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Porto Velho,  seg,   24/junho/2019     
entrevista

Os estudantes perderam ousadia e audácia

18/4/2006 04:09:54
 
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Confessando-se um saudosista, o poeta e jornalista Dadá (Adaídes Batista) lamenta o desarme do movimento estudantil que era antes o espaço para discussão política. 


 As últimas grandes promoções culturais da Universidade Federal de Rondônia destinada ao público, realizadas principalmente nas escadarias do prédio da reitoria daquela instituição, ao lado do Palácio Getúlio Vargas, aconteceram quando Adaídes Batista, o Dada, respondia pela Assessoria de Imprensa daquela universidade. Depois, apenas duas grandes promoções de cunho cultural foram realizadas, desta vez no campus, com a apresentação dos artistas Juca Chaves e Luiz Melodia. Promoções chanceladas pelo Diretório Acadêmico, com o apoio da própria reitoria. De lá para cá, o cenário se fixou no marasmo. Há um abandono completo pelos caminhos que poderiam levar aqueles acadêmicos a um engajamento maior com a realidade social, política e cultural do Brasil.

Para falar desse tema Imprensa Popular foi ouvir Adaídes Batista, o Dadá, jornalista que durante seu período como universitário teve uma rica militância e acabou engajado ao comunismo, passado refletido ainda hoje nas suas composições musicais e na sua produção literária, principalmente na poesia.

O experiente Dadá tem uma tese muito interessante para explicar esse momento em que o movimento estudantil mostra-se completamente afastado do caminho revolucionário que, nas décadas passadas, levava os estudantes às ruas para lutar contra o regime ditatorial.

Dadá aponta exatamente a escolha das lideranças do movimento e dos dirigentes das entidades representativas dos estudantes (UNE e as representantes dos estudantes secundários) pela via da reforma, propondo o caminho eleitoral para a transformação da sociedade, como a responsável pelo desengajamento de hoje. Os estudantes, acredita Adaídes, não têm bandeiras pelas quais lutar e aqueles que deveriam liderar o movimento são vistos pela maioria dos acadêmicos como oportunistas mais interessados em compor com o poder para garantir benesses e posições. “Ninguém tem mais coragem de radicalizar!”, tascou o antigo militante comunista, hoje também vivendo na tranqüilidade burguesa que um cargo público, como o de diretor da Assessoria de Imprensa da Assembléia Legislativa, pode proporcionar.

Na opinião de Dadá não dá para acreditar em exemplos de rebeldia e espírito revolucionário do movimento estudantil de hoje, porque quem se apresenta como líder desse segmento não está cacifado para ser o representante máximo e legítimo dos universitários, até porque os organismos de representação dos estudantes estão contaminados pelo oficialismo, quando não pelo governismo.

Arguto nas suas observações, Dadá comentou para Imprensa Popular que há até mesmo um risco destes estudantes de Porto Velho romperem com as ilusões eleitorais, contribuindo para a vitória do oportunismo que sabe se aproveitar quando não há luta combativa entre as massas.

Uma maior politização e organização nesse meio rondoniense, diz Dada, só poderia ser conseguido se os partidos voltassem a atuar na Universidade como no passado, convidando os universitários a se expressar sobre os problemas regionais e nacionais. Sem isso e sem lideranças preparadas, o movimento estudantil deverá continuar ainda distanciado do povo e paralisado na capacidade de construir bandeiras revolucionárias ou mesmo reformistas. Sem a ilusão de mudar o país pela via eleitoral, sem se solidarizar com as vítimas da crescente miséria humana, sem demonstrar preocupação com a miséria existente, por exemplo, no cinturão periférico de Porto Velho, a classe estudantil não reconquistará sua importância política.

A Unir, diz Dadá, deveria exercer um forte papel de liderança e de lá deveriam sair os grandes projetos para o Estado, pois é lá que estão as cátedras. Ela, continua, deveria agir de forma contundente e até mais amorosa com a população rondoniense. Mas enredada pela péssima política educacional brasileira, que acabou com as grandes jornadas de luta no meio estudantil, artístico e intelectual, a Unir está, conclui Dada, dissociada da realidade popular e evita tudo que leve a pensar nesta questão.

(Publicado na edição nº 79, de 11 a 20 de abril de 2006)

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