Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  qui,   13/agosto/2020     
opinião

ARMAS E VIDA: A VIOLÊNCIA VAI PERMANECER

17/10/2005 16:17:30
Adolfo Modesto Gil, de Uberaba (MG)
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



Em quantas situações da sua vida você precisou de uma arma? E quantas situações você presenciou em sua vida, que poderiam ter se transformado em tragédia, caso uma arma estivesse por perto? 


 A violência não irá desaparecer com um simples referendo, simplesmente porque ela está dentro de cada um de nós.Não são somente os bandidos os responsáveis pela violência. A intenção é fazê-la diminuir. Quanto menos armas, menos assassinos. Parece claro que a tentativa de acabar com a violência aumentando a quantidade de armas é uma perigosa contradição. É a mesma insensatez de tentar apagar um incêndio usando um balde de gasolina.

Dizem que devemos preservar o direito de quem deseja possuir uma arma Então por que também não preservar o direito de um traficante de drogas de exercer o seu negócio? Ou o direito de um pedófilo satisfazer suas vontades? Pedimos licença para responder : os direitos de um cidadão devem ser limitados quando se prestam a invadir os direitos dos outros cidadãos. Esta é a regra geral da boa convivência. Ora, existe direito mais precioso que a vida?

Há inúmeras campanhas para alertar a população dos perigos de alguém dirigir um veículo estando embriagado. Sendo assim, quem poderá prever os desastres que poderão decorrer de uma pessoa alcoolizada com uma arma na mão? Você ficaria tranqüilo com seu filho em um lugar onde se misturam álcool e armas?

Vivemos amedrontados com as notícias. E as notícias são mesmo terríveis. Porém, para cada iniqüidade que aparece nos jornais e na TV, acontecem inúmeras maravilhas dia após dia, e que passam despercebidas pela maioria de nós. O mundo é aquilo que enxergamos dele. Quem se deixa ficar obcecado pelas tragédias, fecha seus olhos para o sorriso de uma criança, para a renúncia silenciosa de uma mãe, para o abraço sincero dos bons amigos, coisas simples e abençoadas, que sempre aconteceram e felizmente jamais deixarão de acontecer. Há quem prefere se envenenar com as sujeiras do mundo. Mas também há os que preferem se nutrir das suas belezas.

ARMAS E VIDA II

“ART. 5º inciso XXII – É garantido o direito de propriedade.

“Inciso XXIII - A propriedade atenderá a sua função social.

“Inciso XXIV - A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social (...)”

Os três incisos acima do Art. 5º da Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 1988, traduzem o espírito da nossa Carta Magna que é o de equilíbrio entre os direitos individuais dos cidadãos e o bem-estar da sociedade como um todo. Com base neste princípio, podemos afirmar que os direitos de alguns não podem sobrepujar ou prejudicar o interesse coletivo

É incontestável que, em uma sociedade, não há como se conseguir que todos os indivíduos, sem exceção, façam valer seus direitos e vontades. A vida em sociedade (assim como a vida conjugal!) pede um meio-termo entre exigências e concessões, em benefício do bem comum. Ora, parece claro que o direito dos cidadãos possuírem uma arma de fogo lesa a sociedade como um todo. Aumentando-se o número de armas em circulação, aumenta-se proporcionalmente o número de assassinos em potencial. Qualquer um de nós pode ser vítima de um desequilíbrio momentâneo, ou de uma revolta incontida. As estatísticas mostram que a violência não é causada apenas pelos bandidos. Também a praticam os cidadãos de bem, trabalhadores e cumpridores de seus deveres. Isto sugere que a violência de nossa sociedade é o reflexo da violência que está dentro de cada um de nós. E somos particularmente responsáveis pelo que acontece à nossa volta Exemplificando, o desprezo com que tratamos um indigente em dificuldades, talvez causará nele uma revolta, que será passada adiante em um círculo vicioso.

É de um provérbio chinês a afirmativa de que o sábio olha a vida do alto de uma montanha. Ele tem o poder de enxergar por cima, e percebe com antecedência as conseqüências de uma atitude. Quem dera fôssemos sábios para também enxergar a vida do alto. E veríamos a nós mesmos, satisfeitos com a nossa capacidade de ter feito valer um direito nosso, e poder possuir, com orgulho, a nossa arma. Mas também veríamos as conseqüências: as lágrimas de milhares de mães que perderão os seus filhos em decorrência da nossa atitude. É preciso agir como o sábio, e enxergar além dos nossos próprios interesses, porque tudo que afetar a sociedade acabará, por fim, igualmente nos afetando.

Este mesmo argumento tão repetido deve ter sido o mesmo argumento usado pelos escravocratas no Brasil do séc. XIX para defender a Escravidão: "É um direito meu !". E eles estavam certos. Era realmente um direito deles, haviam pago pelos seus escravos. Porém, para construir no Brasil uma sociedade livre, justa e solidária, era necessário tolher alguns direitos individuais em benefício da coletividade. Felizmente assim pensou a Princesa Isabel.

Agora, estamos todos nós, os brasileiros, a construir uma sociedade mais pacífica. Pacífica é o termo correto, porque é preferível vivermos em uma sociedade pacífica que em uma sociedade protegida. Da nossa atitude depende a vida de milhares de brasileiros. Da nossa consciência dependem as lágrimas que serão evitadas. Do nosso voto, depende apagar o rastilho de pólvora da revolta, evitando a explosão de mais violências. Infelizmente, este referendo não marcará o fim de uma época de violência. Mas poderá ser um passo importante na direção da paz.


Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: