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O trânsito cada vez mais caótico de Porto Velho

17/10/2005 15:55:33
 
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Além da falta de projetos, o comportamento de motoristas, motoqueiros, ciclistas e até pedestres ajudam a conturbar o trânsito da Capital. 


 Porto Velho, quem diria, já começa a conviver com uma das pragas que só existia nas grandes capitais: o engarrafamento de trânsito. Vias como a José Vieira Caula, Calama, Carlos Gomes, Amazonas, Jatuarana e Sete de Setembro – entre outras – já apresentam em alguns trechos, notadamente nos horários de pico, grandes dificuldades para o fluxo do trânsito, demonstrando que até agora a Secretaria Municipal de Transportes não tem nenhum projeto para tornar o trânsito mais organizado e seguro.

Praticamente a Secretaria Municipal de Transito de Porto Velho nunca fez uma obra importante para melhorar o fluxo de tráfego na cidade. Sua incapacidade é tanta que nem mesmo as lombadas, muitas completamente irregulares diante do Código Nacional de Trânsito, são pintadas com tinta reflexiva ou ao menos convenientemente sinalizadas. O motorista, sobretudo aquele que não mora na Capital, acaba sendo vítima destes “monstrengos” existentes em ruas mal iluminadas que surgem diante dele como uma verdadeira arapuca. É claro que a prefeitura acaba não sendo responsabilizada por nada.

Mas se a prefeitura desrespeita o Código Nacional de Trânsito, não cumprindo suas obrigações, especialmente com referência à sinalização correta, também ajuda a contribuir com estas deficiências os próprios condutores e pedestres com o seu mau comportamento.

Quem está acostumado a dirigir em capitais como São Paulo, Rio, Goiânia, etc., quando dirige em Porto Velho descobre logo que as irregularidades e desrespeito às leis de trânsito fazem do motorista local um dos piores do Brasil, como afirmou a Imprensa Popular Jardel Sampaio, um vendedor de uma grande empresa de Campinas (SP), que periodicamente vem “fazer a praça” na região Norte.

CONVERSÕES PERIGOSAS


O motorista campineiro detalhou alguns “péssimos” hábitos dos motoristas locais. “Somente aqui eu tenho visto um negócio desse. O motorista que vai na sua frente pára de repente, no meio da rua, esperando uma brecha no fluxo contrário, para fazer uma conversão para a direita, sem se dar conta de que pode ser responsável por um engavetamento. E a maioria faz isso sem qualquer sinalização de seta ou do braço”, disse.

Para ele deveriam existir placas dizendo “onde e como poderiam ser feitas as conversões e os retornos”, porque “do jeito que esse pessoal faz, é um milagre não acontecer colisões traseiras a toda hora”.

Um outro hábito deplorável de nosso motorista apontado por este vendedor viajante de Campinas é referente à utilização das faixas de trânsito: “Aqui, se o motorista dá seta para trocar de faixa, o veículo do lado logo acelera, com o raciocínio de “por que vai entrar na minha frente?’. Também nunca vi uma cidade para se fechar tanto os cruzamentos e ninguém respeita o pedestre na travessia pela faixa”, diz. E acrescentou: “E vocês têm uma mania de só andar no meio da rua, de desprezar a faixa da direita, destinada ao trânsito mais lento!”.

A solução para estes tipos de problemas, opinou o visitante de nossa cidade, está na educação dos jovens e adultos que estão no trânsito. O problema é que a educação não parece ser preocupação nem da Semtran e tão pouco do Detran. Em nenhum cruzamento da cidade vê-se equipes trabalhando nesse sentido. Blitz educativa é coisa que não existe em Porto Velho.

OS BICHOS

Acostumado a pilotar praticamente o dia inteiro sua moto pelo trânsito de Porto Velho fazendo cobranças, João Paulo acha que a maior parte das pessoas que dirigem aqui “não estão preocupadas se a sua atitude atrapalha os outros, porque não têm consciência de que as regras do trânsito são regras de convivência”. É, por exemplo, “o cara que vai com seu carro lentamente, sem ligar para o congestionamento que provoca, sem ligar para fila que está atrás e que ele não deixa passar”.

Para ele, se “os motoristas de Porto Velho forem associados à imagem de bichos”, nosso trânsito está cheio de peruas, antas e ratos.

Com isso concorda o publicitário João, defensor de campanhas publicitárias chocantes, não só na TV mas também nos jornais, com cenas mostrando estas “peruas, antas e ratos” criando dificuldades para o fluxo do trânsito, contribuindo para aumentar o “stress” dos demais motoristas.

VAI PIORAR


O estudante Lucas Neto comentou a situação do trânsito de Porto Velho para Imprensa Popular logo depois de ter presenciado, no último dia 11, o atropelamento da anciã Maria Janete Soares do Nascimento, de 73 anos, por um caminhão Mercedes, na avenida Rio Madeira. Mesmo abalado com a cena que viu, disse não concordar com a idéia de que “o motorista de Porto Velho seja o pior do país”, porque o “número de pessoas que morrem no trânsito aqui até parece pouco”.

Para explicar, o estudante falou sobre “o malabarismo” dos ciclistas que trafegam pela rua Rio de Janeiro, disputando espaço com os veículos e “mesmo assim poucos são mortos” por aqui. O estudante concorda que “falta campanhas educativas” realmente sérias. Para ele “estas campanhas devem ser dirigidas” e não apenas divulgar frases feitas.

A cabeleireira Mara Correia dirige um Fiat Uno. Para ela “o trânsito só tem piorado e não deve melhorar”. Em sua opinião “não basta colocar polícia ou os tais pardais na rua para multar os motoristas”. Ela acha que “esse negócio de multar é para enriquecer alguém porque o povo nunca sabe onde esse dinheiro vai parar”. Também a cabeleireira defende um programa de “educação de todos os que andam no trânsito” e também a criação das ciclovias nas avenidas de maior movimento, “principalmente daqueles que ligam os bairros ao centro”.

A verdade é que se não for adotada, com urgência, uma política de trânsito para Porto Velho, proibindo o estacionamento dos dois lados e instaurando mão única em ruas estreitas e movimentadas como a Amador dos Reis (no JK); educando pedestres a usar a faixa de segurança para atravessar as ruas; desobstruindo calçadas, estabelecendo ciclovias, balizando faixas de rolamentos dos veículos, sinalizando convenientemente os locais de convenções e retornos, fiscalizando os motoqueiros que costuram perigosamente o trânsito, a situação ficará cada vez mais caótica, principalmente se houver um abrupto aumento do número de veículos quando forem iniciados os mega-projetos do tipo usinas hidrelétricas, aumentando significativamente a população da cidade.


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