Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  sex,   15/janeiro/2021     
opinião

Editorial: Rotina de impunidade e hipocrisia

14/8/2005 21:20:08
Imprensa Popular
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



S√≥ a sociedade rondoniense pode, e deve, aproveitar a situa√ß√£o para depurar cuidadosamente o quadro do Estado. Se esperarmos que esta depura√ß√£o venha pela a√ß√£o das institui√ß√Ķes, vamos continuar convivendo com a tenebrosa promiscuidade entre pol√≠ticos, governo e agentes privados. 


 Certamente os rondonienses continuam assistindo uma das mais graves crises envolvendo a administra√ß√£o p√ļblica estadual, em todos os n√≠veis de suas institui√ß√Ķes. Os fatos que vieram √† tona nos √ļltimos 90 dias expuseram uma conden√°vel rotina de impunidade e hipocrisia, no relacionamento dos diversos n√≠veis de comando, destacando-se Executivo e Legislativo, que revelaram para todo o Brasil uma imagem muito ruim de nossa classe dirigente, deixando at√īnita grande parte de nossa popula√ß√£o.

Só não estamos piores na foto porque a grande mídia nacional está com seu foco dirigido para a roubalheira que abala o Brasil, envolvendo grandes partidos, mega-empresários e lideranças até recentemente tidas como sérias no cenário político do nosso país.

Mas na aparente calma do momento, com o retorno do legislativo estadual √†s suas fun√ß√Ķes tradicionais, podemos sentir as inquieta√ß√Ķes de uma popula√ß√£o ainda consternada com a sucess√£o de ocorr√™ncias esp√ļrias, porque na verdade nem se arrisca a apontar como ser√£o os desdobramentos, num m√©dio prazo, dos fatos que desnudaram o modus-operandi da estrutura pol√≠tica viciada de Rond√īnia.

Passar nosso estado a limpo √©, certamente, o desejo expresso por pessoas de todos os segmentos sociais, que n√£o se contentam com a perman√™ncia daqueles que afrontaram a √©tica e dilapidaram os cofres p√ļblicos, usando o prest√≠gio e a for√ßa de seus cargos, como se isso fosse uma coisa natural.

Alguns pol√≠ticos oportunistas ‚Äď sem a coragem da autocr√≠tica ‚Äď aparecem agora como donos da coroa da honestidade, apresentando iniciativas in√≥cuas, mas capazes de criar uma falsa expectativa junto ao pov√£o, como se estivessem fazendo alguma coisa para que a faxina aconte√ßa j√°.

A representa√ß√£o do PT da Senadora F√°tima Cleide ou mesmo a do deputado Neri Firigolo apresentada ao Minist√©rio P√ļblico objetivando o afastamento de pelo menos 22 deputados estaduais da Assembl√©ia Legislativa n√£o passa de um ‚Äútruque de madame‚ÄĚ. A aceita√ß√£o da representa√ß√£o por parte do Minist√©rio P√ļblico estadual n√£o significa muita coisa em termos do processo de depura√ß√£o esperado pelos cidad√£os rondonienses.

Enquanto os pol√≠ticos petistas ‚Äď deprimidos com a situa√ß√£o do partido em n√≠vel nacional ‚Äď tentam mudar o foco da percep√ß√£o da opini√£o p√ļblica em rela√ß√£o √† d√©b√Ęcle do PT no pa√≠s, patrocinando uma a√ß√£o que por conta da legisla√ß√£o e vigor n√£o provocar√° nem mesmo um arranh√£o contra os deputados envolvidos, pelos ind√≠cios at√© agora revelados, em atos de corrup√ß√£o, o Minist√©rio P√ļblico nada explica ao pov√£o sobre o desfecho dessa a√ß√£o.

O jornal j√° publicou pelo menos quatro vezes opini√£o de experientes juristas de Porto Velho mostrando a impossibilidade da cassa√ß√£o do mandato parlamentar por outra via que n√£o seja a do pr√≥prio legislativo. Ou seja, s√≥ os pr√≥prios deputados podem determinar a cassa√ß√£o de um membro do poder legislativo, gra√ßas √† blindagem jur√≠dica a favor da categoria. E √© claro que nas condi√ß√Ķes atuais, quando a quase totalidade do parlamento est√° sob suspei√ß√£o √© imposs√≠vel acreditar que tenham condi√ß√Ķes de fazer um julgamento de tal gravidade.

Presta melhor servi√ßo ao povo quem ‚Äď pol√≠ticos e demais autoridades ‚Äď lembrar que a grande oportunidade proporcionada pela crise est√° em estimular um debate visando a uma profunda reforma na condu√ß√£o da vida p√ļblica de Rond√īnia, pondo fim √† perpetua√ß√£o de grupos e pessoas na m√°quina p√ļblica, sem qualquer ideal coletivo, apenas com o interesse da barganha para obter benef√≠cios para si pr√≥prios e seus protegidos.

A corrup√ß√£o j√° √©, certamente, uma endemia na vida p√ļblica rondoniense. Ela, repetimos, existe h√° muito tempo. N√£o tem, √© claro, a sofistica√ß√£o daquela praticada pelos del√ļbios, val√©rios e valdomiros da vida. Ainda estamos na rusticidade das ‚Äúkentinhas‚ÄĚ, das fazendas de gado, da seguran√ßa privada, das concess√Ķes de transporte e limpeza p√ļblica, dos hospitais fajutos, dos ‚Äúgafanhotos‚ÄĚ, do nepotismo, das obras superfaturadas, etc.

A corrupção é, certamente, um dos maiores desafios que se apresentam para a sociedade rondoniense.

Deixar na berlinda apenas os deputados ou pr√≥prio atual chefe do Executivo √© quase um afronto √† intelig√™ncia dos rondonienses mais bem informados que sabem, com certeza, que a contamina√ß√£o √© antiga e atinge a maioria dos enriquecidos neste estado nos √ļltimos vinte e poucos anos.

Vivemos nos √ļltimos anos v√°rios esc√Ęndalos nunca investigados ou investigados no processo destinado ao abafa. Nunca as investiga√ß√Ķes foram levadas √†s √ļltimas conseq√ľ√™ncias, pelo menos quando envolvidos estavam os membros da alta rapinagem.

As pr√°ticas il√≠citas transformaram p√©s-rapados em donos de megastores aparelhadas para a imensa sonega√ß√£o; em donos de redes de comunica√ß√£o apropriadas √† suc√ß√£o dos recursos da vi√ļva; e muitas outras pr√°ticas viciosas que conspiram contra a boa pol√≠tica, contra a democratiza√ß√£o das oportunidades, roubando o dinheiro p√ļblico.

As puni√ß√Ķes at√© agora conhecidas foram aplicadas em bagrinhos. Os tubar√Ķes continuam aprontando inc√≥lumes. E continuam fortalecidos para provocar n√£o s√≥ abalos econ√īmicos e decad√™ncia na imagem rondoniense, visto como um estado de r√°pida deteriora√ß√£o.

E diante desse quadro de impunidade, onde sobrevivem numa boa e com poder, personagens publicamente denunciadas por degradarem a credibilidade de institui√ß√Ķes fundamentais para a consolida√ß√£o de institui√ß√Ķes fundamentais ao nosso crescimento como sociedade democr√°tica e respons√°vel, s√≥ nos resta a esperan√ßa de que o pr√≥prio povo, no duro aprendizado da cidadania, ponha fim √† impunidade e hipocrisia atrav√©s do voto respons√°vel.

Deveria ser por ai o esforço de personagens com a responsabilidade da senadora Fátima Cleide e de seus pupilos. E não com a hipocrisia de uma ação que não vai dar em nada.


Nenhum comentário sobre esta matéria