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Porto Velho,  dom,   19/janeiro/2020     
reportagem

Nas contas do HB, mortes de bebês em março não passaram de dez

18/4/2005 14:27:41
Por Aldrin Willy
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Das 491 crianças nascidas na unidade maternal do Hospital de Base no mês de março, 10 faleceram por causas diversas, admite Rahhal. 



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Lágrimas escorrem pelo setor dos berçários do Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro. São mães chorando a morte de 10 recém-nascidos. As mortes ocorreram ao longo do mês de março, ao mesmo tempo que foram realizados 491 partos.

A quantidade de bebês mortos chegou a ser noticiada pela mídia como maior, chegando a 23. À reportagem, entretanto, Rahhal informou o número menor: 10 mortos.

RAZÕES

Perguntado sobre a tragédia, o diretor do Hospital de Base, médico Amado Rahhal, afirmou a Imprensa Popular que as causas das mortes foram principalmente má-formação congênita e peso abaixo do normal. A superlotação por que passam as unidades do hospital também teve sua parcela de culpa.

“Na sua maioria [foram] crianças com menos de 1 quilo. Nós tivemos 4 casos de má-formação congênita, um caso de um bebezinho sem toda a parede abdominal, com todas as alças para fora, e tivemos um caso de aspiração meconial que levou a criança à insuficiência respiratória e à óbito.”

Rahhal informou que a maior parte dos bebês que morreram vieram do interior, condição que também contribuiu para o óbito deles. Ele explica:

“Todo o interior manda para cá suas gestantes. O que é grave [...] é que as crianças vêm no colo da mãe, sem enfermeiro, sem médico, sem uma incubadora portátil com oxigênio, oximetro [aparelho utilizado para medir o nível de saturação da hemoglobina] de pulso e com respirador. Vêm no colo e mãe vai abanando, o que é totalmente contra indicado. Outros acompanhantes que vêm junto com dois, três tipos de doenças.”

O caso está sendo acompanhado, conforme disse Amado, pelo Ministério Público e pela Assembléia Legislativa, onde terça-feira (12/4) o médico deu explicações aos deputados em audiência pública.

SEM APOIO DO INTERIOR

Apesar de ter firmado parceria com prefeitos de todo interior para que ajudassem na transferência de seus pacientes para a Capital, dando ajuda de custo, Amado Rahhal conta que ainda não está recebendo o apoio prometido. “Nós estamos com um gasto muito alto pelo aumento de pessoas deslocando-se para a capital”, afirma.

Conforme o diretor, o HB recebeu do interior do Estado, apenas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal, 36 crianças no mês de março, um aumento de 40% em relação ao mês anterior. No mesmo período, o pronto-socorro prestou 3450 consultas – apenas a pacientes de Porto Velho – o que caracteriza um desvio de função da unidade.

PRÉ-NATAL

“Pré-Natal” é a forma como é chamado o acompanhamento da gestação, visando a saúde tanto da mulher quanto do bebê. Esse atendimento é prestado na Policlínica Oswaldo Cruz, que funciona ao lado do HB.

O Hospital de Base, por sua vez, é o único no Estado capacitado para receber gestantes de alto risco. Grávidas acometidas de doenças infecto-contagiosas – como Aids e Hepatite – são consideradas de alto risco.

Para poder fazer o parto de mulheres de toda Rondônia, conta Rahhal, “nós montamos dentro do HB uma casa da gestante, pois a paciente não pode vir todo o mês e voltar, até porque a sua condição financeira não permite”.

GRAVIDEZ PRECOCE

Um aspecto comum entre as gestantes internadas no hospital é a pouca idade. “O que preocupa muita gente é que muitas dessas pacientes têm idade entre 12 a 17 anos, são bem jovens”.

Em janeiro deste ano, a pouca idade de uma menina-mãe que deu à luz um menino deixou estarrecidos os moradores de Porto Velho. A garota tinha apenas 11 anos de vida e, no entanto, já carregava um filho em seu ventre.

Para dar cabo ao problema da gravidez precoce, Amado sugere uma campanha de orientação sexual e planejamento familiar em escolas e igrejas, bancada pelo Poder Público.

“Acho que a gente tem que [...] alertar a população, porque a incidência é muito grande. Nós temos aí crianças com 14, 13, 12 anos com dois filhos. É preciso um trabalho muito grande. Tem que ter um investimento do Governo Federal, Estadual e do próprio município. Às escolas cabe fazer a orientação, oferecendo melhor o planejamento familiar”.

Foto: Aldrin Willy


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