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Porto Velho,  dom,   27/setembro/2020     
política

General da Banda do Vai Quem Quer confessou: “Fiquei com nojo!”

26/5/2005 14:56:22
 
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Mas os “Propineiros” não deverão ser o tema da próxima marchinha carnavalesca do maior bloco do carnaval do norte brasileiro. 



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Se depender da vontade de Manoel Mendonça, o popular Manelão, “general” da Banda do Vai Quem Quer, o maior e mais importante bloco carnavalesco do norte brasileiro, reconhecido como a mais importante manifestação do Carnaval de Rondônia, o episódio da decadência da política estadual explicitada no vídeo que mostrou para o Brasil meia dúzia de deputados estaduais cobrando propina do governador Ivo Cassol, em troca de apoio político, não será tema do desfile da Banda no próximo ano.

Manelão ficou tão enojado, como disse, com o que viu na TV, que considera “um ato pecaminoso” transformar em galhofa carnavalesca qualquer coisa relacionada ao confronto entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, “porque esse povo está levando o Estado a se desintegrar, mantendo um ambiente de caos que ninguém poderia imaginar”.

MAIOR CRISE

Manelão, antes de ser o mais popular carnavalesco do Estado, é também empresário (dono do Chaveiros Gold) e desempenhou importantes funções públicas, como a de chefe da Loteria do Estado de Rondônia, a Lotoro, e a diretor da Garagem Central do Governo, quando toda a frota do serviço público estadual tinha o controle daquele órgão. Por tudo isso o “general” da Banda do Vai Quem Quer sempre esteve atento aos fatos da política do Estado.

Para ele esta foi a “maior crise política que aconteceu em Rondônia” e “os responsáveis são todos aqueles que apareceram no vídeo mostrado pelo Fantástico”. Na opinião de Manelão, “ninguém fazendo o papel de mocinho” e por isso, para ele, “estas pessoas deveriam pegar a mala – e não o saco, porque saco é negócio de pobre – e irem embora do Estado”.

A liderança popular de Manelão é incontestável e mesmo assim ele sempre resistiu “todos os convites para participar, como candidato, do processo eleitoral”. Ao falar com Imprensa Popular acabou explicando tamanha relutância: “Ora, eu não teria estômago para viver ao lado de boa parte dos personagens de nossa política. Agora mesmo eu estou enojado com aquilo que vimos na televisão”.

Para mudar essa situação, afirma o chefe da Banda do Vai Quem Quer, “só com o povo demonstrando maior cuidado com o exercício do voto”. O próprio Manelão tem experiência pessoal sobre essa dificuldade: “Eu já me arrependi, uma vez, do voto dado. O camarada foi uma decepção. Mas nas outras vezes eu acertei. Então é possível votar certo”, sublinhou.

MANIFESTAÇÕES


Sem papas na língua, Manelão afirma que “não houve, até agora, um governador mais ruinoso para Rondônia quanto Cassol”. Para ele quando um político “é um grande entusiasta do nepotismo, como demonstra ser o governador de Rondônia, o povo não precisa esperar muita coisa dele”. Na opinião do nosso maior carnavalesco, “o Ministério Público tem a obrigação de abrir processo contra todos os ladrões do dinheiro público, especialmente contra estes que agem com completa desfaçatez, praticando esses crimes inacreditáveis como corruptos e corruptores”.

Sobre as manifestações públicas o “General da Banda” afirma que elas são importantes, mas devem ser vistas com cuidado pela população, “porque nesta hora tem muita gente interessada em manipular a opinião pública, em aproveitar o sentimento de repulsa popular para aparecerem na televisão, para tirar proveito político próprio ou para seus partidos”.

Continuando com suas observações, Manelão afirma que “os rondonienses estão indignados tanto com os deputados e com Cassol, mas nem por isso não deixa de aparecer, nestas manifestações pessoas tentando mistificar essa realidade, como se apenas um lado estivesse sendo o motivo da ira da população. Tem muita gente ligada às siglas que já estão agindo pelas tentações eleitorais ou favor da parcialidade de caráter partidário”, destacou.

UM POUCO DE HISTÓRIA


A atual geração política rondoniense que passa agora a ser motivo de escárnio na opinião, nasceu de um processo onde a corrupção, com a compra de votos, foi um fato notório. Manelão revolve suas reminiscências para contar que em 1982 o povo de Rondônia elegeu Múcio Athaide deputado federal, dentro de um processo descarado de compra de votos. O povo vendeu seus votos para “aquele paraquedista que só veio aqui comprar um mandato a troco de chapéus, vestidos de noiva, etc”. Múcio nunca voltou ao Estado e quando foi procurado por rondonienses deixou claro que não tinha obrigações com o Estado, porque tinha comprado por bom preço o mandato que desfrutou em Brasília.

Outro fato arquivado nas reminiscências de Manelão traz a tona a atuação da ex-deputada federal Raquel Cândido. “Ela espalhou pela mídia do Brasil que mais de 90% do povo de Rondônia estava ligada ao comércio da droga. E isso ela falou num momento em que o país estava estarrecido com as acusações contra a chamada bancada do pó. Eu sei que tive de viajar para o sul do Brasil e fui, por diversas vezes, constrangido com perguntas do tipo você é de Rondônia? Mas você não mexe com drogas, mexe?”.

Na opinião do chefe da Banda do Vai Quem Quer é preciso adotar no Brasil uma série de medidas para coibir esta situação. Uma delas, afirmou, é o voto facultativo. Outra seria punir de forma severa, apagando até o CPF dos políticos corruptos, para que eles não voltassem à vida pública. Se não, “você vai continuar vendo gente como o tal do Jader Barbalho ganhando imunidade e nunca pagando pelas corrupções praticadas”.

Para concluir Manelão explicou que mesmo com punições mais duras “a falta de vergonha não vai desaparecer”. Nos países “onde cortam a mão de ladrões sempre tem novos manetas, mostrando que a coisa é difícil, mas com penas duras com certeza a situação melhora”, finalizou.

Foto: Aldrin Willy


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