Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  qui,   24/setembro/2020     
opinião

Editoriais: Candidatura de Melki é projeto arquivado

14/4/2006 16:05:58
Imprensa Popular
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



Uma das fontes mais qualificadas do PMDB rondoniense afirmou para Imprensa Popular que o partido terá Amir Lando como candidato ao governo. Melki Donadon é carta fora do baralho. 


 Melki sonha com o domínio do poder rondoniense há muito tempo. Tentou uma vez por um desses partidos sem maior expressão (PSC) tomar o trono e nem chegou no segundo turno. Mas foi, como se lembra quem acompanhou aquela disputa, piloto de uma campanha milionária e ousada, especialmente para um camarada que tinha no currículo apenas a passagem pela prefeitura de um município de expressão econômica pequena, como Colorado.

O pai de Melki Donadon – falecido há tempos – também passou pela prefeitura daquela cidade. Foi uma passagem tristonha, marcada com seu afastamento por má gestão do erário. Isso não impediu a construção de um “feudo” político na região pelo clã Donadon.

O clã dos Donadons não é formado de anjos. Na disputa pelo poder rondoniense estão no rol das raposas políticas e não se intimidam nem diante dos obstáculos encontrados no Judiciário. Bem que a Justiça tentou destronar esse clã do Poder, todavia os Donadons cresceram escapando dos tentáculos do Judiciário. Hoje os irmãos de Melki estão na Câmara dos Deputados, na Assembléia Legislativa e na Prefeitura do importante município de Vilhena, como se em nenhum momento tivesse se transformado no pivô do caos que praticamente inaugurou as grandes ondas de corrupção no Estado.

As maracutaias que levaram a Justiça a expedir um mandato de prisão contra Natan Donadon – que antes de ir para a cadeia ganhou imunidade ao se transformar em deputado federal, assumindo a vaga deixada por Confúcio Moura – e a pedir várias vezes autorização da Assembléia para processar o deputado Marco Donadon foram certamente o legado maior do clã ao Estado de Rondônia. A Justiça conseguiu colocar no xadrez apenas os bagrinhos utilizados pelo esquema de corrupção que causou um rombo de quase R$ 10 milhões ao erário.

O líder maior dos Donadons é, reconhecidamente, Melki. Ele garantiu a eleição do irmão – que entrou na disputa no fim da campanha eleitoral – à prefeitura de Vilhena em pouquíssimos dias. Foi uma demonstração de que permanece sendo o ícone de um populismo consolidado no Cone Sul imune às denúncias, processos, mandados de prisões ou qualquer outra tentativa da Justiça contra supostos crimes praticados para o benefício do clã.

O povo do Cone Sul, dizem entendidos da política naquela região, querem colocar Melki na chefia do Poder estadual. Mas não será dessa vez. As pessoas daquele feudo, agem inspiradas por aquele antigo pensamento político brasileiro do “rouba, mas faz!”, convencidos de que o empreendedorismo é uma das marcas mais positivas do líder desse clã. O ícone do clã ainda parece firme e não revela que seu sonho acabou. Mas se não foi ainda a nocaute, dentro do PMDB já perdeu a luta por pontos.

Afinal, dentro do PMDB quem tem um legado importante é Amir. Quando o assunto é seriedade com a coisa pública, Amir está disparadamente na frente do ex-prefeito de Vilhena. Nenhum dos dois, entretanto, representam o novo. Ambos são da safra da velha forma de se fazer política. Na realidade o PMDB, disse a importante fonte ao informar a decisão dos cardeais do partido favorável a Amir, “só aceitaria Melki se ninguém mais quisesse postular a vaga pela disputa do cargo ocupado por Ivo Cassol”.

Ao se posicionarem em favor do nome de Amir para a disputa pelo governo, os cardeais do PMDB querem dizer à sociedade rondoniense que cultivam ainda pudores políticos que no passado deram grandeza ao partido. Como assumir publicamente compromissos de empreender uma tarefa de limpeza em regra no Estado se o partido tivesse no timão da campanha um comandante que se esmerou em gerar episódios nada edificantes para servir de bom exemplo à classe política?

Certamente, fora da região em que Melki é ícone popular e populista, seu discurso de oposição ao governo do Estado teria pouco efeito prático.

Pelo envolvimento de membros do clã em maracutaias, faltar-lhe-ia cacife ético para lançar libelo contra o governador. Enquanto não ficar devidamente explicado o papel de cada Donadon no rombo ao erário, que levou a Justiça a pedir a prisão de Natan e licença para processar Marco, seus irmãos; ele continuará sendo sinônimo de continuísmo e de atrelamento às práticas nada éticas usadas por quem tem ambições despropositadas.

É evidente que Amir não é nenhuma “Brastemp” em matéria de relacionamento com o eleitorado. Mas, até provas em contrário, é político que se esmera no desempenho de suas funções, oferecendo um tributo à altura da competência e do preparo intelectual forjado ao longo de anos de estudo e dedicação à carreira.

Num estado de contrastes socioeconômicos abissais, onde milhares de famílias sobrevivem com uma ração infra-humana, não há o menor sentido na condescendência de partidos com políticos que integram grupos que, quando tiveram oportunidade, contribuíram para macular o nome de instituições importantes para a democracia, tratando o erário como se fosse sua propriedade particular.

Publicado na edição nº 77, de 17 a 27 de março de 2006


Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: