Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  qua,   5/agosto/2020     
opinião

Editoriais: Estilo dos mosqueteiros atrás do andor dos propineiros

14/4/2006 16:16:27
Imprensa Popular
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



A tendência, afirmam os olheiros da política estadual, é a indulgência plena do povo para com os políticos envolvidos no Escândalo das Propinas e nos demais delitos da corrupção. 


 Assim como acontece nos arraiais do parlamento, onde todos que tiveram seus nomes envolvidos delitos ruinosos para a economia, as finanças e para a sociedade rondoniense no geral acabaram absolvidos pelo lema recorrentes dos Três Mosqueteiros – “Um por todos e todos por um” – também deverão receber a indulgência daqueles que estarão dando o ritmo da procissão na disputa eleitoral deste ano, ou seja, a grande maioria dos eleitores.

Num país onde exemplos vindos de cima – como a absolvição pela Câmara dos Deputados, certamente com a contribuição de representantes rondonienses – reforçam a idéia de que tudo está liberado na política, não é temerário ter este raciocínio compartilhado pela maioria daqueles que procuram compreender e analisar o quadro político rondoniense, diante daquilo que o Estado e o Brasil viu envergonhado em rede nacional de TV.

Quem apostar em um desfecho eleitoral semelhante à noite dos grandes punhais corre um enorme risco de se frustrar. Na verdade, diante do que acontece no depravado cenário político nacional, os delitos do mais explorado escândalo rondoniense na TV não foi tão ruinoso para integridade do tecido político rondoniense e muito menos para o brasileiro.

Se na Câmara dos Deputados, onde uma mídia atenta está de olho no lance; onde uma Comissão de Ética trabalhou até no recesso; onde forças sociais as mais diversas (como as ONGs) atuam pra valer com o objetivo de desmascarar e punir as figuras de proa do escândalo – que, diga-se de passagem movimentou mais de R$ 50 milhões no valerioduto – o corporativismo impede que se chegue a extremos, não seria aqui em Rondônia políticos desempenhando atabalhoadamente o papel de punguistas iriam passar pelo estigma da perda dos mandatos.

Ora, em casos piores e com a comprovação do esbulho simples e irrefutável do dinheiro público (como o escândalo das passagens áreas, só para citar um) ninguém foi punido e execrado perante a opinião pública, porque imaginar os incautos pegos numa tentativa – e não mais do que tentativa – de extorsão não seriam poupados pelo sentimento de autodefesa dos políticos locais.

Quantos políticos rondonienses já foram protagonistas da crônica policial, colocando o Estado de Rondônia nas manchetes mais asquerosas da grande imprensa e, mesmo assim, acabaram sendo tratados a pão-de-ló pelo eleitorado estadual? Vários, principalmente em municípios como Vilhena e Ariquemes, entre tantos outros. Muitos estão aí, após passarem meses na cadeia, prontos a continuar na vida pública e até cantando vitórias antecipadas.

É claro que na política rondoniense há uma minoria de agentes admiráveis, corajosos e despreendidos que estão na vida pública porque têm sintonia com as aspirações sociais. Estão quase sempre são impotentes para o enfrentamento das crises éticas recorrentes no funcionamento do sistema.

Vivemos uma época de inversão de valores. A mentira orgulhosa e arrogante tem conseguido vencer, em vários episódios da política local, a verdade corajosa, mesmo porque muitos abdicam de sua responsabilidade de arautos, contribuindo para que a verdade seja ignorada.

Já dizia Catão, o Velho, na Roma antiga: “A verdade gera ódio e a compreensão gera amigos”.

Certamente as eleições de outubro – pelo que se vê e se ouve em todo o Estado – não será o ajuste de contas esperado por alguns radicais na indignação. Aqueles que estiveram nadando no lago da degradação moral são personagens que ficaram ricos entranhados no poder. Sabem mentir descaradamente e arrumar explicações mirabolantes para serem premiados com o perdão popular.

(Publicado na edição nº 77, de 17 a 27 de março de 2006)


Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: