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Porto Velho,  dom,   25/outubro/2020     
opinião

Editorial: O fim de um governo que não primou por quase nada

18/5/2005 13:26:23
Imprensa Popular
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Quando os governos perdem a elegância verbal, geralmente
não tardam a perder o poder. 


 A situação política do governador de Rondônia, Ivo Cassol, chegou ao nível do insustentável. Sua queda é iminente. A incompetência política do governador fê-lo produzir – já no início da gestão – discursos carregados de frases infelizes e inadequadas, recebidas como insultos pela maior parte da classe política e de dirigentes dos chamados poderes constitucionais.

Cassol terá de suar muito a camisa para se manter no cargo e emplacar aquele desejo natural da reeleição. Parece, olhando o cenário atual, impossível. Mesmo assim, este jornal não fará tal afirmação, até porque em política sempre se pode provar o contrário.

Não há como negar a propensão do governador para transferir desaforos aos políticos eleitos – como ele – pelo voto e a autoridades maiúsculas dos outros núcleos de poder que compõem o Estado. E, numa analise simplista, dá para garantir que o governador de Rondônia perdeu mesmo todas as oportunidades para manter a governabilidade.

E como poderia ser diferente se uma das primeiras manifestações políticas do governador foi a de pedir – em Brasília – uma intervenção federal no Estado, quando os atuais integrantes da presente legislatura ainda nem tinham tomado posse?

O problema de Ivo Cassol foi chegar ao governo do Estado com visão distorcida e autoritária do papel de governar, confundindo a realidade estadual com a de seu município, Rolim de Moura, onde certamente fez uma boa administração e desfrutou de um “poder” sem contestação da parte do legislativo da cidade, no qual sempre teve ampla maioria.

Pensando que Rondônia tinha virado um simples “Reino de Rolim”, o governador cercou-se de áulicos que apenas estavam interessados em aproveitar as delícias do “reino”, buscando acumular patrimônio e contas gordas todos os meses nos bancos. Estes – caso mais típico é o da emblemática figura do Miguelzinho – seguiram o exemplo da arrogância sem imaginar que um dia haveria uma reação a isso. E esse dia chegou. Tudo leva a crer que finalmente o governador de Rondônia e seu séquito irão ver com quantos paus se faz uma canoa.

O governador Ivo Cassol – e o Estado de Rondônia – está vivendo o instante exato em que se rompe a cumplicidade entre o Poder que arrecada e os Poderes que legitimam a democracia. De pouco, ou de nada, adiantará apelar para a cumplicidade com a população, usando um marketing caipira de utilidade duvidosa.

A população certamente preferia não ter de deparar com esta “guerra” institucional que é o cisma entre Executivo, Legislativo e demais Poderes constituídos. Ela sabe que neste redemoinho das paixões personalistas, quem mais perde é o cidadão comum. É um momento delicado, em que o copo da insatisfação transborda com a primeira gota.

A população rondoniense começou a se convencer logo que o governante de hoje é farinha do mesmo saco dos anteriores. Pura bobagem ficar batendo na tecla de que o governador está com alto prestígio popular. Se este prestígio existisse, o governador e seu partido não teriam sofrido a imensa derrota eleitoral da última campanha, onde nem a sua irmã, Nega, conseguiu-se manter no cargo.

A insatisfação com o governador é cada vez maior, mesmo manifestando-se silenciosamente, sem a presença de caras-pintadas nas nossas ruas. Dentro de seu ritmo próprio, aumenta a velocidade da descida. E as explicações para esse movimento de descida são vários: da ruína dos serviços públicos (especialmente a Saúde e a Segurança Pública) à ausência de governo. Dos gastos extraordinários da máquina pública à corrupção galopante. Da incompetência política externa à presença de colaboradores (titulares dos melhores empregos do governo, o alto escalão) carregados de processos ou denúncias. Dos discursos infelizes e inadequados às demonstrações continuadas de nepotismo em favor da parentela até da sua consorte. Da falta de gosto pela análise séria e conseqüente dos problemas do Estado à simplicidade mental como estilo de governo.

É fácil concluir que Cassol não agrada mais como antigamente. Está cada vez mais cristalizada diante do povo – especialmente o da capital – a imagem de um governador com os males do populismo e da demagogia, da familiocria e do paternalismo retrógrado, que não faz outra coisa senão propiciar o enriquecimento dos “chegados”, da chamada “Republiqueta de Rolim”, detentores de todas as benesses pagas pelo governo, custeadas pelos bolsos dos contribuintes.

O que vem pela frente, portanto, recomenda cautela e bom o senso, embora escribas do jornalão oficioso, como o Valbran Júnior (agora especialista em espinafrar deputados e demais algozes do governador) não percebam isso, mesmo sabendo que a história está cheia dessas lições.

Os índices de cobiça e esperteza estão em disparada. Não fosse isso um Carlos Magno não teria ido para lá, no exato momento em que as labaredas estão incontroláveis.

Ora, porque esse antigo Técnico Agrícola que ficou rico na política não defendeu antes (com a força da entidade que preside, a Arom) o governador rondoniense?

O governo chegou até aqui dividido em facções disputando entre si maiores pedaços do poder. Cassol não soube operar dentro do fisiologismo explícito de curto e médio prazo. Não teve o controle da eficiência e da ética, não teve a elegância verbal inerente ao cargo e por isso vai inaugurar o ciclo final de um governo que não primou por quase nada.


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