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Porto Velho,  sáb,   11/julho/2020     
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Cenário sombrio na política do Estado

19/7/2005 21:59:52
Imprensa Popular
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Em Rondônia, a crise passa do campo político para a órbita dos negócios e da produção. 


 Todos os cenários que se descortinam para a política de Rondônia são sombrios. Comecemos pelo do Poder Legislativo, onde uma Comissão Temporária insiste em levar até o fim a investigação sobre deputados mostrados na televisão com a boca na botija, dentro do escândalo das propinas. A investigação terminará – se terminar – sem provocar maiores efeitos, principalmente pelo denunciado envolvimento dos membros da tal Comissão no escândalo revelado com a ação da polícia federal – as folhas dos “gafanhotos”.

Mesmo diante de todas as evidências mostradas ao Brasil nas fitas de vídeo gravadas pelo governador Ivo Narciso, não será mais a tal Comissão, com seus integrantes sob suspeita no escândalo das folhas paralelas de pagamento dos “gafanhotos”, que terá as condições para propor as punições – sobretudo a cassação – dos colegas integrantes do “Escândalo das Propinas”. Os membros da Comissão Temporária estão sob suspeição. Dificilmente haverá cassações ou afastamentos. Até a proeminente deputada Hellen Ruth deverá escapar das retaliações de seus “nobres” colegas.

Em termos do Executivo, a artimanha do governador gravando as cenas veiculadas na Globo mostrando os deputados no papel de garimpeiros da propina, de pouca serventia será para livrá-lo das denúncias de corruptor. Sem querer, Narciso produziu uma peça no estilo do realismo fantástico, na medida em que gravou a si mesmo confessando que distribuia para alguns deputados um mensalão de R$ 20 mil e se dispunha a comprar apoio de outros parlamentares. A justificativa de que tudo não passava de simulação tem o mesmo efeito de conto da carochinha nas esferas do Judiciário e da política do andar de cima. O povo não acredita mais em virtude e zelo na gestão do dinheiro público em Rondônia, por parte de seus agentes públicos.

O desgaste do Parlamento é inevitável, e a imagem de Ivo Narciso também ficou turvada. Esta situação reduz as chances de reeleição de todos os personagens da política rondoniense, mas no caso dos deputados estaduais e do governador, a situação é muito pior, pois os mesmos não serão poupados pelos adversários.

Ivo Narciso Cassol ainda tem chances – mesmo sofrendo um possível afastamento em virtude do processo que poderá responder no STJ – de terminar o governo. Se conseguir essa façanha (pois não correrá mais o risco de uma cassação pelo Legislativo rondoniense), não aliviará as tensões políticas estimuladas pelo próprio e terá mais o mesmo crédito popular que o levou ao tão ambicionado cargo. Os eleitores, em sua maioria, irão para as urnas de 2006 frustrados e enraivecidos com os seus representantes políticos.

Isso poderá dar margem a facilidades para aventureiros endinheirados, capazes de verbalizar um discurso antipolítico e fixar uma imagem outsider na disputa de 2006. Num momento de depressão coletiva, como o vivido agora pela opinião pública rondoniense, com a política e os políticos, qualquer um nome fora dessa roda pode atrair para si a simpatia da opinião pública, no chamado voto de protesto.

A crise rondoniense não ficou estacionada na política. Seus reflexos no mundo dos negócios e da produção são visíveis, sem o viés de recuperação em curto prazo. Assim que ela explodiu no Fantástico, um empresário local anunciou o cancelamento de um shopping projetado para a Jorge Teixeira. Ora, vários outros projetos de investimentos certamente foram arquivados. Certamente este será o comportamento do governo federal, através de suas agências de fomento.

Quem, em sã consciência, colocaria seus milhões num Estado que passou a ser conhecido em nível de Brasil por “Roubônia”? A economia de Rondônia está paralisada. Isso é visível nas lojas vazias, na falta de obras de infraestrutura, no desemprego cada vez maior, nos péssimos índices de inclusão social.

Os agentes econômicos não confiam em administrações que não são ouvidas pelo centro decisório do país, não confiam – e com razão – num estado cuja classe política é tratada até com insultos por membros do Congresso Nacional, mesmo quando os registros de corrupção pipocam no centro das decisões políticas e econômicas do Brasil.


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