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Porto Velho,  dom,   27/setembro/2020     
política

Sociólogo explica porque política rondoniense está degenerada

26/5/2005 14:43:12
 
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Jorge Luiz Coimbra de Oliveira, Chefe do Departamento de Sociologia da Unir, afirma que a decadência dos valores morais na política rondoniense é conseqüência do desinteresse das pessoas de bem em participar do processo eleitoral. 



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Responsável pelo Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Rondônia, o professor Jorge Luiz disse à Imprensa Popular que viu um ponto “muito positivo” na explosão desse novo escândalo envolvendo a classe política rondoniense. Para ele este exemplo de degeneração é o reflexo do aumento exacerbado de “políticos que deixaram de lado as motivações idealistas ou materialistas, como a construção de obras, trocadas por uma motivação de obter benefícios pessoais”.

Antes de explicar o que considerou um ponto positivo “neste trágico episódio”, Jorge Luiz disse que “uma boa parte” das pessoas que se aproximam da política “são influenciadas por fatores que marcam uma sociedade cada vez mais vivendo uma crise dos valores tradicionais, como os da família, e cada vez mais moldada por conceitos consumistas”, e estas pessoas acabam naturalmente acreditando que a política é “um balcão de negócios”.

Na visão do sociólogo, o que mais contribuí para o sucesso dessas “pessoas que agora estamos repudiando” na política, “é o pouco interesse das pessoas de bem em participar do processo eleitoral”. O espaço deixado pelas pessoas de bem “acaba sendo ocupado por estas pessoas carentes de parâmetros éticos”, opinou Jorge Luiz.

PONTO POSITIVO

Na análise do sociólogo a explosão desse foco de corrupção na política rondoniense, envolvendo membros dos diversos poderes, está tendo o ponto positivo de “despertar a consciência popular” que sai às ruas espontaneamente parta condenar as idiossincrasias e mau-caratismo da classe política local, exigindo punição e expurgo para os corruptos que apareceram no filme apresentado pelo Fantástico da Globo.

Jorge Luiz testemunhou na própria Unir a reação do povo a este mar de lama: “Aqui mesmo na Unir os acadêmicos de Direito, na segunda-feira (16), pararam suas atividades para ver a fita reveladora da desonra do atual governo que, por motivos torpes, escondia essa sujeira, certamente acreditando que salvaria sua própria pele”. O sociólogo acredita que esse episódio contribuirá para melhorar o “nível de conscientização popular” dos rondonienses sobre a importância da política em suas vidas.

Embora seja uma praxe entre os políticos as conspirações, as fraudes e as locupletações com os negócios públicos, nos chamados arranjos de gabinete, o povo pouco se apercebe dessa realidade, “e portanto quando um escândalo dessas proporções explode, as pessoas despertam como se estivessem descobrindo que nesse meio a inocência tenha morrido criancinha”. O escândalo proporcionou um despertar de interesse no meio acadêmico em torno da política, garantiu o sociólogo da Unir: “Os meus alunos começaram a se interessar mais pelo estudo da ética na política, começaram a fazer um questionamento mais intenso sobre as relações políticas”.

Disse o professor e sociólogo Jorge Luiz que “este negócio de corruptos e de corrupção nos governos não é uma exclusividade de Rondônia”. Aqui “a indignação contra aqueles que traem a confiança do povo” foi maior porque, afirmou o sociólogo, “a revelação ocorreu de uma forma inusitada, em rede nacional, com censura chancelada pela Justiça para os cidadãos do Estado, etc, etc”, acentuou.

REFLEXOS EM 2006


Se por um lado o sociólogo Jorge Luiz considera que a divulgação do escândalo contribuirá, positivamente, reduzindo o índice de alienação entre a juventude, com o maior interesse e ampliação do debate sobre temas políticos entre a classe estudantil; por outro ele alerta para o perigo “do aumento da descrença popular, com reflexo nas eleições de 2006, com o aumento dos votos em branco ou nulos”.

Ele entende que os intelectuais rondonienses e “as pessoas mais lúcidas” do Estado precisam lutar contra esta possível tendência, “aproximando-se mais dos partidos, ocupando os espaços que hoje são utilizados por personagens que não tem compromisso com o avanço da sociedade”.

O conselho que o sociólogo dá ao eleitor rondoniense, para que a política possa ser um motivo de afirmação, de melhoria de nossa auto-estima, “é que ele passe a fiscalizar mais o seu candidato, passe a exigir cada vez mais transparência de seu representante no exercício do mandato”, lembrando que isso é um papel tão ou mais importante do que simplesmente votar.

HELLEN RUTH

Jorge Luiz prosseguiu em suas análises focando o destacado papel assumido pela deputada Hellen Ruth no episódio dos propineiros. Em sua opinião “ela prestou um enorme desserviço ao trabalho de organização e valorização da mulher na política rondoniense”. A atuação da parlamentar como uma espécie de relações públicas dos corruptos, “pode contribuir para aumentar o preconceito natural da maioria do eleitorado, fortalecendo a idéia de que a mulher não foi feita para a política”.

“É preciso – prossegue o sociólogo – que os movimentos organizados e suas lideranças combatam essa discriminação, deixando claro que esta prática de ações condenáveis e antiéticas na política, onde a deputada ganhou destaque no filme apresentado pelo Fantástico, não é exclusividade das mulheres”. O sociólogo conclui com afirmações de que “a mulher pode ser um dos pilares na recuperação dos valores sadios da representação popular”. Pensar diferentemente “é apenas uma posição machista que não se sustenta na realidade”.


Comentários (1)
Hombridade do Prof. Jorge.

Gostaria de somar à reportagem em foco meu depoimento, à medida que, enquanto discente do curso de Pedagogia da UFRJ, tive a oportunidade de conviver com o Prof. Jorge, já então licenciado, na mesma Instituição, na área de Ciências Sociais.<br> Inclusive, tive oportunidade de acompanhar sua permuta do RJ por RO logo no início de 90.<br> Um ano depois, também eu permutei o RJ, todavia, pelo CE.<br> Posso atestar a hombridade e a responsabilidade das intervenções do colega professor, uma vez que, juntos, tivemos oportunidade de desenvolver algumas ações educativas na segunda metade da década de 80 (UNESP/Franca-SP 1988 foi um exemplo).<br> Aproveito o ensejo para deixar-lhe um forte abraço e meus sinceros votos de que continue exitoso seu trabalho docente na UNIR.

Fernando Pangaré Xavier - Fortaleza/ CE.
Enviado em: 29/12/2013 19:09:07  [IP: 177.42.148.***]
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