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Porto Velho,  sex,   23/agosto/2019     
entrevista

Os bandidos de maior periculosidade não estão no Urso Branco

23/7/2006 23:12:25
 
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Esta a conclusão a que chegou Paulo Xisto, presidente de Ong, advogado, delegado de polícia e agora candidato, nesta entrevista exclusiva. E, disse mais, “por isso Rondônia não vai pra frente”. 



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Com uma militância política iniciada no PV (Partido Verde), quando integrou como candidato a vice-governador a chapa do PT que tinha o bancário Jorge Streit como titular, o respeitado presidente da Associação Cidade Verde (Ong voltada para a defesa do consumidor e preservação do sistema ecológico) volta outra vez a participar do processo eleitoral, desta vez como candidato a deputado estadual pelo PP.

Formado em direito há três décadas, o paranaense Paulo Xisto é delegado de polícia em Rondônia há mais de 20 anos. Desempenhou várias funções importantes no âmbito da Secretaria de Segurança Pública. Já foi professor de Direito no sistema universitário de Porto Velho e sempre esteve no burburinho das lutas populares da capital. Foi assim que acabou sendo guindado a presidente de uma das Ongs mais procuradas pelas pessoas lesadas em seu direito de consumidor e em sua cidadania.

Um espírito como esse, polêmico e irrequieto, não poderia mesmo ficar mais tempo à margem da luta política, ou seja, do processo eleitoral. “A gente se desgosta dos políticos corruptos e mal preparados e acaba decidindo pela participação direta, convencido de que a participação dos homens de bem é fundamental para reduzir o espaço de ação daqueles fazem da política um instrumento de enriquecimento ilícito, de corrupção e de aflição para o povo brasileiro”, explicou Xisto à Imprensa Popular.

LEIS RUINS

Como professor de Direito, o dr. Paulo Xisto cansou de explicar aos acadêmicos que “há no Brasil um excesso de leis mal feitas e ruins”, daí muito do problema existentes para os operadores do Direito chegar a decisões justas. Sem leis bem elaboradas, continua dizendo o professor, “não adianta termos bons juízes, promotores ou mesmo advogados”. Para ilustrar mais seu pensamento, Xisto explica: “Aqui a lei começa num artigo onde se diz que isso ou aquilo pode, para terminar num outro artigo se contradizendo, disso que isso ou aquilo não pode. E para algumas coisas faltam leis, enquanto para outras há excesso de legislação”.

Daí a necessidade da população escolher “bons legisladores”, ou seja, bons parlamentares já que são eles os responsáveis pela feitura das leis existentes.

Outro aspecto relegado pelos parlamentares que levou Paulo Xisto “a mais uma participação direta no pleito”, como o próprio explicou, “é o relevante papel de fiscalização dos demais poderes, exercido pelo Legislativo”. A falta dessa fiscalização, “do interesse em acompanhar a execução orçamentária acaba permitindo o desvio dos recursos – que são poucos – e leva os próprios políticos a se locupletarem do erário”.

É preciso cada eleitor pensar um pouco, antes de votar, “para escolher bem os representantes, gente que não pensa apenas em seus próprios interesses, pois só assim estaremos mudando a realidade em que vivemos”, destacou Paulo Xisto. E não satisfeito, acrescentou: “O povo precisa reagir na escolha dos políticos como reage na escolha do médico que vai cuidar de seu filho. Nesse caso, ele procurar sempre o melhor médico. É preciso também procurar o melhor político para se votar”.

ONGS PICARETAS


Fundador e presidente da Associação Cidade Verde, Paulo Xisto afirma ser muito importante “a atuação dessas sociedades civis na defesa de interesses inerentes à cidadania e à saúde do planeta”. Nem por isso esconde uma opinião cáustica sobre a existência das chamadas organizações não governamentais: “Tem muitas entidades dessas que são pura picaretagem. Existem apenas para “seus dirigentes extorquirem dinheiro”. Para ele “as voltadas para o ambientalismo, conduzidas por gente de mau caráter, acabam extorquindo mais dinheiro do poder público”.

Tem muita gente no Brasil vivendo disso, afirmou. São aquelas Ongs que combatem o desenvolvimento da Amazônia sem nunca ter pisado aqui, “como algumas agora trabalhando para impedir a construção de novas hidrelétricas no Estado sem conhecer na realidade a região, os estudos de impacto ambiental, porque só admitem impacto zero e isso, claro, não é possível”.

MÃOS LIMPAS

Quem conhece Paulo Xisto como militante político ou delegado de polícia não nega-lhe credenciais para tornar-se um representante do povo. Entretanto, ele faz questão de dizer que não pretende se apresentar “como melhor do que ninguém”. Entro nessa disputa “com a convicção de que nunca sujei minhas mãos em negociatas de nenhuma espécie, em benesses indevidas”. E para sublinhar diz: “Nunca entrei pelo lado mais sórdido da política ou da própria carreira de delegado de polícia”, fato que seus amigos e conhecedores de longa data atestam.

O passado ilibado de Paulo Xisto não vai garantir “uma campanha fácil”, porque terá de enfrentar a desilusão dos eleitores e “concorrentes com um saco de dinheiro para comprar o tanto de votos que forem necessários ou possíveis”, como admitiu. Mesmo assim não falta ao presidente da ACV disposição para “que essa eleição seja o tão necessário divisor de águas” da política rondoniense.

TEM DE ACABAR

Paulo Xisto é otimista em relação ao futuro rondoniense. Ele lembra que o Paraná, também formado por um enorme fluxo migratório, passou por situação idêntica à vivida em Rondônia, com aventureiros e picaretas de toda ordem que acabaram indo para a política. Mas quando houve a depuração o estado começou a melhorar e o povo ganhou em qualidade de vida. Esse sentimento de esperança ele revelou para Imprensa Popular da seguinte maneira:

— O povo tem uma grande e justificada decepção com a maioria dos políticos de Rondônia. Se não houvesse uma lei nos obrigando a votar, penso que boa parte do eleitorado não iria comparecer às secções eleitorais. Por outro lado, nós, brasileiros gostamos de política. No fundo queremos participar, queremos opinar. Então na hora “h” a maior parte vai lá depositar o seu voto. Agora caberá aos eleitores mais conscientes fazer desta eleição esse marco, esse divisor de águas. O voto irresponsável não pode continuar tendo o grande peso dessa decisão que reflete na vida de todos. Será que os eleitores conscientes de Rondônia vão permitir o retorno desse pessoal que protagonizou os maiores escândalos retornem à vida pública? O povo pode até ser tolerante com a corrupção mas isso tem um limite. O povo não tem sangue de barata e sabe que enquanto essa corrupção generalizada e vergonhosa não acabar o estado não sai dessa situação de desemprego, de crimes, de fome. Seu eu não acreditasse nisso, não seria candidato, não sairia de casa. Orientar a pessoas a votar de forma consciente é papel de todos. Se acabarmos com o volume de corrupção existente em Rondônia, o estado vai melhorar para aqueles que mais precisam, os despossuídos.

NO URSO BRANCO


Sem tergiversação, Paulo Xisto considera que no geral, “os políticos de Rondônia agem como bandidos de maior periculosidade do que aqueles que estão no Urso Branco”. E eles “não são mandados para lá” só porque “a nossa Justiça não funciona a contento” em virtude de leis falhas, “existentes para proteger os ladrões de alto coturno”, praticantes do crime do colarinho branco, sentenciou com sua experiência de delegado.

Acabar o mais rapidamente possível com “essa roubalheira praticada pelos envolvidos em propinodutos, mensalão, máfia de sanguessugas, folhas de empregados fantasmas e tantos outros escândalos”, diz Xisto, “é condição fundamental para Rondônia voltar a crescer, garantindo que os frutos de seu desenvolvimento seja para todos os seus habitantes e não apenas para os grupos mafiosos dos políticos que vêm dominando o cenário do poder no estado”, concluiu.

(Publicado na edição nº 85, de 18 a 30 de julho de 2006)


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