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Porto Velho,  sex,   23/agosto/2019     
entrevista

Sites proliferam para garimpar dinheiro público, diz Coutinho

18/5/2005 14:37:12
Por Aldrin Willy
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O exagerado número de novos sites de notícias que surgem quase que mensalmente em Rondônia tem um bom motivo: conseguir um pedaço das “gordas” verbas governamentais de publicidade. É o que diz o jornalista Rubens Coutinho, diretor do site O Estado de Rondônia. 



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Escassez de dinheiro no mercado publicitário não é um mal que atinge Porto Velho. Ao contrário, sobram verbas nas agências de propaganda de órgãos públicos. A informação foi dada pelo jornalista Rubens Coutinho, diretor do site de notícias O Estado de Rondônia (www.oestadoderondonia.com.br), em entrevista exclusiva a Imprensa Popular.

Segundo ele, essa abundância de verbas públicas é o que explicaria o número cada vez maior de sites de notícias que vêm surgindo em Rondônia, quase na proporção de um a cada mês.


RUIM PARA O ESTADO

O investimento, relativamente barato, necessário para se montar um jornal na Internet e o baixo custo de manutenção são outros fatores, segundo o jornalista, que atiçam a sanha pelo dinheiro fácil de muita gente que, na maior parte “nem do meio jornalístico é”.

“Existe uma grande oferta de dinheiro no mercado, partindo das agências de publicidade oficiais e isso sempre atrai muito vigarista, muito trambiqueiro, muita gente que acha que pode ganhar dinheiro fácil. E, pelo que a gente tem visto, tem ganhado sim”, explica Coutinho.

Esse financiamento da mídia através de contratos entre ela e o poder público, na visão de Rubens, não é, entretanto, benéfico ao Estado.


OPINIÃO SEM PREÇO

“Ao contrário da gente avaliar isso como benéfico para o Estado, em termos do crescimento das empresas de comunicação, isso, na realidade, representa um malefício, porque não tem seriedade nessas coisas”, diz Coutinho. “Não se observa que se faça jornalismo, o que se faz é vender a opinião, a linha editorial de alguns sites que estão surgindo aí”.

Com esse pensamento, seria uma incoerência o jornal de Rubens manter algum contrato publicitário com instituições públicas. Por isso, ele garante que “não procura nem quer ter contratos com o poder público”, a fim de não se comprometer.

A sustentação econômica do site é viabilizada por sua única fonte de recursos até o momento, o IRDECC (Instituto Rondoniense de Defesa do Cidadão e Consumidor) – ong voltada à defesa da cidadania.


MAIS REPRESENTATIVOS

Dos mais de vinte jornais eletrônicos do Estado, Rubens considera apenas quatro representativos. Em primeiro lugar, apesar de ter “algumas restrições a sua linha editorial”, o jornalista coloca o site Rondoniagora (www.rondoniagora.com), justificando “que é um site tradicional, tem cinco anos no ar [...], realmente domina o mercado, tanto do ponto de vista publicitário como jornalístico”.

Em segundo lugar, sem falsa modéstia, Rubens situa o próprio site, O Estado de Rondônia que, em apenas quatro meses no ar, já tem uma média diária de 2 000 acessos.

Na terceira posição, conforme Rubens, fica o site do semanário O Observador (www.oobservador.com), do jornalista Everaldo Fogaça. E na quarta e última colocação do rol de Rubens Coutinho está o jornal Rondonotícias (www.rondono ticias.com.br), do jornalista e apresentador Arimar Sá.

Sobre os demais sites Coutinho alega não ter “muitas referências, porque os leio pouco”. Ainda assim, ele arrisca citar mais dois: O Guaporé (www.oguapore.com), de Miguel Monte, “que existe no mercado há bastante tempo”; e o novíssimo Rondônia ao Vivo (www.rondoniaovivo.com.br), do futuro jornalista (se forma este ano) Paulo Andreolli, “que tem um bom visual, com um belo layout, mas carece um pouco de trabalhar melhor a linha editorial”.


CUSTO BAIXO

“Talvez o site”, costuma afirmar o diretor d’O Estado de Rondônia, “seja a maneira mais democrática de você democratizar a informação”. Rubens baseia essa assertiva na facilidade com que hoje se abre um site. O primeiro aspecto dessa facilidade é em relação aos baixos custos, tanto de investimento inicial quanto de manutenção.

Para dar dimensão, ele usa a si mesmo como exemplo. “Nós gastamos com o nosso site em torno de 54 a 70 reais por mês”. Esse custo irrisório, conta Rubinho, contrasta com o que os grandes jornais pagam para se manter: “Enquanto você gasta para publicar um Estadão 100 mil reais por mês ou mais. Já me informaram que o Diário da Amazônia custa 200 mil reais por mês”.

Coutinho conta que a única coisa que precisa realmente pagar para O Estado de Rondônia é o serviço de hospedagem da página. O webmaster (desenhista) da página e os demais jornalistas que colaboram com o site, “o que poderia aumentar nossos custos”, estão num acordo de sociedade. “Aqui não há patrões ou empregados, e sim sócios. Nós dividimos tanto os lucros auferidos quanto os prejuízos.”


PLURALIDADE

As notícias e informações importantes, hoje em dia, o leitor só encontra nos sites, com exceção de alguns poucos jornais. Pelo menos, é o que pensa Rubens. “Nos jornais mesmo ninguém acha informação, até pelo comprometimento dos jornais com o poder, eles mais omitem do que emitem.”

Algo observado por leitores atentos no jornal virtual de Rubens Coutinho é maior pluralidade que nele praticada.

— Nossos colunistas publicam o que quiserem. Inclusive já aconteceu até de colunista publicar críticas a mim, que sou o dono do site, e ao próprio site. E elogios aos adversários, meus concorrentes. Ontem mesmo o jornalista Mário Moraes, nosso colunista, um dos mais lidos, ele publicou rasgados elogios ao Rondoniagora. Achei isso uma maneira de mostrar que nossos colunistas têm total independência, até para nos criticar.


LIBERDADE PARA QUEM ESCREVE

Censura é palavra execrada da redação de O Estado de Rondônia. “Lá ninguém censura ninguém. A gente só toma cuidado com o aspecto jurídico. Por exemplo, nós publicamos matérias [...] supostamente contra o PT, mas nós publicamos o outro lado quando eles enviam as informações.”

Um caso ultimamente chamou bastante atenção: o do deputado Nereu Klosinski. Ele foi alvo de reportagens do site, mostrando seu envolvimento nas finanças do Sindicato de Trabalhadores em Educação de Rondônia (SINTERO).

Rubens diz que nunca teve intenção de perseguir o deputado:

“Ele [Nereu] acha que estamos movendo uma campanha contra ele. [...] Porque ele não compreende isso, a pluralidade. O jornalista Adécio Dias, assessor dele, volta e meia entra em contato com o site e publica o outro lado, nós publicamos o outro lado.”


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