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Porto Velho,  sáb,   4/abril/2020     
reportagem

Ongs querem que Lula desista das hidrelétricas do Madeira

30/6/2006 18:30:38
 
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Se o presidente Lula não resistir à pressão das organizações socioambientais, as tão esperadas hidrelétricas do Madeira, projetadas por Furnas, jamais serão concretizadas. 


 Em torno de 40 organizações socioambientais do Brasil e da América Latina pedem ao presidente Luís Inácio Lula da Silva que reconsidere a decisão de seu Governo de construir duas grandes hidrelétricas no rio Madeira alegando que o empreendimento é inviável por trazer custos ambientais, econômicos e sociais muito altos para a Amazônia e para o país.

A solicitação foi entregue, ontem (26), através de carta na qual as entidades manifestam a preocupação quanto aos danos irreversíveis que este empreendimento trará para a diversidade do segundo maior rio da bacia Amazônica, “particularmente sobre os peixes, afetando a pesca, um dos suportes da economia da região e, portanto, a sobrevivência de milhares de famílias”, destaca o documento.

A carta ainda se refere à experiência mal sucedida da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, que demonstra que os impactos na jusante das grandes barragens amazônicas são tão sérios quanto os da área inundada. “A retenção de sedimentos prejudica a fertilidade da várzea, afetando famílias de agricultores”.

O QUE DIZ A CARTA

“Vimos por meio deste manifestar nossa extrema preocupação com a decisão de seu Governo de construir duas grandes hidrelétricas no rio Madeira, o qual, como é de vosso conhecimento, é o segundo maior rio da bacia amazônica, sendo uma área de grande diversidade biológica e relevância para a conservação da biodiversidade mundial. O barramento promoverá danos irreversíveis sobre esta diversidade, particularmente sobre os peixes, afetando a pesca, um dos suportes da economia da região e, portanto, a sobrevivência de milhares de famílias. Os impactos sociais, ambientais e econômicos serão observados desde o alto Madeira até sua foz e também no rio Amazonas. A experiência da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, mostra que os impactos a jusante das grandes barragens amazônicas são tão sérios quanto os da área inundada. A retenção de sedimentos prejudica a fertilidade da várzea, afetando famílias de agricultores.

A inviabilidade econômica do empreendimento é evidenciada pela previsão de gastos superiores a 18 bilhões de reais na construção e outros 10 nas linhas de transmissão. A insistência no modelo de construção de mega-hidrelétricas na Amazônia condena o país à insegurança energética, pois se prevê que mais da metade da nova capacidade de geração venha das obras do Madeira e de Belo Monte, no rio Xingu – também esta uma obra sem comprovada viabilidade.

Aqui vale recordar parte de uma carta enviada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES, 2004) por centenas de organizações nacionais e de outros países: “Uma política energética correta, de acordo com os interesses do país, deve privilegiar a eficiência ... Tecnicamente está comprovado que é possível produzir mais com a mesma quantidade de energia elétrica gerada atualmente ... É necessário redirecionar parte dos investimentos previstos em geração para o desenvolvimento tecnológico; para o suporte a sistemas de produção adequados; para a substituição de motores elétricos antigos por motores eficientes; para novos sistemas de iluminação e para a diminuição de perdas na transmissão, considerando que, neste caso, os índices brasileiros estão muito acima dos aceitáveis internacionalmente. Deve também fazer parte desta nova política que propomos a ‘repotenciação’ das hidrelétricas mais antigas. Estudos indicam que estas medidas permitiriam o aumento de pelo menos 20% na quantidade de energia disponível”.

O Banco Mundial, recentemente, apontou que potencialmente é possível economizar 25% da energia elétrica consumida no país, uma cifra que muitos especialistas consideram conservadora. Existem alternativas disponíveis dentre elas o aporte de “novas” energias através da produção por fontes renováveis e de menor impacto, particularmente a eólica, biomassa e a solar; sendo que no caso desta última é fundamental sua disseminação no aquecimento de água nos domicílios, responsáveis por até 8% do consumo nacional de energia elétrica.

Em razão dos fatos e considerações expostos acima, solicitamos que Vossa Excelência reconsidere os planos para as hidrelétricas no rio Madeira, pois a construção, como dissemos inicialmente, trará custos ambientais, econômicos e sociais muito altos para a Amazônia e o país.

OS SIGNATÁRIOS

Apenas dois representantes de Rondônia assinaram a carta pedindo ao presidente Lula para desistir da construção das hidrelétricas do Madeira. Há entre os nomes dos signatários várias ongs internacionais. Esta a lista dos que assinaram:

Alcides Faria - Ecoa – MS; Glenn Switkes - IRN – SP; Elisangela Soldatelli Paim - Núcleo Amigos da Terra / Brasil – RS; Lucia Ortiz - Grupo de Trabalho Energia do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento; Temistocles Marcelo - Secretário Executivo do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento; Luciana Badin Pereira Lima - Ibase – RJ; Issac Gerardo Rojas Ramirez - COECOCeiba – Amigos da Terra / Costa Rica; Alípio Valdez - CERDET – Amigos da Terra / Bolívia; Edmilson Pinheiro - Fórum Carajás – MA; Alessandro Menezes - Rios Vivos Brasil; Manoel Paiva - Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias Quimicas de Barcarena – PA; Magnolia Said - ESPLAR- Centro de Pesquisa e Assessoria – CE; Oscar Rivas - Sobrevivência – Amigos da Terra / Paraguai; Antonio Soler - Centro de Estudos Ambientais – RS; Renato Cunha - GAMBA – BA; Maurício Galinkin - Fundação Centro Brasileiro de Referência e Apoio Cultural - Fundação CEBRAC – DF; Luis Fernando Novoa – ATTAC; Telma D. Monteiro - ATLA – Associação Terra Laranjeiras – SP; Cleber Rodrigues de Paula - Associação Caeté - Cultura e Natureza – SC; Jorge Oscar Daneri - Fundación M´Biguá, Ciudadanía y Justicia Ambiental - Entre Ríos – Argentina; Margarita Flórez - ILSA – Colômbia; Rubens Harry Born - Vitae Civilis Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz – SP; Carlos Durigan - FVA - Fundação Vitória Amazônica; Alessandro Menezes - Rede Pantanal; Paula Johns - REDEH – Rede de Desenvolvimento Humano; Zuleica Nycz -

Apromac- Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte – PR; Fabrina Furtado - Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterai; Paula Johns - Rede Tabaco Zero; Maria Ivonete Barbosa Tamboril - Professora - pesquisadora da Universidade Federal de Rondônia – RO; Sérgio Guimarães - Instituto Centro Vida – MT; Rosane Bastos - Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado; Nioaque – MS; Paulo Brack -Professor - pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – RS; Sergio Leitão - Greenpeace Brasil;Ricardo Verdum - Instituto de Estudos Socioeconômicos INESC – DF; Rubens Born - Vitae Civilis Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz – SP; Adriana Ramos - Instituto Socioambiental (ISA) – DF; Rafael Filippin - Liga Ambiental – PR; Guilherme Carvalho - Fórum da Amazônia Oriental; Wesley Ferreira - Movimento dos Atingidos por Barragens – RO; Marco Antônio Trevalier - Movimento dos Atingidos por Barragens.

(Publicado na edição de 27/6 a 7 de julho de 2006)


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