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O alto preço da corrupção

1/8/2005 02:58:41
Séfora Gelbcke
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O corrupto é mais nocivo para a sociedade do que um criminoso. 


 Em razão dos acontecimentos das últimas semanas, tais como “mensalão” e “cuecão”, ficamos pensando em qual o preço que a sociedade paga por estes atos de corrupção que desviam milhões de reais que deveriam estar sendo empregados em prol do interesse público. A revista “Veja” (edição 1.913) estima que somente as falcatruas envolvendo Marcos Valério já somam mais de R$ 2 bilhões. Imaginem todo o resto da corrupção que provavelmente nunca chegaremos a saber!

Muitos se comovem ao ver corruptos algemados e acham que este tratamento deveria ser dispensado apenas aos bandidos e assassinos. No entanto, essas pessoas esquecem que o corrupto é muito mais nocivo para a sociedade do que um criminoso. Aliás, o corrupto é um autêntico criminoso, pois desvia os recursos que deveriam estar sendo empregados na saúde, na educação, na construção de estradas etc., contribuindo, desta forma, para a morte e sofrimento de muitos brasileiros.

Revolta saber que milhares de brasileiros morrem anualmente nas estradas, em razão dos constantes acidentes de trânsito. No entanto, dói ainda mais saber que essa situação poderia ser amenizada se o dinheiro desviado pela corrupção que assola o País fosse empregado no incremento do sistema viário. Todos sabemos da situação caótica em que se encontram as estradas federais, nas quais morrem milhares de pessoas por ano. Segundo dados da Polícia Rodoviária, em 2003 houve 177.622 acidentes somente nas estradas federais brasileiras, com 5.780 mortes.

Outro caso alarmante é o da saúde e dos hospitais públicos. São constantes as notícias de pessoas morrendo por falta de leitos e medicamentos. Como seria bom se esses bilhões de reais desviados pelos corruptos fossem empregados na saúde. Quantas vidas poderiam ser salvas, quantas crianças deixariam de morrer por falta de atendimento médico, quantos idosos poderiam ser mais bem atendidos? Cada paciente que morre por falta de atendimento médico, ou em decorrência de falta de leitos, ou, ainda, de medicamentos nos hospitais públicos é de responsabilidade do corrupto na mesma proporção em que o valor desviado seria suficiente para salvar a vida dessa pessoa.

Você sabia que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, o Brasil é o País que mais cobra impostos sobre alimentos, incluindo países ricos e emergentes? A carga tributária no Brasil, sobre alimentos, é de 18,35%, contra 9,75% nos Estados Unidos. Aliás, o Brasil ostenta uma das mais vorazes cargas tributárias do mundo e mesmo assim não conta com escolas decentes, hospitais suficientes, viadutos como nos países ricos, um sistema previdenciário eficaz que ampare o contribuinte na velhice, etc. Tudo isso se deve ao fato de não termos um governo sério, que não emprega o valor arrecadado em favor do interesse social, mas apenas em proveito próprio.

A burocracia também é efeito direto da corrupção, com o País pagando um alto preço por ela. Para evitar o desvio de recursos públicos, a lei tem exigido cada vez mais a formalização de documentos por parte da administração pública, o que gera uma grande burocracia e necessidade de contratação de pessoal. O Estado se tornou um fim em si mesmo. De tanta burocracia e papelada, os servidores trabalham apenas para dar conta do grande volume de serviço. O sustento dessa inflada máquina administrativa consome a grande maioria dos recursos arrecadados.

Esses são apenas alguns exemplos dos altos preços que a sociedade paga por ter um governo corrupto. Mas os efeitos nocivos da corrupção são bem mais numerosos.

O dicionário Aurélio define a palavra corrupção como “putrefação”, “decomposição”. E é exatamente desta forma que o corrupto contribui para o destino do País, ou seja, contribui para que o Brasil apodreça e se decomponha e junto com ele todo o povo brasileiro. Por esse motivo, é que o corrupto merece muito mais que uma algema – merece, sim, mofar na cadeia.


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