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Porto Velho,  seg,   24/junho/2019     
entrevista

Entrevista exclusiva: Gaudêncio Torquato: “O assessor trabalha como se tivesse obrigação de exaltar o dirigente, deputado, prefeito, governador”

3/7/2005 15:29:44
Por Aldrin Willy
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Em entrevista exclusiva a Imprensa Popular, o jornalista e professor catedrático da USP, Gaudêncio Torquato, avalia a situação das assessorias de comunicação do poder público, no Brasil e em Rondônia. Para ele, os assessores governamentais ainda pensam que seu papel é “enaltecer o dirigente”. 



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Parte dos eventos do “1° Congresso de Comunicação da Região Norte”, organizado por Frederico Perillo, a palestra do jornalista e professor Gaudêncio Torquato, na quinta-feira (9), foi uma das duas de maior destaque. No dia seguinte (10), quatro horas antes da programação, foi a vez do célebre repórter Ricardo Kotscho – hoje consultor e ex-assessor especial do presidente Lula da Silva – falar aos congressistas.

Gaudêncio, além de professor catedrático da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), é considerado o maior especialista em marketing institucional do país. Também atuou como jornalista nas mais importantes publicações brasileiras (chegou a ganhar o Prêmio Esso de Jornalismo em 1966) e hoje escreve regularmente para, entre outros, O Estado de São Paulo e Jornal do Brasil.


PUXAÇÃO DE SACO

Na palestra, Gaudêncio Torquato explicou pormenores de sua tese sobre como deve se comportar a assessoria institucional, tanto para órgãos públicos quanto privados. Um traço dessa postura, conforme Torquato, não é seguido pela maioria das assessorias do setor público no país: mais que aos chefes, seu trabalho deve atender ao público. Essa falha, como Torquato disse a Imprensa Popular, consiste num dos maiores defeitos das assessorias de órgãos públicos.

O maior deles “é não ter uma compreensão adequada do conceito de marketing institucional e, ainda mais, é não ter uma preocupação com as demandas sociais”, disse. E completou:

— Na verdade, existe uma preocupação muito grande em enaltecer o dirigente, sem observar que há outros eixos conceituais que podem ser trabalhados: conceito de pesquisa, construção do discurso, priorização de fatos. O assessor geralmente se limita muito, trabalha como se tivesse uma obrigação de exaltar, de louvar o dirigente, ou seja, o deputado, prefeito, vereador, governador, enfim, sem essa visão de mudança que está ocorrendo na sociedade brasileira.


CULPA DA ESTRUTURA

A culpa não é só do assessor, diz Gaudêncio. O problema se dá por “culpa da própria estrutura do serviço público que não despertou ainda para a necessidade de uma revolução da gestão”, afirma.

Mas há solução: dirigentes mais preparados e assessores competentes. Para tanto, Gaudêncio recomenda aos primeiros “passar a limpo os modelos administrativos”. Aos últimos, “voltar para os bancos escolares para fazer cursos, não apenas na área de comunicação – na de Economia, Ciências Políticas – para que possam compreender, de maneira mais adequada, o que está se passando na sociedade, e procurar novos conceitos para incorporar no dia-a-dia da comunicação do Brasil”.


NA CRISE DE LULA: CADÊ O DUDA?

Perguntado sobre como está sendo a resposta da assessoria do presidente Lula a crise gerada pelas denúncias do deputado federal Roberto Jefferson – ele afirmou que o PT pagava mesada de R$ 30 mil a deputados da base aliada em troca da aprovação dos projetos do governo –, Gaudêncio Torquato responde, enfático, numa palavra: “Fraquíssima!”

E aproveita para alfinetar um dos gurus de Lula, o publicitário Duda Mendonça:

— É engraçado, o Duda Mendonça é considerado o ‘mago’ da publicidade, então, cadê o Duda Mendonça?! Ele só sabe fazer publicidade e nesse momento não é publicidade que interessa, é verdade. O Duda trabalha com ficção [risos], com invenção, com cosmética, com ‘firulação’... E nós estamos querendo ver no Brasil hoje realidade, verdade, informação concreta.

Na opinião do especialista, “a assessoria de comunicação do governo, limitada ao André Singer, precisa ser mais ativa”. “Por exemplo, o presidente Lula deu uma entrevista coletiva só, quando essa atividade deveria ser freqüente... Então o governo Lula é um governo em que ele fala muito, mas o governo dele fala pouco”, completa.

REAÇÃO DA ALE

Durante sua palestra, em certo momento Torquato disse que, quando no hotel zanzava pelos canais da televisão local, sintonizou a TV Assembléia e ficou impressionado e ao mesmo tempo “sem entender” o que viu: deputados ‘falando’ como mudos. Explicou: o canal estava sem áudio. “Eu senti que ali havia uma preocupação dos atores políticos em não querer se expressar”, revelou.

No entender de Gaudêncio, para fazer frente à crise de credibilidade que vive, a Assembléia deveria “encher aquela televisão de fatos que pudessem impactar a sociedade”.

— Se os deputados não querem falar porque estão constrangidos, que se use aquele espaço para falar de reforma política, de costumes, levar lá presidentes de sindicatos, federações para falar sobre o desenvolvimento de Rondônia, quais os grandes problemas de Rondônia e não para a gente ver um desfile de pessoas falando sem áudio. Ou seja, utilizar o espaço – que é nobre – para que os problemas do Estado sejam apresentados, senão por deputados, por outros atores da gestão, empresários, dirigentes.


IMPRENSA COMPRADA

Gaudêncio Torquato falou ainda da relação promíscua que vive a imprensa, como disse, “em Estados mais atrasados do Brasil”. Ele afirma que “a imprensa em algumas regiões se subordina em função da publicidade”.

Segundo Gaudêncio, os governos não devem buscar uma relação de promiscuidade com os meios de comunicação:

— Ninguém deve procurar fazer da imprensa uma extensão da expressão oficial. É preciso respeitar os espaços da imprensa, sob pena de termos aí uma ditadura, vamos dizer assim, da gestão governamental sobre os meios de comunicação. Não se admite isso, não se admite.


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