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Porto Velho,  seg,   6/julho/2020     
opinião

Desarmamento é tema periférico

17/10/2005 16:11:06
Gessi Taborda (*)
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O referendo sobre o desarmamento ou a proibição do comércio de armas de fogo e munição, marcado para o próximo dia 23, é periférico, mesmo quando ligado a uma temática de capital importância, como vem a ser a violência. 


 Num país das dimensões do nosso, com os problemas sociais, políticos e econômicos com os quais convivemos sem uma perspectiva de solução de curto prazo, promover um referendo para aferir se a população deva ou não ser contra o comércio de armas de fogo e de munição parece reforçar, mais uma vez, o lado macunaímico do Brasil. Certamente que colocar como discussão maior e mais importante esse assunto, no exato momento em que nos vemos diante da mais estarrecedora crise moral dos agentes políticos brasileiros, dá-se a impressão que mais uma vez faz-se a opção pelo escapismo, para que a tal crise seja escamoteada e esvaziada perante a opinião pública, responsável até dias atrás pelo grande ibope que conseguiam as diversas CPIs em andamento no Congresso e no Senado.

Dizem especialistas ouvidos por Imprensa Popular, que em nosso país existem leis suficientes e adequadas sobre o assunto, leis que não são verdadeiramente cumpridas, como tantas outras existentes nesse Brasil onde umas pegam e outras não. Se tais leis fossem cumpridas não teríamos diante de nós a realidade de um sistema carcerário mais parecido com masmorras, de um sistema Judiciário completamente distante da necessidade da população e, por fim, de um sistema policial completamente destroçado, ineficiente, arcaico e que não consegue combater o crime com os instrumentos da era do conhecimento e da tecnologia.

Não será o referendo popular que irá modificar essa situação. Mesmo assim a cúpula das decisões do Brasil decidiu gastar um mar de dinheiro (segundo alguns esse referendo chegará próximo do bilhão de reais) para obrigar o povo a comparecer às urnas, sob as penas da lei, e votar “Sim” ou “Não”, respondendo a uma pergunta mal formulada, superficial, quando todo esse dinheiro poderia resolver problemas sociais verdadeiros que implicam diretamente na questão da violência existente no País, seja urbana ou rural.

Entendemos que o referendo poderia ter sido evitado ou adiado. Poderia ter sido realizado concomitantemente com as eleições do próximo ano. Mas se isso acontecesse não seríamos este país de Macunaíma.

O mentido e traído povo brasileiro, a juventude sem perspectiva real, a população desanimada com os despautérios da classe política, especialmente com a decepção dos desvios éticos do PT gostaria, evidentemente, de poder decidir sem a intermediação daqueles personagens especializados em trair e desfigurar, temas verdadeiramente fundamentais, como a violência, a miséria, a saúde, a educação, o trabalho e a concentração das benesses.

Até o momento – mesmo com toda a propaganda – o assunto ainda não empolgou a população e por isso vai continuar sobrando espaço para que a discussão sobre a violência continue, mesmo depois de conhecido o resultado desse referendo. Até agora a conversa em torno dessa temática vem se resumindo em como fulano o beltrano morreu ou foi assaltado, em como se tornou vítima ou vitimado.

Com uma polícia como a que temos, sem meios e preparo para a investigação científica; com um Judiciário desaparelhado em todos os sentidos para combater a maior das violências – aquelas praticadas contra a cidadania – com um sistema carcerário funcionando como faculdade do crime continuaremos convivendo com as ameaças que vem de toda parte. Deveríamos, isto sim, estar discutindo o abandono e o descuido público existentes nos bairros mais pobres, no campo, etc. É esse descuido que contribuí para o crescimento geométrico da criminalidade, da violência das ruas, dos assaltos e dos assassinatos.

Enquanto vivermos num país incapaz de tomar uma decisão em favor da Educação como prioridade das prioridades, incapaz de garantir aos cidadãos meios para que ele possa, através do trabalho honrado, cuidar de sua prole, a situação não se modificará.

Enquanto for negado ao cidadão comum os meios para um vida digna, para garantir aos que estão no topo da escala social todas as benesses, a situação vai permanecer assim com tendência a piorar. Se a grande maioria pudesse compreender que neste referendo não estamos discutindo tão somente a proibição do comércio de armas de fogo mas o tragicismo de uma sociedade que não vive em paz porque está tão socialmente dividia, o referendo poderia até ter o seu lado de conscientização coletiva, isto sim, fundamental para mudar os rumos desse país onde a esperança está imortalizada e nunca concretizada.

Mas nem por isso deve o cidadão deixar de comparecer às urnas no próximo dia 23, usando o seu poder de voto como um desabafo, mesmo sem a esperança que a violência será vencida no médio prazo.

(*) O autor é jornalista e editor do jornal Imprensa Popular.


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