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Porto Velho,  qua,   26/junho/2019     
entrevista

“Nunca seja amigo de político”, recomenda jornalista veterano

25/9/2005 01:46:26
Por Aldrin Willy
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O ex-repórter da Revista Veja José Luiz Alves diz que para jornalista, políticos só servem como fonte, pois, como amigos, “eles te usam e depois te descartam”. 



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Apesar do conselho, José Luiz Alves está vivendo há seis meses em Porto Velho por sugestão de um político: o senador Amir Lando (PMDB-RO), com quem tem um bom relacionamento, “mas não somos amigos”.

A recomendação foi para um grupo de alunos de Jornalismo da Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e Letras de Rondônia (FARO), durante uma palestra na última quarta-feira, 21.

O jornalista disse: “O político, você o use como fonte. Mas nunca seja amigo de político. Porque eles te usam até onde podem e, depois, quando não precisam mais, te descartam”. Perguntado, Alves disse ter aprendido essa regra por “experiência própria, levando pancada”.

Alves iniciou a palestra contando uma história de como conseguiu flagrar uma operação da polícia envolvendo um táxi-aéreo para perseguir bandidos. A reportagem ganhou a capa do jornal Correio do Povo, onde iniciava na profissão, com as fotos exclusivas que conseguira.

O veterano usou a história para ilustrar o que ele considera uma característica fundamental em todo bom repórter: a iniciativa. “Minha professora já dizia: repórter não pode ser bunda-mole”, disse.

BONS MOMENTOS

Para Alves, o momento mais importante de sua carreira foi a cobertura do processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo. À época trabalhava para os gaúchos Correio do Povo e Rádio Guaíba.

Outro ponto alto de sua carreira, segundo ele próprio, foi a reportagem que fez para Veja sobre índios que estavam sendo dizimados pela malária em Espigão d’Oeste, em Rondônia, em meados de 1970, quando o país vivia sob o regime militar. Para chegar até a aldeia indígena, Alves cruzou num Fusca a precária BR-364, na época apenas barro e buraco, partindo de Porto Velho às 4h e chegando a Espigão por volta das 22h.

Para complementar a reportagem, Alves ouviu da FUNAI (Fundação Nacional de Amparo ao Índio) a desculpa pelo abandono dos índios: não conseguiam achar uma área para pousar de helicóptero.

A desculpa dos funcionários da Funai foi publicada na legenda de uma foto na qual o carro que trazia o repórter era rodeado pelos indígenas: “Onde a Funai não chega de helicóptero, repórter de Veja chega de Fusca”.

Isso foi suficiente para a censura da época cortar a matéria. A foto foi recortada e a legenda, excluída. Como consolo, Alves ganhou do editor da revista o fotolito (filme fotográfico da página) com a reportagem intacta, não publicada.

Alves também comentou sobre a profissão em si: “Jornalismo você tem que gostar. Encaro o jornalismo como um sacerdócio. Ninguém fica rico exercendo essa profissão”.

José Luiz Alves já foi repórter da rádio Guaíba, do Jornal do Brasil, correspondente em Mato Grosso da Revista Veja e repórter especial do SBT. O início da carreira se deu em Porto Alegre, onde começou como repórter-fotográfico do jornal Correio do Povo.

O jornalista realmente começou de baixo: foi entregador de jornais, passou por porteiro e teve o primeiro contato mais próximo com a profissão sendo auxiliar no laboratório fotográfico do jornal gaúcho.

Atualmente, José Luiz Alves atua como assessor de imprensa da Faculdade São Lucas. Também é correspondente do jornal brasiliense Tribuna do Brasil e tem um programa voltado ao campo na Rádio Boas Novas.


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