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política

Cassação: ou será Cassol ou serão os deputados

18/5/2005 14:08:23
 
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Daqui a um ano e oito meses os parlamentares terão de enfrentar novamente o desafio das urnas. Assim, cassar Ivo Cassol é fundamental para a Assembléia não despencar no precipício da falta de credibilidade, levando ao suicídio político os seus membros. 


 Os melhores analistas da vida política rondoniense não apostam mais nem uma pataca furada no mandato do governador Ivo Cassol. Consideram que o afastamento do governador e a posterior cassação será uma operação rápida ou até mesmo urgentíssima. Esta constatação tem uma justificativa plausível: Se a Assembléia Legislativa não cassar o chefe do Executivo, depois da crise estabelecida entre os Poderes – quando não há mais possibilidade de harmonia com a maneira adotada por Cassol para exercer o Poder – os atuais deputados (ou pelo menos sua maioria) não terão como safarem-se de despencar no abismo da derrota das próximas eleições.


PROVOCAÇÕES

Ivo Cassol entrou na zona de risco praticamente quando começou seu mandato e foi a Brasília solicitar do governo federal uma intervenção no Estado para o combate do crime organizado que, segundo dizia – e assim foi repercutido na grande mídia, estava entranhado nas várias instituições públicas que compõem a administração rondoniense.

No princípio o governador tinha apoio popular e as provocações a integrantes dos Poderes e instituições autônomas do Estado foram digeridas politicamente. Naquele momento a superação do mal-estar era politicamente possível. Acontece que o governador preferiu continuar vendendo a idéia de que o defeito de Rondônia não estava, é claro, no Executivo, mas nos outros.

É claro que pegou mal, muito mal, as declarações de Ivo Narciso Cassol. A imprensa – muitas vezes apontada como culpada pela crise – na verdade limitou-se apenas a espelhar o que Cassol e os demais políticos disseram. As escoriações sofridas pelo governador foram conseqüências de sua própria incontingência verbal.


A BRUXA SOLTA

Sem uma assessoria competente para livrá-lo dos improvisos carregados de afirmações ofensivas contra a classe política e contra o baronato do serviço público, Cassol chegou à inacreditável realidade de ter contra sua administração todos os membros da bancada parlamentar federal de Rondônia e da imensa maioria dos deputados estaduais. Dos 24 membros do legislativo estadual, o governador só tem o apoio incondicional de três: o deputado Everton Leoni, Beto do Trento e o suplente em exercício Neodi Oliveira. Nesta sinuosa trajetória é claro que a bruxa estaria sempre pairando sobre o destino político de Ivo. Na verdade, demorou muito o afunilamento desse processo de degola do governador, em franca tramitação na Assembléia Legislativa.

A denúncia formulada pelo economista Carlos Guimarães Souza, pedindo o enquadramento do Chefe do Executivo estadual em crime de responsabilidade, previsto na Lei Nº 1.079, foi aceita pela relatora da Comissão Especial criada para este fim, a deputado Ellen Ruth. O denunciante alegou que o governador mandou editar, em 5 de janeiro e em 4 de maio de 2004, dois decretos que afrontam a Lei Orçamentária de 2004, por reduzirem os repasses constitucionais devidos à Assembléia Legislativa (ALE), ao Tribunal de Contas (TC), ao Tribunal de Justiça (TJ) e ao Ministério Público (MP). Na denúncia, o economista afirma que o governador gerou “uma grave crise jurídica e institucional”.


FARSA OU TRAGÉDIA

A tática imediatamente utilizada pela tropa de choque do governo após a leitura da denúncia na Assembléia foi a de desacreditar seu autor, o economista Carlos Guimarães Souza. De repente Guimarães foi apresentado como “um simples laranja”, como alguém às voltas com processos em tramitação na Justiça, etc. A denúncia propriamente dita foi logo batizada de farsa, principalmente pela mídia domesticada e a serviço do governo. Na verdade, para Cassol a denúncia do economista – e ai não importa se ele tem uma ligação muito próxima com o deputado Edson Gazzoni – é uma tragédia.

Ela é um instrumento de nocaute de um governador que, para a quase totalidade dos parlamentares, passou da conta. A tática utilizada pelos veículos de comunicação que defendem o governo – notadamente o matutino Folha de Rondônia – simplesmente contribuiu para aumentar o volume do incêndio, dando margem a mais desgaste do chefe do Executivo junto àqueles que deverão decidir o seu destino.

É bem verdade que na edição de terça-feira última o jornal estava mais amenos e nem Valbran Júnior assinou matérias esculhambando o caráter do denunciante, do deputado Edson Gazzoni e sua família.

O jornal, na sua mais importante coluna política, mudou o tom e já defendia o diálogo e a negociação.


TRAPALHADA

A total deterioração do relacionamento do governador com a classe política e com algumas importantes personagens de poderes e órgãos autônomos deve ser creditada ao próprio governador. Cassol demonstrou, ao longo de seu mandato, ser ele mesmo o grande articulador de seu projeto político. Por isso a quem afirme que ele atrapalhou-se sozinho.

Ora, como alguém com um minguado grupo (aliás, de acordo com o deputado Everton Leoni, uma bancada mixuruca) deixa vazar a existência de fitas gravadas com conversas entre ele, governador, e emissários dispostos a negociar propinas e benesses que poderiam ser distribuídas na negociação do armistício?

Foi, pelo que se falou e se publicou na imprensa, o governador quem comemorou por antecipação o malogro da tentativa do Ministério Público Federal em processá-lo no STJ, após receber em particular, na sua residência, o Ministro Edson Vidigal, presidente daquela corte a quem, sempre segundo o que se divulgou, informou sobre a existência das fitas gravadas com políticos locais que supostamente estavam interessados em trocar propinas por apoio a Cassol.


SOLIDARIEDADE POPULAR

O governador vem tentando várias manobras para não perder o mandato e mesmo assim continua na zona de risco. Uma dessas tentativas foi levar para a Casa Civil o antigo técnico agrícola Carlos Magno, apostando que com sua experiência de ex-deputado, ex-prefeito e presidente da mais importante entidade municipalista rondoniense conseguiria reverter o clima carregado em torno do chefe do Executivo. A tática não deu certo. Magno não obteve nenhum respaldo significativo para o seu papel de alquimista. Ao contrário, recebeu censuras públicas, até mesmo de seu partido, do qual foi, eufemisticamente, afastado.

E foi então que ganhou força a nova estratégia, a de buscar apoio popular. O governador intensificou suas visitas a comunidades interioranas, começou a distribuir feijão em bairros periféricos de Porto Velho (o feijão, afirmou o petista Nereu Klosinski, estava sendo fornecido pelo governo Lula, através da Conab) e no Estado começaram a ser distribuídos adesivos com o dístico “O povo está com Cassol”. Isso também não deu certo. São raros os donos de veículos que afixaram o tal adesivo.

Ivo Cassol não conseguiu reverter a situação de rejeição perante a sociedade, uma realidade que ficou comprovada com o péssimo desempenho de seu partido nas urnas das últimas eleições, onde nem mesmo conseguiu reeleger sua irmã, a Nega Cassol.

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