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Porto Velho,  seg,   6/julho/2020     
opinião

Editorial (2): A militância estudantil e a crise política de Rondônia

30/11/2005 02:25:28
Imprensa Popular
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A militância de hoje é menos radical e mais aberta a rever suas opiniões. 


 Os universitários rondonienses parecem ter perdido a motivação. Um dia após os deputados rondonienses terem absolvido seus colegas apontados como integrantes do grupo “propineiro”, menos de cem acadêmicos posicionaram-se na Assembléia para protestar contra a decisão da maioria dos parlamentares – numa sessão feita às pressas, quase de improviso – que livrou os propineiros da cassação de seus mandatos, pedido no relatório aprovado pela Comissão Processante que funcionou por várias semanas no Parlamento com o objetivo de propor punição àqueles que apareceram no vídeo gravado (clandestinamente) pelo governador Ivo Cassol numa suposta operação de achaque.

Quando tal vídeo foi apresentado no programa Fantástico da Rede Globo, a reação da classe estudantil foi muito mais ruidosa, a ponto de chegar à promoção de quebra-quebra contra o patrimônio público. As portas de vidro da Assembléia foram quebradas e os manifestantes chegaram a ameaçar por fogo no prédio do Legislativo.

Na segunda manifestação – num dia em que os deputados simplesmente postergaram o máximo a realização da sessão parlamentar – a sensação era de que os estudantes perderam a motivação. Na terça-feira, dia 8, uma nova manifestação. Um pouco mais ruidosa, com o enfrentamento de manifestantes com a polícia. Mesmo assim pouco representativa num universo que, segundo consta, conta com mais de 16 mil universitários.

A fraquíssima manifestação dos estudantes rondonienses na Assembléia Legislativa contra o desfecho do chamado Escândalo das Propinas serviu para exteriorizar que não há um posicionamento firme e organizado, por parte dos nossos acadêmicos diante da crise política vivenciada pelo estado. Salvo melhor juízo, o movimento universitário rondoniense, ainda muito jovem, vive, paradoxalmente, uma fase de estagnação, como os demais segmentos da juventude (secundaristas, por exemplo) prisioneiros de uma relativa paralisia em relação à política. E como se a maioria dos estudantes soubessem da pouca serventia de confrontos na frente da Assembléia. Seria muito melhor realizar um trabalho de conscientização das massas para a importância do voto consciente nas eleições de 2006.

Quem foi universitário nas décadas de 60 e 70 afirma que os jovens de antigamente eram mais politizados e por isso pessoas com 15 anos demonstravam disposição para pegar em armas para lutar contra a ditadura.

Estudantes de hoje são jovens consumistas e cada vez mais individualistas, gente que vive vidrado em programas sem conteúdo das TVs, que está mais preocupada com as “baladas”, com o carnaval fora-de-época, e não está nem aí para a política. Fazer política não é depredar o patrimônio público.

São jovens que perderam os referenciais dos grandes movimentos de esquerda, jovens que estão sem perspectivas. Ora, assim, temos aí uma classe estudantil com dificuldades até mesmo para levantar bandeiras que interessam diretamente ao segmento, lutando contra os problemas que afligem a educação no país, motivando sucessivas greves nas universidades públicas, cada vez mais sucateadas.

Se acadêmicos e secundaristas não demonstram a disposição do movimento estudantil das décadas de 70 e 80 nem mesmo para defender bandeiras de sua área, por que teriam interesse em participar da vida política? Antigamente, no meio universitário, os professores se envolviam mais e incentivavam os alunos a defenderem certas posições políticas, a discutir alternativas e realidade do país. Hoje o processo de alienação é grande e ninguém quer discutir os problemas do Estado ou do País. Se estivessem interessados no aspecto da comprometimento, do engajamento em favor da politização e da organização popular não seriam vítimas fáceis daqueles que manipulam para a baderna e para os extremismos que não contribui para mudar nada.

É claro que como a maior parte da sociedade com acesso às informações, também os nossos estudantes estão indignados e revoltados com aquilo que vem acontecendo na política de Rondônia e do Brasil. Mas esta indignação dificilmente levará multidões a protestar nas ruas porque a quantidade de jovens engajados caiu drasticamente nos últimos anos.

No caso de Porto Velho, nem mesmo a denúncia de desvios de recursos numa entidade estudantil que representa os secundaristas consegue motivar protestos e resistência dessa que é a nossa “jeunesse dorée”. Nem tudo, é claro, está perdido. Os jovens de hoje estão mais aptos a rever posições.

O movimento das desgastadas entidades do tipo CUT e partidos que se dizem de esquerda mal arrasta uma centena de pessoas para protestar contra esta vergonhosa situação da política estadual A manifestação ocorrida na última terça-feira na frente da Assembléia, demonstrou que o movimento estudantil rondoniense é quase inexpressivo e sem força para interferir nas grandes questões do futuro do Estado.

Por outro lado a coisa pode mudar quando os DCEs entenderem a importância do movimento estudantil se engajar mais na política, promovendo nas faculdades eventos que discutam as questões ligadas à realidade social e cultural de nosso país e de nossa região.


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