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Crítica do leitor: a filha do pastor

2/10/2005 15:20:08
Cláudio, de Fortaleza (CE)
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Mensagem enviada pelo leitor Cláudio, criticando o articulista Antônio Serpa do Amaral pelo texto reproduzido na coluna de Julio Yriarte, "O terrorismo e a filha do pastor"


 "Este Antônio Serpa [coluna “Cantinho do Menestrel”, edição 68] realmente não lê a bíblia para falar uma tremenda asneira sobre as palavras da filha de Graham... mas quem faz o homem enxergar é o próprio Deus através do Espírito Santo. Abra o coração rapaz e cuidado com o que você diz. Melhor acreditar em Deus e em suas palavras ou num pobre coitado, mortal e pecador como você?"

Cláudio, de Fortaleza, Ceará, por e-mail (claudiofortaleza@yahoo.com.br)


RESPOSTA DO JORNALISTA ANTÔNIO SERPA

Se acreditar em Deus fosse apenas um ato de fé numa entidade divina plena de virtudes e amor, a fé em si não causaria dano algum à sociedade. Todavia, não é bem assim que a banda toca.

O fenômeno da fé não se resume em “acreditar em Deus”. O crente, em regra, é submetido, através da sua Religião, a uma enxurrada de idéias, impressões, pressupostos, paradigmas, estereótipos, ritos, mitos, preconceitos, conceitos e visões que, numa palavra, resume-se a uma ideologia.

O suporte básico dessa ideologia é a visão metafísica do mundo. Enquanto as ciências fazem um esforço hercúleo para apreender os fenômenos, compreendê-los por suas causas naturais, dominando-lhes as leis e princípios, portanto conhecendo a quintessência dos mesmos, a Verdade, o crente, movido a ideologia metafísica, despreza todo esse manancial de conhecimento e passa a analisar os fenômenos da vida, inclusive os sociais, com ferramentas transcendentais.

No caso do 11 de Setembro, o olhar metafísico do crente (esclareça-se que pode ser católico, umbandista, budista, espírita ou evangélico) é de tal forma medieval que, sem pudor nenhum, ele manda às favas a Ciência Política, a História, a Sociologia, a Economia, a Filosofia, e, alienado, passa fazer deduções fantasiosas, místicas, mitológicas e pueris. Muitos deles, inclusive, sentaram em banco de Universidade.

Mas como tomados por surto de amnésia, esquecem das ferramentas racionais de investigação dos fenômenos que aprenderam, e passam a raciocinar unilateralmente a partir dos seus pressupostos transcendentais. Não todos, claro. Há uma minoria que põe cada macaco no seu galho. A Deus o que é de Deus, ao Mundo o que é do Mundo. O 11 de Setembro é um fenômeno do mundo, e o mundo pariu e municiou o homem com os apetrechos racionais, que são as ciências, para ele melhor compreender a realidade circundante.

A crença em Deus, em si, é um bem imaterial da humanidade. Mas a interpretação dos fatos da vida a partir das ideologias religiosas é sem dúvida um retrocesso. Ao conceber que todo poder emanava de Deus, a religião sustentou a ferro e a fogo os Mil Anos de Idade Média, matou 20 milhões de pessoas, perseguiu os homens de ciências, os pensadores e libertários e escravizou milhões. Deus não faz a História. Não participa dela. Não é o seu centro, nem sua causa.

E nem poderia sê-lo. Quem faz a História é o Homem. Deus possivelmente está na dimensão do mistério, da não-razão, da não-ciência, do indizível, do ilimitado, do solitário encontro do ser consigo mesmo. O herói e o vilão da História é o próprio homem. Deus, realmente não tem culpa no cartório - certifique-se, junte-se e publique-se, diria o Juízo da Razão. Responda o Homem pelos seus atos.


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