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Porto Velho,  ter,   15/outubro/2019     
entrevista

Os estudantes perderam ousadia e aud√°cia

18/4/2006 04:09:54
 
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Confessando-se um saudosista, o poeta e jornalista Dad√° (Ada√≠des Batista) lamenta o desarme do movimento estudantil que era antes o espa√ßo para discuss√£o pol√≠tica. 


 As √ļltimas grandes promo√ß√Ķes culturais da Universidade Federal de Rond√īnia destinada ao p√ļblico, realizadas principalmente nas escadarias do pr√©dio da reitoria daquela institui√ß√£o, ao lado do Pal√°cio Get√ļlio Vargas, aconteceram quando Ada√≠des Batista, o Dada, respondia pela Assessoria de Imprensa daquela universidade. Depois, apenas duas grandes promo√ß√Ķes de cunho cultural foram realizadas, desta vez no campus, com a apresenta√ß√£o dos artistas Juca Chaves e Luiz Melodia. Promo√ß√Ķes chanceladas pelo Diret√≥rio Acad√™mico, com o apoio da pr√≥pria reitoria. De l√° para c√°, o cen√°rio se fixou no marasmo. H√° um abandono completo pelos caminhos que poderiam levar aqueles acad√™micos a um engajamento maior com a realidade social, pol√≠tica e cultural do Brasil.

Para falar desse tema Imprensa Popular foi ouvir Ada√≠des Batista, o Dad√°, jornalista que durante seu per√≠odo como universit√°rio teve uma rica milit√Ęncia e acabou engajado ao comunismo, passado refletido ainda hoje nas suas composi√ß√Ķes musicais e na sua produ√ß√£o liter√°ria, principalmente na poesia.

O experiente Dadá tem uma tese muito interessante para explicar esse momento em que o movimento estudantil mostra-se completamente afastado do caminho revolucionário que, nas décadas passadas, levava os estudantes às ruas para lutar contra o regime ditatorial.

Dad√° aponta exatamente a escolha das lideran√ßas do movimento e dos dirigentes das entidades representativas dos estudantes (UNE e as representantes dos estudantes secund√°rios) pela via da reforma, propondo o caminho eleitoral para a transforma√ß√£o da sociedade, como a respons√°vel pelo desengajamento de hoje. Os estudantes, acredita Ada√≠des, n√£o t√™m bandeiras pelas quais lutar e aqueles que deveriam liderar o movimento s√£o vistos pela maioria dos acad√™micos como oportunistas mais interessados em compor com o poder para garantir benesses e posi√ß√Ķes. ‚ÄúNingu√©m tem mais coragem de radicalizar!‚ÄĚ, tascou o antigo militante comunista, hoje tamb√©m vivendo na tranq√ľilidade burguesa que um cargo p√ļblico, como o de diretor da Assessoria de Imprensa da Assembl√©ia Legislativa, pode proporcionar.

Na opinião de Dadá não dá para acreditar em exemplos de rebeldia e espírito revolucionário do movimento estudantil de hoje, porque quem se apresenta como líder desse segmento não está cacifado para ser o representante máximo e legítimo dos universitários, até porque os organismos de representação dos estudantes estão contaminados pelo oficialismo, quando não pelo governismo.

Arguto nas suas observa√ß√Ķes, Dad√° comentou para Imprensa Popular que h√° at√© mesmo um risco destes estudantes de Porto Velho romperem com as ilus√Ķes eleitorais, contribuindo para a vit√≥ria do oportunismo que sabe se aproveitar quando n√£o h√° luta combativa entre as massas.

Uma maior politiza√ß√£o e organiza√ß√£o nesse meio rondoniense, diz Dada, s√≥ poderia ser conseguido se os partidos voltassem a atuar na Universidade como no passado, convidando os universit√°rios a se expressar sobre os problemas regionais e nacionais. Sem isso e sem lideran√ßas preparadas, o movimento estudantil dever√° continuar ainda distanciado do povo e paralisado na capacidade de construir bandeiras revolucion√°rias ou mesmo reformistas. Sem a ilus√£o de mudar o pa√≠s pela via eleitoral, sem se solidarizar com as v√≠timas da crescente mis√©ria humana, sem demonstrar preocupa√ß√£o com a mis√©ria existente, por exemplo, no cintur√£o perif√©rico de Porto Velho, a classe estudantil n√£o reconquistar√° sua import√Ęncia pol√≠tica.

A Unir, diz Dadá, deveria exercer um forte papel de liderança e de lá deveriam sair os grandes projetos para o Estado, pois é lá que estão as cátedras. Ela, continua, deveria agir de forma contundente e até mais amorosa com a população rondoniense. Mas enredada pela péssima política educacional brasileira, que acabou com as grandes jornadas de luta no meio estudantil, artístico e intelectual, a Unir está, conclui Dada, dissociada da realidade popular e evita tudo que leve a pensar nesta questão.

(Publicado na edi√ß√£o n¬ļ 79, de 11 a 20 de abril de 2006)

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