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opinião

Editoriais: O peso da Igreja na disputa eleitoral

14/4/2006 16:09:18
Imprensa Popular
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Legalmente a Igreja est√° separada do Estado no Brasil. Na pr√°tica, cada vez mais elas interferem e participam da pol√≠tica e, indiretamente, do pr√≥prio Estado. Em Rond√īnia esta interfer√™ncia √© mais expressiva √†s religi√Ķes n√£o cat√≥licas, onde sempre h√° um l√≠der clerical pronto a apoiar os candidatos mais forte economicamente. 


 A Igreja Cat√≥lica ainda √© majorit√°ria, mesmo em Rond√īnia. Mas s√£o as n√£o cat√≥licas, que somadas possuem um contingente expressivo e cada vez mais crescente, as que mais procuram ocupar espa√ßo na pol√≠tica do estado, dando ou negando apoio aos candidatos com chances maiores de vit√≥ria.

Explica-se assim o desejo de cada líder político rondoniense aproximar-se desse contingente de fé, muitas vezes até dizendo-se convertido a uma dessas seitas ou então tentando algum tipo de aliança com os clérigos mais importantes. Ainda recentemente circulou no mundo político o esforço que o próprio governador Ivo Cassol andou fazendo para ter em sua chapa, como vice, um líder de uma seita que pode, com sua interferência, ajudar a decidir uma disputa.

Esta rela√ß√£o das igrejas com os pol√≠ticos profissionais √© tema para uma an√°lise posterior. No momento, o objetivo deste editorial √© o de reconhecer como louv√°vel n√£o as convic√ß√Ķes pol√≠ticas desse ou daquele l√≠der religioso ‚Äď que na maioria das vezes est√£o cimentadas com as benesses do poder ‚Äď e sim a decis√£o da Igreja Cat√≥lica Apost√≥lica Romana de orientar c√≠vica e moralmente seus fi√©is, aconselhando-os a uma constante vigil√Ęncia dos homens p√ļblicos e a uma escolha consciente dos pr√≥ximos representantes do povo, tanto no Legislativo como no Executivo.

Ai, sim, está um papel correto que cabe à Igreja, pois é bem diferente dos conchavos e negociatas que costumam contribuir para a permanência e fortalecimento dos corruptos mais grosseiros que infestam a política no Estado.

A Confer√™ncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), atrav√©s do seu conselho permanente, est√° preparando uma cartilha com o objetivo de orientar os cat√≥licos para as elei√ß√Ķes deste ano. Nela, segundo se adianta, h√° um apelo para que os cat√≥licos se envolvam de forma ativa na pol√≠tica. Isso n√£o significa que devem integrar partidos pol√≠ticos ou participar da disputa por cargos p√ļblicos.

Significa, isso sim, que devem votar de maneira mais consciente, analisando os candidatos e seus programas e repudiando os corruptos. A√≠ entram, como alvo de rep√ļdio, desde os corruptos mais grosseiros, aqueles que oferecem churrasco e transporte para os eleitores, quando n√£o dinheiro mesmo, ou trocam votos por dentaduras, cadeiras de rodas e outros benef√≠cios de benemer√™ncia. S√£o lobos em pele de cordeiro que n√£o fazem o bem, mas usam o que √© o bem para eternizarem-se nos cargos pol√≠ticos onde podem fazer o mal ao eleitorado e o bem a si mesmos e aos seus grupos.

Os bispos aconselham tamb√©m que os cat√≥licos repudiem os que se envolveram com o uso irregular de recursos de campanha, no chamado esquema do caixa dois. Por extens√£o, pode se dizer que em Rond√īnia, a Igreja Cat√≥lica dever√° recomendar aos seus fi√©is que se abstenham de votar nos pol√≠ticos que se envolveram no Esc√Ęndalo das Propinas ou das enormes listas de servidores gafanhotos, atrav√©s das quais sugaram a√ßodadamente o er√°rio. E, a√≠, entram tanto governistas quanto oposicionistas, com honrosas exce√ß√Ķes.

√Č preciso que os eleitores, por dever c√≠vico, e os que s√£o cat√≥licos, tamb√©m por dever moral ligado aos ditames da igreja, n√£o s√≥ selecionem seus candidatos, repudiem os corruptos e os atos de corrup√ß√£o com que tentam comprar seus votos, como acompanhem de perto o exerc√≠cio dos mandatos por aqueles em quem votarem. H√° muitos pol√≠ticos que, uma vez eleitos, retiram sua pele de cordeiro e se revelam lobos famintos a devorar o que deveriam reservar e preservar para o povo.

De acordo com o secret√°rio-geral da CNBB, dom Odilo Scherer, a esperan√ßa dos bispos √© que o destaque dado aos casos de corrup√ß√£o em 2005, com as investiga√ß√Ķes e discuss√Ķes nas CPIs e a intensa cobertura dos meios de divulga√ß√£o, contribuam para o amadurecimento do eleitorado brasileiro. Os fatos revelados em 2005 n√£o merecem indulg√™ncia. T√™m de ser lembrados e os respons√°veis afastados da pol√≠tica para todo o sempre, perten√ßam a que partido pertencerem. Corruptos h√° no governo e na oposi√ß√£o e todos devem merecer o rep√ļdio dos homens de bem.

√Č uma pena que n√£o se conhe√ßa esfor√ßo id√™ntico de alerta aos fi√©is por parte das chamadas igrejas multidenominacionais que atuam no nosso Estado.

Publicado na edi√ß√£o n¬ļ 77, de 17 a 27 de mar√ßo de 2006


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