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Porto Velho,  seg,   6/abril/2020     
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Juventude encurralada no desespero

19/7/2005 22:02:11
Imprensa Popular
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Com Ivo, uma máxima se reafirmou: nada pior em política do que a família e amigos. Narciso Cassol não teve ninguém para evitar que seu governo metesse em confusão. 


 Desde o momento em que assumiu o governo rondoniense Ivo Narciso comete erros políticos irremediáveis. Ao tomar assento no gabinete mais importante da chefia rondoniense, deixou claro sua inapetência para a abertura do diálogo e sua complacência para com os antigos “amigos” de Rolim, incapazes de confrontar (ou mesmo discutir) qualquer método ou desejo do “chefe”.

Esse método monárquico de dirigir o Executivo levou o governador a esse personagem que hoje se debate em crises sucessivas. Cassol é, indubitavelmente, uma sombra do governador que iniciou sua gestão com um amplo apoio popular, como um símbolo que estabeleceria um divisor de águas na administração desse jovem estado.

A soma de equívocos na condução política do governo poderá fazer com que a perspectiva de reeleição tranquila torne-se uma operação complexa e de resultado duvidoso. As decepções com Cassol significam para muitos um triste adeus às ilusões.

Ivo começou a governar de uma maneira simplória, bem digna do provincianismo de seu feudo em Rolim de Moura. Distribuiu sinecuras aos parentes e amigos incompetentes, esquecendo-se da máxima de que nada pior em política do que a família e os amigos. Que amigos! Não demorou muito e um deles já mostrava como o futuro político poderia ser comprometido. Isso aconteceu com Miguelzinho Sena, sem a mais elementar formação técnica para conduzir a complexa pasta da Saúde, de onde saiu sob várias acusações de desvios e abusos na gestão do dinheiro público.

Pela sua passagem na chefia da Secretaria de Estado da Saúde, Miguelzinho teve os bens bloqueados pela Justiça, em sentença do Juiz Glodner Luiz Pauletto, da 2ª Vara da Fazenda Pública, “como caminho viável para a decretação da perda total dos bens”, sanção que poderá vir a ser adotada no decorrer da ação. Os bens desse personagem do governo de Narciso estão indisponíveis desde dezembro do ano passado.

Mas o governador – como é de seu feitio – não deu importância a esta manifestação do Judiciário e preferiu deixar o barco seguir. Acabou colocando o amigo, derrotado nas eleições municipais ao disputar a prefeitura de Guajará-Mirim, na presidência da mais importante estatal rondoniense, a Companhia de Águas e Esgotos – Caerd. O governo de Ivo Narciso está repleto de personagens similares.

A operação de clientelismo levada a efeito neste governo, permitiu a agregação de personagens sem nenhum lustro profissional, compromissados apenas com aquilo que tanto encanta o “dono” do Poder: o puxasaquismo e lealdade cega aos seus desígnios. Daí a justificativa para a colocação de tantos incompetentes num governo estadual.

Da posse até agora, Ivo Narciso só teve o advogado França Guedes que buscava evitar – com opiniões conflitantes – que o governador se metesse em confusão. Por isso, certamente, durou pouco tempo no cargo.

Durante a campanha Cassol procurou defender com ênfase os valores da moralidade e da ética. Conquistou boa parte do eleitorado quando prometia mandar para a cadeia personagens que nos governos anteriores traíram estes valores e mesmo assim permaneciam dando as cartas na administração pública. Pelo contrário, Narciso aproximou-se até daqueles que prometia mandar para o “Urso Branco”, quando assumisse o governo.

O fracasso da composição política de Ivo Narciso errou pela falta de uma coordenação política competente, pela modelagem equivocada lastreada no nepotismo, pela ausência de compromissos com programas de desenvolvimento social, pela procura de um governo hegemônico do interior, que esqueceu a importância da coalizão, essencial para quem nunca teve uma base de sustentação representativa.

Foi, desde seu princípio, um governo antidemocrático, de força, fazendo inimigos em todos os segmentos independentes do Poder enquanto buscou adesões lunáticas, interessadas em garantir um quinhão do butim agora revelado. Agora todo mundo percebe que o governo de Ivo Cassol vive o maior momento de descrédito e suspeita. A não ser quem continua levando vantagens como integrantes do baronato do serviço público, ou como fornecedores privilegiados de produtos e serviços, continua botando fé nesse gestor da coisa pública.

Todo mundo sabe que o governo não tem mais estatura para levar a frente qualquer programa de desenvolvimento do Estado. Não tem como mobilizar o povo, não tem estofo para modificar o viciado sistema político rondoniense. Subjugando Rondônia à sua opção de governo, o senhor Ivo Narciso Cassol vai contribuir apenas para aumentar o retrocesso do Estado, penalizando os milhares de brasileiros cansados de sofrer o reflexo da humilhação a que Rondônia está submetida.


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