar social. Continuamos como mero apêndice da grande economia nacional, sobrevivendo com as migalhas batizadas de emendas orçamentárias apresentadas por parlamentares e pouquíssimas transferências extra-orçamentárias, próprias de uma política de subdesenvolvimento.

O governo de Ivo Cassol começou carregado de esperanças de que as transformações sociais se tornariam realidade. Mas este foi um novo exercício de otimismo vazio. Hoje a maior parte da população rondoniense constata que pela falta de planejamento estratégico, Rondônia perdeu mais uma oportunidade de fazer um governo de baixo para cima. Ressalve-se que o governador que ai está pôs fim à ação predadora de seu antecessor que ceifou direito histórico de servidores do Estado, com a degola de aproximadamente 10 mil trabalhadores públicos. Esta decisão, embora positiva, não ficou nem perto da revolução social que Rondônia necessita para crescer de novo. Até agora o governo ainda não fez nada para promover a distribuição de renda, a justiça social e a eliminação da pobreza e da fome.

O governo de Ivo Cassol sofre as mesmas influências do parasitismo de seus antecessores, apresentando os mesmos resultados de mais de uma década de retrocesso econômico, sem nada fazer em favor da população mais explorada de Rondônia.

Assim como sempre ocorreu na gestão dos antecessores, o governo estadual continua gastando somas fabulosas para “auxiliar” um pequeno grupo de “capitalistas” que, por fraude ou incompetência, sustentam artificialmente suas empresas sem contribuir com a política estatal, gerando empregos em grande quantidade. Nada mudou em relação ao parasitismo das empreiteiras (algumas mal disfarçadas arapucas, apenas de pastas) que pegam o dinheiro público e não realizam as obras essenciais.

As crises em que se Rondônia se meteu e das quais não consegue se livrar, nada mais são que o resultado de uma imensa variedade de fraudes praticadas por personagens acostumados a evadir-se dos impostos, das dívidas trabalhistas e sociais.


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