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Porto Velho,  sáb,   4/abril/2020     
reportagem

Maioria procura a biblioteca só para realizar pesquisa escolar

19/7/2005 21:23:58
 
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Os rondonienses, como de resto a maioria esmagadora do país, não têm o hábito da leitura. No período das férias escolares, cai o fluxo de pessoas nas bibliotecas. 


 Enquanto se discute a expansão das universidades públicas no país, uma questão de base persiste em atormentar os brasileiros: a falta de leitura. De acordo com uma pesquisa divulgada, semana passada, pela consultoria americana NOP World, o tempo dedicado à leitura é a metade do tempo gasto em frente ao computador, ou seja, os brasileiros lêem 5,2 horas por semana, colocando o país no patamar do 27º lugar da lista liderada pela Índia, enquanto que, passam 10,5 horas on-line, pontuando o Brasil no 9º lugar no ranking. Essa análise pode enfatizar uma afirmação antiga: os brasileiros continuam lendo pouco.

SEM DADOS OFICIAIS
Rondônia não possui dados oficiais nesse sentido, mas a comprovação da pesquisa pode ser conferida num simples visitar das bibliotecas e bancas de revistas de Porto Velho.
Nas bibliotecas públicas os registros mostram que poucos são os interessados em livros culturais, ou que fazem parte da chamada literatura brasileira e mundial. A leitura, por muitas vezes, é feita de forma forçada, somente para fins de trabalhos escolares. Virou clichê, mas realmente os rondonienses, como os brasileiros, não têm o hábito de ler, mesmo que a Internet seja uma boa opção de pesquisa, estudo e leitura. Apesar do grande percentual de tempo em frente ao computador, poucos têm acesso e o analfabetismo digital ainda é uma constante.
Dados colhidos na Biblioteca Pública Municipal Francisco Meirelles, a mais importante de Porto Velho, apontam para uma freqüência média de 200 pessoas por dia, a maioria de estudantes fazendo pesquisa de tarefas escolares. Esse número, como afirmou uma fonte da biblioteca, tende a aumentar na temporada de exames e de concursos públicos.
Uma bibliotecária afirmou que a Francisco Meirelles poderia receber, sem problemas, mais do dobro do número de consulentes, “já que estão disponíveis diversos tipos de livros, variando desde publicações para vestibulares até os mais sofisticados. A procura ainda deixa a desejar. Não temos o hábito da leitura. Deve-se trabalhar bastante em casa e na escola para que possamos desenvolver o gosto de ler”, assegurou.
A fonte ouvida por Imprensa Popular afirmou que nessa temporada do ano, na qual os alunos estão de férias escolares, o fluxo no estabelecimento deveria aumentar, já que o livro é considerado um canal de diversão, porém acontece o contrário, a procura diminui, confirmando que muitos procuram a biblioteca somente para realizar trabalhos didáticos.
As bancas de revistas também evidenciam que a boa leitura fica à margem dos grandes livros e do público massificado. As principais vendas giram em torno de revistas de fofocas e eróticas, mesmo assim, a saída não é a esperada, se comparado com o potencial de porto-velhenses alfabetizados.

DIFICULDADES DE ACESSO
O preço dos livros, a leitura rebuscada, a falta de acesso aos livros e ao computador, além de incentivo e da desqualificação do ensino educacional são alguns dos fatores elencados por professores, diretores de bibliotecas e até escritores. “O acesso é difícil no país por questões financeiras e em decorrência do analfabetismo. A solução está na escolaridade, na ampliação de bibliotecas públicas e no incentivo quando criança. Aqui em Rondônia o número de bibliotecas é insuficiente”, opinou o jornalista e poeta Adaídes Batista (o Dada), que recentemente lançou seu primeiro livro.
O jornalista chega a comentar que o desinteresse pela leitura “deveria ser encarado como uma séria questão social”, levando os dirigentes públicos a executar programas que desperte no povo o gosto pela leitura. “É claro que tanto a família quanto à escola são responsáveis pelo incentivo à leitura. Ao meu ver, a escola tem um papel decisivo e próprio que precisa ser mais trabalhado”, destacou.

CULTURA INÚTIL
Uma pesquisa nas bancas de jornais sobre as publicações mais vendidas mostra logo que mesmo os cidadãos com acesso à leitura preferem, em sua maioria, a chamada “cultura inútil”, procurando o caminho das revistas supérfluas.
Mesmo dispondo de livros educativos de grandes autores da literatura mundial, em uma banca de revista localizada no Centro de Porto Velho, a jornaleira frisou que a falta de hábito de ler dos rondonienses faz com que os bons livros fiquem empilhados nas prateleiras.
A comerciante disse que as revistas tipo Caras, Tititi ou Contigo são as mais procuradas. “Sei que são revistas com um texto mais fácil do que os livros, mas não acrescentam muita coisa. O problema está no que lemos, pois tem leituras que não nos leva a pensar, a criticar, a ler com olhos mais atentos. Mesmo lendo revistas de fofocas, são poucos os que procuram nossa banca. Os sergipanos não lêem e a maioria que tem condições de comprar livros está procurando a Internet”, avaliou.

LIDERANÇA
Imprensa Popular lidera o índice de leituras entre os periódicos da Capital. Os principais diários que circulam em Rondônia têm uma vendagem mínima nas bancas.
São os jornais alternativos os mais lidos atualmente, principalmente por adotarem o sistema de circulação dirigida. No ranking dos mais lidos a liderança é deste jornal, “porque distribuímos, gratuitamente, 98% da nossa tiragem”, explica o editor Gessi Taborda.
Imprensa Popular é distribuído maciçamente no segmento universitário, atinge praticamente 70% do segmento empresarial (lojas e serviços) e chega a 90% da classe política e dirigente do Estado.
Mesmo com toda essa penetração, o que por si só garante a Imprensa Popular a condição de excelente mídia para o mercado publicitário, o jornal continua enfrentando dificuldades econômicas para se manter: “Os anunciantes de Rondônia ainda não chegaram ao estágio de compreender a importância de veicular seus anúncios nos veículos que detém a maior credibilidade junto à opinião pública. Preferem a mídia mais glamurosa, onde suas mensagens não são fixadas e suas marcas não ganham o prestígio necessário ao aumento das vendas”, explica Taborda, para completar que “isso também é uma questão cultural da cidade”.


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