Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  ter,   15/outubro/2019     
entrevista

Cinismo, descaramento e desfaçatez obrigam Assembléia a cassar, no mínimo, Ellen Ruth e Amarildo, diz jornalista

29/8/2005 14:28:06
Por Aldrin Willy
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



Jornalista polêmico, nesta entrevista Rubens Coutinho não quebra a fama de contestador: “Não vejo outra saída para Rondônia, senão aguardar as eleições”. 



Clique para ampliar
Apesar do intenso cenário de crise política e institucional em Rondônia, o jornalista Rubens Coutinho, diretor do site www.tudorondonia.com.br, não vislumbra grandes perspectivas de mudança para o Estado.

A depuração total da crise só deve vir mesmo, na opinião de Coutinho, com o resultado das próximas eleições. O jornalista acredita que só há uma saída: a renovação completa dos quadros políticos do Estado. Mas ele mesmo reconhece que até nisso é difícil acreditar.

Reputado como um dos mais polemistas em seu meio, Coutinho está entrando para o rol dos jornalistas mais processados. E ele faz questão de contar isso no próprio site que edita, o Tudo Rondônia.

“Nenhum dos meus processos é por crime hediondo, por roubo, ou por fraude, estupro, ou por tráfico de drogas. Nada de que eu possa ainda me envergonhar”, explica. Seus processos são, como ele diz, decorrentes de sua “posição profissional”.

Sobre o caso dos funcionários fantasmas da Assembléia, investigado pela Polícia Federal, Rubens prefere “esperar para ver”, pois “não estou convencido de que isso faça parte de um “esquemão” de corrupção dentro da Ale”. Na opinião de Coutinho, a PF, ao antecipar para a Rede Globo o caso, “cometeu um equívoco”, pois além da “pirotecnia” feita pela emissora, se generalizou tudo.

Essas e outras nessa entrevista exclusiva a Imprensa Popular.

SEM SAÍDA

Imprensa Popular – Que saída você vê para Rondônia após todo esse lodaçal?
Rubens Coutinho – Não quero ser pessimista, mas eu não vejo saída para o Estado de Rondônia, a não ser aguardar a própria eleição, que eu acredito venha limpar essa sujeira que se abateu sobre o Estado. No caso do Legislativo, onde se diz que todo ele está contaminado, parte dessas investigações que estão sendo feitas pela Polícia Federal. No lado do Executivo, mais recentemente tivemos aí o governador do Estado quase tendo seu mandato encurtado pelo Superior Tribunal de Justiça [...], por supostos crimes de fraude, formação de quadrilha quando era prefeito de Rolim de Moura.

IP – A resposta que a Ale tem dado atende aos anseios populares?
RC – Estou até surpreso com o fato dessa comissão que foi feita ter chegado a alguma coisa. Chegou. Pediu a cassação de sete deputados, o que já é alguma coisa, dentro da minha expectativa anterior que era de total acobertamento. Um deles, o [Emílio] Paulista, já renunciou, temendo que poderia vir a ser cassado. Então passei a acreditar mais que a cassação dessa gente é possível.

ALE SEM FORÇA

IP – Esclarecidos os problemas que envolvem a Assembléia, a seu ver, ela terá condições políticas de novamente questionar o Executivo, inclusive propondo um novo pedido de impeachment?
RC – Não acredito. Essa Assembléia aí está contando o tempo para se renovar. Para ela recobrar um pouco de sua respeitabilidade é preciso uma mudança na Casa. É preciso tirar figuras carimbadas de lá, pessoas que, aos olhos do povo, só a citação do nome delas já soa como sinônimo de corrupção ou de falta de condições morais para estar no Parlamento. Eu citaria como exemplo, e aí não vai nenhum pré-julgamento, mas pelo que a gente já viu de cinismo, desfaçatez, a deputada Ellen Ruth. A presença dela é maléfica, é perniciosa para o Parlamento estadual. O [Emílio] Paulista era outro que tinha essa identificação com algo ruim para a Assembléia. Aquele Amarildo [Almeida] é outro descarado. Eles entendem o eleitor como sendo pessoas destituídas de qualquer julgamento crítico, sem qualquer capacidade de entender esse cinismo deles.

CULPA DO ELEITOR

IP – Esse cinismo não se dá em função do próprio eleitor, que reconduz esses políticos ao Parlamento?
RC – Isso é verdade. Está nas mãos do povo.

IP – O eleitor é aético por sempre estar reconduzindo esse pessoal?
RC – Não. O eleitor é destituído de senso crítico e de conhecimento sobre as pessoas que elege. E aí há um componente muito grande de culpa sobre a imprensa. Tirando um, dois ou três veículos de comunicação, nenhum faz esclarecimento, nenhum denuncia, nenhum acompanha a vida do Parlamento como deveria acompanhar. Você vê, por exemplo, hoje existem grupos, facções se digladiando entre si. Uns para defender o Cassol, outros para atacá-lo. Uns para defender a Assembléia Legislativa, outros para atacá-la. Mas você encontra poucos veículos de comunicação que procuram tratar o Executivo e o Legislativo com isenção.

O MAL DA IMPRENSA

IP – O cidadão comum não tem veículos de comunicação que lhe dê parâmetros para tomar uma decisão política?
RC – O maior veículo de comunicação do Estado é a Tv Rondônia, uma rede altamente alienante. Se você ver o noticiário da Tv Rondônia dá desgosto. Aquilo ali nunca que vai mostrar a realidade do Estado, mostrar quem são realmente as pessoas. Agora que tiveram algum interesse, não sei nem movido por que, nessas denúncias contra a Assembléia. Mas, ao mesmo tempo, é faccioso porque a mesma veemência que tiveram com a Assembléia não demonstram com o governador, que é tão culpado quanto os deputados. Em seguida nós temos O Estadão [do Norte], que dispensa comentários. O Diário da Amazônia pertence a família Gurgacz e também não tem essa isenção e nem deve querer. Temos aí a Folha de Rondônia que pertence ao governador Cassol. Temos o Alto Madeira, um jornal que durante muitos anos ganhou dinheiro do Poder Público e quando ele fechou as torneiras, acabou o jornal. Todos esses jornais e emissoras de tv são subvencionados pelo Poder Público, seja pela Assembléia, seja pelo governo do Estado, e até mesmo pelos dois. Então eles escondem mais do que informam. O dia que um jornal publicar o cotidiano da política em Rondônia vai haver uma revolução.

A CULPA DO JUDICIÁRIO

IP – Por que aparecem tantos escândalos, onde está o cerne do problema?
RC – Eu atribuo ao Judiciário, e à imprensa também. Mas mais ao Judiciário. Vou dar um exemplo. O escândalo das passagens ocorreu há quase dez anos, envolvendo a figura do Silvernani Santos, que era presidente da Assembléia, e do Moreira Mendes, que depois foi senador e hoje é presidente regional do PPS, por ironia o antigo Partido Comunista Brasileiro. Essas duas figuras há dez anos foram acusadas pelo Ministério Público e por uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Ale de terem desviado recursos da Assembléia. Esse processo desde então vem caminhando a passos lentíssimos e não é julgado. Isso é um fato. [...]

IP – E por que acontece isso? Como você analisa a atuação do MP?
RC – O MP com o Dr. Carlos Vitachi foi uma [boa] surpresa. Existe uma excrescência grande quanto ao MP que é o fato de o procurador-chefe ser nomeado pelo Governador do Estado, assim como acontece com o procurador-geral da República que é nomeado pelo presidente. A escolha se dá entre eles [MP], numa lista tríplice, mas a palavra final é do governador, que daqueles três escolhe o procurador-chefe. Isso cria uma expectativa no governador de que vai poder influir nas decisões do procurador. Não estou dizendo que isto aconteça de fato, mas há sempre essa possibilidade.

O Dr. Carlos Vitachi procurou fugir desse esquema, de tal maneira que vi no Dr. Vitachi uma grande independência no trabalho que ele fez no MP. [...] No âmbito do Judiciário, a gente tem percebido umas sentenças altamente questionáveis. Uma delas é essa do desembargador mandando censurar a reportagem da Rede Globo.

Que motivos levaram um grupo de 20 pessoas envolvidas em denúncias de corrupção a recorrer ao Judiciário para que ele encubra a divulgação de seus malfeitos, prejudicando dessa maneira uma população de mais de um milhão de pessoas?

Quer dizer, sobrepõe-se um grupo de 20 pessoas sobre uma população inteira.

Foto: Aldrin Willy


Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: