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Porto Velho,  sex,   15/janeiro/2021     
reportagem

Corrupção: ninguém fala mais do homem intocável

1/8/2005 02:30:08
 
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A grave acusação feita pelo deputado Ronilton Capixaba, apontando a empresa de vigilância privada Condor como dinheiroduto por onde jorrava parte da grana que alimenta a corrupção política rondoniense parece que não incomodou nenhuma autoridade do Estado. 


 No meio das labaredas que andam devorando reputações de pessoas chafurdadas no pântano lodoso da corrupção rondoniense há um punhado de homens tratados como intocáveis pela mídia, mesmo sendo eles estimuladores da curiosidade popular, servindo para alimentar comentários de bastidores e desconfianças transmitidas em off. O acordo do silêncio ainda predomina nos altos escalões institucionais, como se fosse o código da “omerttá”.

É isto que se depreende das reações de absoluta calmaria destes escalões diante da denúncia feita recentemente pelo deputado Ronilton Capixaba, quando inquirido por membros da chamada Comissão Temporária do Senado, criada para investigar a corrupção rondoniense. O parlamentar, acusado de integrar o grupo dos “propineiros”, apontou o setor da segurança privada como um dos principais canais de drenagem de dinheiro público para o atendimento da voracidade dos corruptos.

Mais especificamente, ao abrir o bico, o parlamentar (certamente procurando salvar sua própria pele) apontou a empresa de vigilância Condor como o meio mais utilizado para atravessar dinheiro extraído do erário em favor de políticos e outros personagens que ao longo do tempo se beneficiaram da corrupção, enriquecendo-se rapidamente. A não ser uma pequena notícia de que, em virtude dessa denúncia do parlamentar, poderia ocorrer uma acareação entre dois personagens conhecidos (Ayres do Amaral e Expedito Júnior, este presidente regional do PSDB) poderia ocorrer, em Brasília, nada mais se falou sobre as revelações comprometedoras.

APURAÇÃO DOS FATOS

A revelação do mar de lama rondoniense iniciada com a veiculação das cenas chocantes e explícitas das relações promíscuas de políticos com o Poder na televisão, abriu um momento decisivo para a história do Estado, que poderia facilitar a revelação também de toda a lama antiga das negociatas do governo com a iniciativa privada, coisas tratadas publicamente, mas de forma superficial.

Aquilo que o deputado Ronilton contou na esperança de mostrar que a corrupção não é uma prática exclusiva de parlamentares é, na verdade, uma coisa que sabemos, todos, que sempre ocorreu em praticamente todos os escalões da gestão pública. A maioria daqueles que governaram Rondônia, desde sua emancipação como Estado, perderam a oportunidade de fazer política decentemente. E, assim, criaram a turma da pesada, da mesada, do achaque, das negociatas, dos privilégios e do assalto. E dessa turma surgiram os intocáveis, pessoas que vicejam fortes no meio dessa imundície que ninguém interessa em ver apurada.

O ACORDO DA MÍDIA

A chamada grande mídia de Rondônia sempre soube fazer acordos para abafar as suspeitas em torno das velhas raposas que se beneficiaram de cargos políticos ou do tráfico de influência para, em negócios venais, beneficiarem a si próprios em prejuízo da coletividade. Tudo sempre esteve nos conformes se, esta mesma mídia, garantiam para seus donos uma grande fatia do botim.

No caso dessa tal de Condor, com relações no mínimo suspeitas que atravessam vários governos, as denúncias do parlamentar deveriam ganhar notoriedade, trazendo para a mídia mais do que os dois personagens intocáveis que poderão passar pelo processo de acareação. Falta colocar o nome de um ex-delegado de polícia, ligado à tal empresa, que ficou tão rico a ponto de surpreender os próprios colegas de profissão por tão rápido progresso.

Acontece que a mídia local não tem capacidade para desempenhar o papel investigativo e muito menos interesse em demonstrar que este estado terceirizador é muito mais corrupto do que um estado realizador. Os principais veículos da mídia local estão nas mãos de clãs engordadas no lodo. Gente que vendia tapete e montou, sugando o erário, impérios pessoais. Se hoje a maior parte desses impérios estão ruindo foi em função da gestão perigosa de seus “capos”.

SUSPEITAS JUSTIFICADAS

Entre os delegados de polícia com maior tempo no exercício da função em Rondônia, há uma idéia generalizada de que são plenamente justificadas as suspeitas de que “aqueles que ficaram milionários” nos últimos 20 anos não têm como esconder de onde veio tanta prosperidade: das relações promíscuas com o núcleo do Poder. Certamente receberam tratamento especial para se converterem em atravessadores de propinas, tipo de esperteza denunciada pelo deputado Ronilton Capixaba.

Como explicar, por exemplo, a história de um personagem com estas características, ligado ao tal segmento da vigilância privada, mais precisamente à empresa sobre a qual o deputado pôs a boca no trombone? A pergunta é feita por vários delegados, ouvidos em “off” por Imprensa Popular, no sentido de entender esse “dom de Midas” do personagem.

Em 1984 ele chegou aqui, vindo de Brasília (DF), onde era apenas um sargento. Veio em decorrência de aprovação no primeiro concurso público realizado em Rondônia para contratação de delegado. Nem bem chegou e já foi indicado para diretor da Regional de Guajará-Mirim, entrando por cima. Ali começava a blindagem desse personagem, exatamente na área da “branca pura”.

CARREIRA METEÓRICA

O grupo dos intocáveis não é grande, principalmente no segmento da Segurança Pública. Alguns, depois de anos fazendo o real papel do delegado de polícia, o máximo que conseguiram foi a simples aposentadoria e uma vida pequeno burguesa. Poucos, pouquíssimos mesmo, se distinguiram na relação dos mais ricos do Estado, como o personagem ligado à empresa denunciada pelo deputado Ronilton Capixaba.

Como um dos favoritos da corte, o ex-sargento de Brasília chega a Rondônia e entra logo num cargo de direção. Fica algo em torno de seis meses em Guajará-Mirim (portal de entrada de contrabando e drogas), volta para Porto Velho e assume logo um outro cargo estratégico na estrutura da Segurança, ou seja, o DI – Departamento de Informações. Na época era governador de Rondônia, Ângelo Angelin, que sucedeu o último governo militar rondoniense, o coronel Jorge Teixeira.

Ficou na função em torno de um ano. Dois anos depois de ter se integrado ao setor de Segurança Pública do Estado, ai já no governo de Jerônimo Santana – quando Ayres do Amaral deixou a condição de pobretão de Ji-Paraná para se transformar num homem forte do governo – o personagem galga novos degraus e torna-se Secretário Adjunto da Segurança Pública, secundando Eurípedes Miranda Botelho, então o titular da pasta.

Miranda, com o apoio de Jerônimo, vira deputado federal, em 1990. Ai, o adjunto torna-se o titular da pasta. Chegou, como ainda hoje comentam profissionais do setor, ao topo da carreira sem praticamente ter trabalhado numa delegacia, sem ter de enfrentar as dificuldades dos inquéritos, das investigações.

Ninguém entende como foi possível crescer tão rápido, entrar na carreira e passar praticamente todo tempo em gabinetes burocráticos, sem ter de enfrentar o trabalho de campo ou agitação dos distritos policiais.. Até aquele momento o personagem dessa história era pobre. A coisas mudariam rapidamente quando este personagem cruzou o seu caminho com as figuras ligadas à Condor.

Até 1995 nosso personagem ainda era delegado. É claro que não freqüentava, há muito tempo, nenhum distrito policial. Já era “empresário” e atuava junto com outros figurantes de alta mobilidade dentro do governo do Estado.

O GRANDE NEGÓCIO

Ayres do Amaral chegou a Porto Velho sem eira e nem beira. Veio integrar-se ao governo, quando o PMDB assumiu o comando rondoniense. Sem maiores títulos, Ayres percebeu que a política pode ser um grande negócio, até para quem não tem mandato. Dificilmente podem existir canais para conseguir maior rentabilidade do que os que garantem negócios especiais com o governo.

Quem consegue manter relações patrimoniais e clientelistas com o governo, especialmente num quadro de precariedade das instituições, acaba levando enormes vantagens quando participa da rede de suborno e corrupção que atravessa o Estado. Foi com muita influência e esquemas privativos do baronato do serviço público que uma mera agência de vendas de passagens fez a fortuna do mais esperto.

Também foi assim que os personagens dessa novela mafiosa ganharam a hegemonia e controle da prestação de serviços de segurança privada aos órgãos públicos do Estado. A Condor tornou-se o nome forte de seu segmento.

Agindo, como denunciou o deputado Ronilton Capixaba, como o canal de pagamento do mensalão a políticos de Rondônia, ela transformou seus “intocáveis” tão fortes, financeiramente falando, que nem mesmo os sistemas mais fortes de investigação teve coragem de quebrar-lhes a blindagem. Afinal, dinheiro é decisivo para ganhar as eleições e manter o poder.


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